Galp sobe vendas de combustíveis pela primeira vez desde 2009

Ferreira de Oliveira, CEO da Galp
Ferreira de Oliveira, CEO da Galp

A Galp vendeu, no ano passado, 9,9 milhões de toneladas de combustíveis a clientes diretos, ou seja, em postos de abastecimento e para frotas de empresas em Portugal, Espanha e África. É uma subida de 1,1% face a 2012 e a primeira vez desde 2009 que as vendas voltam a subir, mesmo que ligeiramente.

Para o CEO da empresa, Manuel Ferreira de Oliveira, este é um sinal de recuperação da economia em Portugal, onde estas vendas cresceram 2%. Em Espanha recuaram 2% e em África têm estado a crescer, como sempre. É ainda, ressalvou ontem na apresentação das contas de 2013, evidência da recuperação do mercado dos combustíveis.

Segundo a Galp, em Portugal o mercado recuou 3% e em Espanha caiu 5%, quando nos três anos anteriores estava a cair 7%. “E se compararmos trimestre com trimestre, na Ibéria, vemos que no primeiro trimestre de 2013 face ao homólogo de 2012 o consumo caiu 12%, mas no segundo trimestre a queda foi de 6%, no terceiro de 2% e no quarto já cresceu 1%. É claramente um sinal de crescimento e algo que nos deve alegrar”, disse. E acrescentou: “Vemos também, no último trimestre, o consumo de gasolinas a subir, por isso há aqui sinais que nos podem animar”.

A crescer estiveram também as vendas de gás natural, mas neste caso, mais na Galp do que propriamente no mercado em geral. Estas atingiram o “valor histórico” de 7090 milhões de metros cúbicos, mais 13% que no ano anterior e um reflexo da aposta que a petrolífera tem estado a fazer no negócio internacional de trading. “Será um dos nossos negócios de futuro e estamos prudentemente a prosseguir nesta área”, disse o CEO.

Este consiste em vender no estrangeiro – Ásia e América do Sul – o gás que está contratado para Portugal mas que não é escoado por o consumo estar a cair. É por isso que não é considerado nas exportações porque não se trata de um produto feito nas refinarias de Sines e Matosinhos, mas sim que a Galp compra lá fora e vende depois, mais caro, também no exterior.

O desempenho deste negócio justifica, aliás, que os lucros não tenham recuado mais do que 14%, para 310 milhões de euros, que o EBITDA tenha crescido 11% para 1,1 mil milhões e que as vendas tenham subido 6%, para 19,6 mil milhões. “Por aqui passa muito dinheiro, mas fica pouco porque é um negócio de baixas margens. E se juntassemos o IVA, as vendas seriam quase 25 mil milhões”, comentou Ferreira de Oliveira.

Além do trading, contribuiram também para este estes resultados o aumento da produção de petróleo, principalmente no Brasil, que chegou mesmo para compensar o declínio dos poços em Angola. Aliás, segundo referiu o CEO da Galp, a exploração e produção de petróleo no Brasil, no campo Lula, é a principal aposta da empresa e para onde se canalizará a maior fatia do plano de investimentos.

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