Energia

Galp volta a reduzir plano de investimentos

Em causa não estão nem o preço baixo do crude nem a crise na Petrobras, mas sim os custos baixos da produção de petróleo, onde a empresa está focada.

A Galp vai investir entre mil e 1,2 mil milhões de euros por ano entre 2016 e 2020, ou 5,5 mil milhões em cinco anos, menos 15% que o apresentado no plano anterior, anunciou a empresa esta terça-feira em Londres, na apresentação da sua estratégia para os próximos cinco anos aos analistas do mercado.

Para 2016, “o ano em que o investimento no Brasil e Angola atingirá o valor mais elevado”, a empresa pretende investir entre 1,1 e 1,3 mil milhões de euros, diz em comunicado. Ou seja, o mesmo que em 2015.

Confirmam-se, assim, as perspetivas dos analistas que previam este cenário, mas as razões que o justificam é que não são as esperadas, ou seja, o impacto da queda do preço do petróleo e também a crise na Petrobras, a sua parceira e principal acionista dos projetos no Brasil. Dois fatores que já tinham afetado a estratégia anterior e levado a cortar o investimento em 20%, para 1,2 e 1,4 mil milhões de euros por ano entre 2015 e 2019.

Segundo o CEO da Galp, Carlos Gomes da Silva, o corte explica-se principalmente com um aumento da eficiência e com o corte nos custos de produção, nomeadamente nas sondas de perfuração de poços e na tecnologia aplicada às perfurações.

Diz o gestor que, neste momento, os custos no Brasil estão agora nos 15 dólares por barril e, no geral de todos os projetos do grupo, rondam os 20 dólares por barril. Além disso, comentou ainda, que o impacto da queda do preço do petróleo até afetou positivamente os projetos, porque baixou o preço das sondas de perfuração. Já a crise na Petrobras não teve impacto no que está em curso.

Além disso, acrescentou o administrador financeiro, Filipe Silva, o tempo que demora a fazer os poços também está a cair por causa da melhoria da tecnologia, o que reduz também os valores a aplicar. “Metade do nosso investimento é para perfurar e o tempo para o fazer está a cair, bem como os custos, ou esse investimento está a cair”, disse no final da apresentação em Londres, em conversa com os jornalistas.

A petrolífera antecipa, por isso mesmo, que “o ritmo de produção de petróleo e gás mantém-se em relação às metas estabelecidas no plano anterior, com uma taxa média de crescimento anual entre os 25% e os 30% para o período 2015-2020”, diz em comunicado, acrescentando que “este crescimento é sustentando nos projetos em operação ou já sancionados [aprovados].

“As nossas perspetivas de crescimento mantém-se, ainda que ajustadas à maturidade dos projetos”, reparou o CEO da Galp, Carlos Gomes da Silva, na apresentação desta manhã em Londres aos analistas do mercado.

Ao que acrescentou mais tarde, em reposta aos analistas, que “esta expectativa de crescimento te em conta apenas os projetos sancionados [que são 11 neste momento] e, por isso, há margem de manobra porque temos mais projetos em desenvolvimento”.

É, aliás, por isso mesmo que a Galp estima que o EBITDA suba cerca de 15% ao ano entre 2015 e 2020 e já considerando “um preço do barril de brent de 35 dólares em 2016 e um aumento gradual até 70 dólares por barril em 2020”.

Contudo, para este ano, “é esperado que o EBITDA se situe entre 1,2 e 1,3 mil milhões de euros”, ou seja, menos que os 1,5 mil milhões atingidos em 2015, mas que se explicam com um aumento das margens de refinação da Galp (a diferença entre o preço a que compram o petróleo e o preço a que vendem os combustíveis já refinados) e ao aumento da produção de crude.

Ainda assim, a empresa espera que “o free cash flow deverá tornar-se positivo em 2018, assumindo um cenário base com preço do petróleo a 55 euros por barril nesse ano”, ou seja, que nesse ano a Galp passar a gerar mais dinheiro do que aquilo que gasta nos investimentos.

“Somos ainda free chash flow negativo agora devido ao nível de investimento em curso e aos custos tecnológicos, mas dado o potencial que ainda existe para ser explorado não há mal nenhum em estar cash flow negativo durante uns anos”, disse o administrador financeiro da empresa, Filipe Silva, no mesmo encontro, em resposta aos analistas.

Esta data de 2018 é exatamente a mesma que já esperavam no plano anterior, ainda que o preço do petróleo esteja agora mais baixo, o que Carlos Gomes da Silva explica com a qualidade dos projetos no Brasil e Angola.

*a jornalista viajou a Londres, a convite da Galp.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
apple one

Apple One junta vários serviços, chega a Portugal mas com limitações. O que tem

A  90ª edição da Micam, a feira de calçado de Milão, está agendada para os dias 20 a 23 de setembro, com medidas de segurança reforçadas. Fotografia DR

Calçado. Micam arranca este domingo e até há uma nova marca presente

Os ministros da Presidência do Conselho de Ministros, Mariana Vieira da Silva (C), Economia, Pedro Sia Vieira (E) e do Trabalho Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho (D). MANUEL DE ALMEIDA/POOL/LUSA

Portugal é o quarto país da UE onde é mais difícil descolar do mínimo

Galp volta a reduzir plano de investimentos