Energia

Galp aposta na transição energética e investe 1,2 mil milhões por ano até 2020

Carlos Gomes da Silva, CEO da Galp Energia.
Carlos Gomes da Silva, CEO da Galp Energia.

O investimento médio em energias renováveis e em novos negócios deverá representar entre 10% e 15% de toda a alocação de capital.

A Galp prevê investir entre 1,0 e 1,2 mil milhões de euros por ano até 2022, dos quais mais de 40% em projetos de transição energética, onde inclui o aumento do peso do gás natural, anunciou hoje a petrolífera.

Em comunicado à imprensa, no dia de apresentação dos resultados do terceiro trimestre, a Galp apresentou uma atualização da sua estratégia de investimento para os próximos anos, em que reforça “os valores de investimento a aplicar em projetos que promovem a transição para um modelo energético de menor intensidade carbónica”.

Estes projetos “incluem o aumento do peso do gás natural no ‘mix’ de produção, bem como o desenvolvimento de um negócio competitivo de geração de eletricidade, através de fontes renováveis”, adianta a petrolífera.

“A Galp encara o futuro com confiança. Estamos a preparar a empresa para o seu próximo
ciclo de crescimento onde faremos parte da transição energética, promovendo soluções que sejam económica e ambientalmente sustentáveis, e mantendo, como sempre, o compromisso de uma atuação socialmente responsável. Os projetos já em curso permitirão apostar num desenvolvimento seletivo do nosso portefólio, com foco no aumento do crescimento de longo-prazo e da sua resiliência, mantendo a disciplina financeira e o compromisso com o retorno acionista”, diz Carlos Gomes da Silva, CEO da Galp.

O investimento médio em energias renováveis e em novos negócios deverá representar entre 10% e 15% de toda a alocação de capital, especifica a empresa.

Recentemente, a Galp informou que vai passar a disponibilizar uma oferta de energia elétrica renovável aos seus clientes através de acordos de compra com espanhola X-Elio, tendo esta energia origem em parques solares de 200 MW em Espanha, e estará disponível a partir de junho de 2020. Estes acordos de compra de energia cobrem o equivalente a 358 GWh/ano por 12 anos, o suficiente para abastecer 140 mil casas com uma redução anual de 19 mil toneladas de emissões de CO2.

“Este acordo insere-se na estratégia da Galp, enquanto empresa integrada de energia ibérica, de
assegurar fontes de aprovisionamento equilibradas e competitivas para as suas atividades de
distribuição de eletricidade, disponibilizando aos seus clientes o acesso a soluções energéticas eficientes e ambientalmente sustentáveis”, disse a empresa em comunicado.

“A transição energética que o nosso planeta exige é urgente e prioritária,” afirmou Carlos Gomes da Silva, CEO da Galp, na Cimeira da Ação Climática convocada pelas Nações Unidas. “Temos que garantir que esta transição é ambientalmente adequada, socialmente justa e economicamente equilibrada,” acrescentou. Um dos contributos da Galp em 2018 passou pela incorporação de biocombustíveis de origem renovável no gasóleo e na gasolina consumidos em Portugal. Além disso reforçou os seus investimentos em projetos de eficiência energética e ambiental nas refinarias de Sines e do Porto, as suas unidades com maiores consumos de energia que, até 2023, irão receber investimentos de 66 milhões de euros em projetos de ecoeficiência. Este valor soma-se aos 23 milhões de euros investidos nesta mesma área nos últimos três anos.

Já em setembro, a Galp tinha avançado um reforço significativo das energias de baixo carbono e novos modelos de negócio, “que deverão representar entre 5% e 15% do nosso investimento futuro”, dando como exemplo o desenvolvimento de uma estratégia de mobilidade elétrica: no final de 2018 Galp operava 18 pontos de carregamento rápido instalados nas principais autoestradas portuguesas, devendo duplicar essa oferta em 2019.

Em termos futuros, e em projetos de dimensão global, a Galp está a desenvolver os projetos de produção de gás natural Coral Sul e Rovuma LNG, em Moçambique, que aumentarão o peso do gás na carteira de produção da Galp, em sintonia com a evolução previsível dos padrões de consumo energético mundial nas próximas décadas, à medida que o gás natural substitui o carvão na produção de eletricidade de países com o a China e a Índia.

Além do enfoque nestas novas oportunidades da transição energética, os investimentos da Galp no ‘upstream’ continuam “focados no desenvolvimento de projetos de elevado potencial, com o ‘breakeven’ médio do portefólio a manter-se em cerca de 25 dólares por barril” e no ‘downstream’ pretende otimizar e reforçar a sua base de ativos na refinação e comercialização, bem como explorar seletivamente novas oportunidades de valor acrescentado que permitam aumentar a competitividade do seu portefólio.

Em termos financeiros, a Galp pretende continuar numa “posição robusta”, referindo que “todas as ações de alocação de capital deverão estar em linha com o compromisso da manutenção de um rácio de Dívida Líquida/Ebitda abaixo de 2x”. Neste novo contexto, a Galp prevê um aumento anual de 10% no dividendo por ação ao longo dos próximos três anos (2019-21).

Com Lusa

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