Porto de Tradição

Porto. 81 lojas já têm selo de interesse histórico e cultural

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O programa Porto de Tradição visa assegurar a memória da cidade através das lojas, que são também parte da sua história

São já 79 as lojas e duas entidades que podem ostentar a placa Porto de Tradição, símbolo do reconhecimento do seu interesse histórico, cultural e social na Invicta. A lista integra espaços centenários e com traços vincados na memória de gerações de portuenses.

Desde a bonita mercearia A Favorita do Bolhão, propriedade de Valentim Loureiro (ex-presidente do Boavista Futebol Clube e da Câmara de Gondomar), àquela que é uma das livrarias mais belas do mundo, a Lello, ao café dos estudantes O Piolho ou o sonho das crianças que é o Bazar Paris, todos estes locais somam histórias da cidade e das suas gentes.

As duas entidades distinguidas não são diferentes. O Orfeão do Porto e o Teatro Sá da Bandeira (comprado nos últimos dias pelos proprietários da Livraria Lello) encantaram, e encantam, ao longo dos anos esta população guardada pelo granito dos seus horizontes.

História (in)felizes
A grande maioria destas lojas mantém a porta aberta, mas há quem tenha garantido o selo e não tenha conseguido manter o negócio. A Confeitaria Cunha, na Rua Sá da Bandeira, encerrou ao público e desconhece-se se voltará a operar. O edifício que a acolhia está a ser alvo de reabilitação e vai dar lugar a apartamentos de luxo. Já o restaurante Cunha, cuja entrada está situada numa rua lateral a Sá da Bandeira, sobrevive.

Como em tudo, há histórias mais felizes. A livraria/alfarrabista Moreira da Costa, a mais antiga da cidade, viu-se perante um despejo quando o Hotel Infante de Sagres e a totalidade do edifício (incluindo lojas) foi adquirido pelo grupo Fladgate Partnership (dono da marca de Vinho do Porto Taylor’s). Os proprietários não desistiram e os tribunais acabaram por lhes dar razão: os livros da Moreira da Costa continuam a poder ser comprados no local de sempre.

Para integrar a lista de lojas de lojas históricas, os espaços têm que cumprir três critérios: atividade (longevidade reconhecida, continuidade nas mãos da família/empregados, produção, com valorização da própria, marca e produtos identitários e rentabilidade do negócio); património material (arquitetura, imagens interior e exterior, e o espólio); e património imaterial (representação na história, arte e cultura da cidade). Todos estes aspetos são analisados e valorados por uma comissão de acompanhamento criada para o efeito.

Um escudo contra as rendas
O programa Porto de Tradição, lançado em 2017 pela autarquia liderada por Rui Moreira, visou criar um ‘escudo’ contra os possíveis efeitos da liberalização da Lei do Arrendamento Urbano. A cidade via as suas memórias fecharem portas e, no seu lugar, surgirem espaços de cunho marcadamente turístico, como unidades de alojamento local.

Em fevereiro deste ano foi aprovado o regulamento final do programa Porto de Tradição e garantidos mais apoios aos lojistas, como benefícios de caráter fiscal, isenção de taxas de publicidade, formação e consultoria, mecanismos de visibilidade comunicacional, entre outros.

 

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