Energia

Galp admite decisão sobre Moçambique “nas próximas semanas”

Carlos Gomes da Silva, presidente executivo da Galp. Foto: D.R.
Carlos Gomes da Silva, presidente executivo da Galp. Foto: D.R.

Projeto de gás natural em Moçambique já tem 80% do financiamento assegurado. Lucros da petrolífera caíram 13% no primeiro trimestre

A Galp estará em condições, “nas próximas semanas”, de tomar uma decisão sobre o investimento no projeto de exploração de gás natural em Moçambique. A garantia foi dada pelo presidente executivo da petrolífera, Carlos Gomes da Silva.

“Estamos prestes a decidir. O governo de Moçambique ainda tem algumas aprovações a fazer e, no que respeita ao financiamento, já temos mais de 80% de cartas-compromisso pelo que não estamos a antecipar nenhuma alteração. Nas próximas semanas podemos tomar uma decisão dentro do consórcio”, afirmou o presidente da Galp, em conferência telefónica com analistas a propósito dos resultados do primeiro trimestre, onde registou uma queda de 13% nos lucros para 99 milhões de euros.

A Galp faz parte do consórcio da Eni na área 4 da Bacia de Rovuma, o segundo grande projeto da empresa portuguesa naquela região, que tem reservas de, pelo menos, 160 triliões de pés cúbicos de gás natural, segundo dados do Instituto Nacional de Petróleo do país. As maiores reservas estão na área, mas em toda a região os projetos de gás são estruturantes para as empresas dos consórcios. O investimento consiste numa unidade flutuante, ou seja, um navio (FLNG) que, se for cumprido o calendário previsto, estará concluído em 2022.

Os projetos de gás natural são estratégicos para a Galp mas esta matéria-prima penalizou as contas da petrolífera, com o EBITDA da área a afundar de 76% para 22 milhões de euros, devido às restrições no aprovisionamento de gás natural vindo de Argélia, pela desconsolidação da atividade de infraestruturas reguladas” e aos resultados da área de trading.

Ainda assim, o EBITDA ajustado do trimestre aumentou 43% para 419 milhões de euros, sobretudo devido à área de exploração e produção, que registou um resultado de 204 milhões de euros no trimestre. Um resultado que quadruplicou face ao homólogo devido ao aumento da produção no Brasil, com a entrada em funcionamento de mais navios petroleiros, e subida dos preços do petróleo e gás natural. No negócio de refinação e produção, o EBITDA melhorou 27% para os 187 milhões de euros. A atividade de refinação tinha sido afetada no primeiro trimestre de 2016 pela paragem da refinaria de Sines. No primeiro trimestre, a produção de barris de petróleo aumentou 56% para os 88 mil barris.

Já sobre os restantes projetos internacionais, Carlos Gome da Silva reforçou aos analistas que, no Brasil, a Galp está “a olhar para a nova ronda de leilões no segundo semestre do ano e a preparar-se para os que fazem sentido”, numa altura em que a Petrobras já não tem de estar em todos os projetos de exploração e tem vendido participações em vários blocos. “Não precisamos de estar muito nervosos em conseguir novos recursos mas todos sabem que gostamos do Brasil, temos bons ativos e boas oportunidades”, frisou. Em Angola, contudo, o responsável admite que “não estão a aparecer novos projetos”, numa geografia que “é chave” para a Galp.

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