Galp produz mais petróleo, mas vende menos combustíveis

Vendas de combustível recuaram, principalmente as de gás nos mercados internacionais, um dos negócios de maior crescimento dos últimos anos.

A Galp Energia voltou a aumentar a produção de petróleo no último trimestre do ano passado, mas está a vender menos combustíveis, não só escoou menos gás natural nos mercados internacionais, um dos negócios de maior crescimento da empresa nos últimos anos, como também comercializou menos gasolina e gasóleo, face ao trimestre anterior.

De acordo com os dados operacionais divulgados esta manhã, a produção de petróleo chamada de net entitlement aumentou 47,5% face ao período homólogo e 12,1% face ao trimestre anterior, atingindo os 49,2 mil barris/dia. Já a produção chamada de working interest cresceu 43,3%, fixando-se, pela primeira vez, acima dos 50 mil barris por dia.

Contudo, para as contas o que pesa é a produção net entitlement que é aquela a que a Galp tem direito porque parte deste volume é usado como pagamento ao país de onde se está a extrair o produto, neste caso no Brasil, onde a empresa tem a maior parte da sua produção.

A justificar este aumento esteve o facto de a terceira plataforma petrolífera que a empresa tem no Brasil ter atingido a capacidade máxima precisamente no quarto trimestre de 2015. Contribuiu ainda o início da operação da quarta plataforma petrolífera que a Galp tem no país, o que aconteceu também no final do ano.

Esta subida da produção no quarto trimestre não é novidade para a Galp dado o ambicioso plano de negócio que tem no Brasil e que prevê a entrada em operação de mais seis plataformas petrolíferas até 2018. Neste período, o inesperado foi mesmo a descida da venda de combustíveis, principalmente de gás nos mercados internacionais, o que pode ter impacto nas contas anuais que serão reveladas a 8 de fevereiro.

O negócio tem sido um dos que mais tem crescido na empresa nos últimos anos e tem servido para escoar o que não se vende em Portugal, onde o consumo tem estado a cair. Além de que se vende a preços mais altos que no mercado nacional.

De acordo com os mesmos dados operacionais do quarto trimestre de 2015, as vendas totais de gás natural recuaram 10% face ao período homólogo, porque as vendas nos mercados internacionais desceram 23,7%, também face ao homólogo. Uma redução que se explica com o facto de os preços de produção nesses mercados terem descido, o que tornou menos necessário comprar ao exterior.

Segundo dados da Bloomberg, o preço do gás natural no Reino Unido era de 36,8 libras no final do ano passado, menos 10,8% que as 41,3 libras do trimestre anterior e menos 30,5% que as 53 libras do final de 2014. E no Japão e na Coreia, para onde a Galp mais vendia, o gás estava a custar 7,2 dólares no final de 2015, menos 5,5% que os 7,6 dólares do terceiro trimestre e menos 38,2% que os 11,6 dólares do quarto trimestre de 2014.

A cair esteve também a venda de produtos petrolíferos, onde se incluem os combustíveis como a gasolina e o gasóleo. Neste caso, a descida foi de 6,8% face ao período homólogo e de 5,3% face ao trimestre anterior.

Em contrapartida, a produção de produtos refinados aumentou 4,2% face ao mesmo período de 2014, para 28,7 mil barris por dia, mas caiu face ao trimestre anterior.

O objetivo deste reforço da produção nas refinarias de Sines e de Matosinhos justifica-se com as margens de refinação europeias que, apesar terem descido 35,1% face ao terceiro trimestre do ano passado, estão ainda quase 40% acima do valor registado no quarto trimestre de 2014.

Neste momento, segundo a Platts, as margens de refinação de referência na Europa foram de quatro dólares por barril durante o quarto trimestre, o que compara com os 6,2 dólares por barril do terceiro trimestre de 2015 e com os 2,9 dólares o barril do quarto trimestre de 2014. As margens conseguidas pela Galp só serão conhecidas a 8 de fevereiro na apresentação das contas.

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