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“Somos mercadoria”, lamenta um dos 96 transferidos da PT

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Trabalhadores pedem a intervenção do Governo e já enviaram carta a CEO da Altice, Michel Combes, para reconsiderar transferência de trabalhadores

“Somos mercadoria. Vai a secretária, o computador e a pessoa”, lamenta Mário Rolho, 61 anos, um dos 96 engenheiros projetistas de rede da PT Portugal transferidos para a Altice Technical Services através de uma transmissão de estabelecimento. Um segundo choque para o engenheiro que, no mesmo dia em que assinalava 30 anos de casa, foi informado pela empresa que iria fazer parte do contingente de cerca de 200 trabalhadores sem funções no Meo.

A 22 de julho, se a empresa não recuar, Mário Rolho passa a ter vínculo laboral com a empresa prestadora de serviços à PT. Sem ter dado o seu consentimento. Com ele outros 154 trabalhadores da PT que só em junho a empresa reduziu nos quadros a através de três processos de transmissão de estabelecimento. Os trabalhadores querem que a PT reconsidere e já enviaram uma carta a Michel Combes, CEO do grupo Altice, contestando a decisão. Consideramos estar a passar a outrem uma área altamente técnica que não pode nem deveria ser considerada área acessória”, dizem no documento.

Mas também pretendem que o Governo intervenha. No dia 20, em vésperas da greve convocada para protestar contra a saída de trabalhadores, reúnem-se com o secretário de Estado do Emprego, Miguel Cabrita. “Queremos a intervenção do Ministério e mostrar que não pode ser este o caminho que a PT está a levar”, disse Jorge Félix, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da PT, durante a manifestação de mais de uma centena de trabalhadores frente ao edifício sede da operadora, em Picoas, Lisboa, depois de um plenário em que participaram cerca de 300, segundo o sindicato.

“Mesmo que a Lei permita, o que a empresa está a fazer é fraudulento. As pessoas ficam no mesmo local de trabalho, a fazer o mesmo trabalho, com os instrumentos da PT. Só muda é a empresa com quem passam a ter um vínculo laboral”, diz Jorge Félix. Entre as iniciativas a serem estudadas está uma “ação central que ponha em causa este processo” de transmissão de estabelecimento “que está a ser feito de modo fraudulento e que tem como único objetivo cortar custos através da redução de pessoas”.

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