Galp e Northvolt com "múltiplas localizações" para refinaria de lítio. Governo defende norte do país

As duas empresas que esta terça-feira apresentaram uma joint venture tendo em vista a criação de uma fábrica de conversão de lítio, em Portugal. A localização ainda está a ser avaliada. Governo quer empreendimento no norte do país.

A localização da refinaria que a Galp e a Northvolt vão criar e desenvolver em Portugal, no âmbito da joint venture Aurora, ainda não está definida. As duas empresas ainda estão a avaliar qual a região ideal para instalar a unidade de conversão de lítio para veículos elétricos, contudo, o Governo deseja que esse investimento seja no norte do país.

"Temos múltiplas localizações em avaliação, incluindo no norte do país", afirmou Paolo Cerruti, co-fundador e chief operating officer da Northvolt, em resposta à comunicação social. O responsável da Northvolt esclareceu que o processo de avaliação e identificação do melhor local ainda decorre e que a localização da refinaria só deverá ser conhecida dentro de "12 a 18 meses".

A Galp, contudo, tinha submetido um projeto ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) que identificava Sines como o destino provável do projeto industrial. Mas, agora, no âmbito da joint venture coma Northvolt admite que a localização seja no norte do país.

A proposta submetida no âmbito do PRR inclui a empresa mineira britãnica Savannah, enquanto fornecedora de lítio. Ora, segundo explicou o CEO da Galp, Andy Brown, o projeto que existe com a Savannah decorre "em paralelo". "Esse projeto [com a Savannah] está em andamento, aguardamos para ver se garantem as autorizações necessárias", disse, garantindo que a referida empresa não será a única fornecedora da joint venture Aurora.

Para o Governo a localização ideal da unidade de conversão de lítio da Galp e Northvolt seria no norte. Segundo o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, que marcou presença na cerimónia de apresentação do projeto da Galp e Northvolt, "parece fazer mais sentido" que esta unidade seja localizada a Norte. "Quanto mais no interior do país, melhor", disse a alguns jornalistas.

Citado pela Lusa, o governante sublinhou também que foi elaborada uma avaliação ambiental estratégica, a partir da qual serão escolhidos os locais, tendo sido já excluídos os que se encontravam em parques naturais ou na rede natura. "Não haverá uma exploração sem avaliação ambiental", realçou.

A preferência pelo norte do país pode explicar-se por uma questão de sustentabilidade. As reservas de lítio, em Portugal, localizam-se sobretudo a norte (é o caso da mina do Barrroso, em Boticas, Vila Real). Caso a refinaria se localiza-se a sul, toda a operação de conversão de lítio representaria uma grande pegada de carbono.

A joint venture Aurora é um projeto industrial que está a ser desenvolvido pela Galp e pela Northvolt, cuja participação é partilhada em 50/50 por ambas. O projeto em causa representa um investimento inicial de 700 milhões de euros, cuja capacidade de produção anual prevista é de até 35 mil toneladas de hidróxido de lítio - o suficiente para 50 GWh de baterias, o equivalente a alimentar 700 mil veículos elétricos todos os anos.

Galp e Northvolt vão importar lítio

A par da questão em torno da localização da unidade integrada de conversão de lítio - "a maior e mais sustentável fábrica de conversão de lítio da Europa", desejam a Galp e Northvolt -, a joint venture aurora vai enfrentar o desafio de conseguir ter matéria-prima suficiente para satisfazer as as necessidades da refinaria.

Ora, segundo os responsáveis das duas empresas, as reservas de lítio em portugal não serão suficientes para abastecer toda a atividade. De acordo com Andy Brown, CEO da Galp, o projeto terá de ter "diferentes fontes de abastecimento". "Não vamos estar dependentes apenas do minério português", disse Brown.

Cerruti, por sua vez, revelou que existe "um conjunto de opções", que inclui importar lítio do Canadá, Brasil e Austrália. Contudo, essas opções ainda estão a ser avaliadas.

"Vamos escolher com base em fatores económicos e outros detalhes técnicos", referiu, rejeitando indicar, para já, o volume de lítio que terá de ser importado.

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