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Um terço dos comboios a diesel está em risco de parar

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Material que serve as linhas do Alentejo, Algarve e Oeste tem mais de 50 anos e está sem pessoal e peças para reparação.

A CP tem 19 automotoras a diesel que praticamente estão a entrar na terceira idade. São as UDD 450, compradas em 1965 e que transportam os passageiros das linhas do Oeste e do Algarve e que ainda fazem a viagem entre Casa Branca e Beja, a parte não-eletrificada da Linha do Alentejo. Aos 53 anos, este material já não consegue cumprir os horários: não há dia em que não falhe pelo menos um comboio nestas linhas.

Até final do ano, mais de um terço deste material deverá ficar encostado nas oficinas da EMEF: a taxa de imobilização destes comboios será de 36,8%, prevê a Adfersit – Associação Portuguesa para o Desenvolvimento dos Sistemas Integrados de Transportes. Silvestre Grosa, coordenador da comissão de trabalhadores, confirma o cenário desolador, que é visível assim que passamos pela zona de Santa Apolónia.

Problemas no Intercidades
Os problemas na EMEF também têm impacto noutros serviços da CP, como o longo curso, que só no primeiro semestre gerou 52,7 milhões de euros à CP: cerca de um quarto das carruagens para o serviço Intercidades estão paradas nas linhas, enquanto aguardam a revisão de fundo, como o Dinheiro Vivo observou na quinta-feira, em Santa Apolónia.

Isto justifica a troca do material do comboio Intercidades pelo utilizado no Regional em várias linhas de norte a sul do país, como a ligação entre Lisboa e Évora. No Norte, já houve viagens de Alfa Pendular entre Porto-Campanhã e Braga que foram feitas com as carruagens do Intercidades.

A falta de peças e de pessoal também vai prejudicar fortemente a Linha de Cascais, a linha que transporta um quinto dos passageiros da CP mas que é feita com comboios com mais de 50 e 60 anos: a taxa de imobilização deverá atingir os 22,58% até final do ano.

A segurança, mesmo com estes constrangimentos, é ponto de ordem na empresa de manutenção. “Não existe nenhum material ferroviário que saia da oficina sem garantia, nem que fique uma casa de banho por arranjar ou um vidro embaciado. Mais vale ficar parado na oficina do que estar a abdicar da segurança das carruagens”, assinala o porta-voz da comissão de trabalhadores.

“O material é o mesmo, cada vez mais envelhecido e com necessidades de intervenção. Se amanhã entrassem à volta de 200 trabalhadores na EMEF isso não seria suficiente. As composições degradaram-se e algumas delas precisam de uma intervenção de fundo. O trabalho na ferrovia não se aprende em dois ou três anos.” Além disso, a média de idade dos trabalhadores da EMEF é de 55 anos. “E os operários mais novos têm 30 anos.”

“É a mãe de todos os problemas na CP”, considera o deputado centrista Hélder Amaral, em declarações ao Dinheiro Vivo. Não há pessoas nem material na EMEF que cheguem para fazer a manutenção aos comboios portugueses. Os passageiros são os mais prejudicados, porque todos os dias há viagens que ficam por realizar por problemas com o material circulante, sobretudo nas linhas do Alentejo, Algarve e Oeste. E a situação não vai melhorar nos próximos tempos: as contratações não cobrem as saídas, não são desbloqueadas verbas para a compra de peças e há um impasse no reforço de aluguer de material a Espanha

No final do primeiro semestre, a empresa de manutenção tinha 986 trabalhadores, menos 60 do que no final do ano passado, segundo o relatório e contas da CP. Mas nos últimos dois meses já saiu quase uma dezena de pessoas.

O governo, no final de julho, anunciou a contratação de 102 pessoas para a EMEF, que deverão ingressar na empresa até final do ano. No entanto, apenas 40 das 102 vagas são verdadeiros reforços; as restantes 62 entradas não são mais do que a conversão de contratos precários, denunciam os sindicatos do setor e a comissão de trabalhadores da empresa.

“Todas as pessoas dentro da EMEF reconhecem que o concurso aberto não vai chegar para as necessidades. Há uma clara carência de trabalhadores: desde 2015 saíram 142 pessoas; só este ano saíram pelo menos 69 operários, por reforma, devido à lei das muito longas carreiras contributivas – para pessoas com 48 anos de descontos ou que começaram a trabalhar antes dos 14 anos e que já atingiram os 60 anos”, assinala Manuela Cunha, do partido “Os Verdes”, que visitou as oficinas da EMEF no Entroncamento na semana passada.

Impasse com Espanha
O aluguer de comboios a diesel a Espanha é visto como a solução mais rápida para evitar as supressões nas linhas regionais onde ainda não chegou a eletricidade. Mas mesmo que a congénere Renfe esteja disponível para alargar a parceria com a CP, não tem material para ajudar Portugal nos próximos meses.

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