Energia

Gás natural. “Fatura das famílias portuguesas é baixa”

Pedro Ricardo, Presidente da AGN 
( Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens )
Pedro Ricardo, Presidente da AGN ( Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens )

Presidente da Associação Portuguesa das Empresas de Gás Natural admitiu que em Portugal os preços do gás natural são superiores à média europeia.

O papel do gás natural como backup na produção de eletricidade, em caso de seca “não é de todo a visão” das empresas do setor, garante o presidente da Associação Portuguesa das Empresas de Gás Natural (AGN), Pedro Ricardo, sublinhando que o principal foco a longo prazo está precisamente no abastecimento da indústria nacional.

“Temos de assegurar que, de cada vez que há necessidades de pôr a trabalhar as centrais a gás natural, como este ano, ele passa por Portugal e a eletricidade é depois exportada para Espanha, e não o contrário. Apesar da cada vez maior produção de energias renováveis, o gás natural tem um papel importante no mix energético nacional. Não é um papel principal, mas é relevante. As renováveis são competitivas na produção de eletricidade para o consumo doméstico, mas estão longe de competirem com o gás natural na indústria. Temos de tratar bem o setor industrial, porque o segmento doméstico vai estar sempre a baixar o consumo”, disse o responsável da AGN ao Dinheiro Vivo à margem do encontro anual da associação que decorreu hoje, em Lisboa.

Na sua intervenção, Pedro Ricardo reconheceu a dependência do gás natural das centrais elétricas portuguesas, admitindo o “impacto grande” que esses consumos representam para o setor, sobretudo este ano. “Quando tiramos de um setor consumos tão relevantes tem um impacto grande. Este ano para o gás natural está a ser um bom ano. Têm sido batidos recordes. A má notícia para o país é que provocado pela seca”, acrescentou, destacando que as centrais elétricas a gás portuguesas “têm capacidade para trabalhar tão bem como as de Espanha” e não devem ser prejudicadas.

Em relação ao preços do gás natural, o presidente da AGN admitiu que em Portugal são superiores à média europeia, sobretudo nos consumidores domésticos, muito por causa dos consumos reduzidos registados no país. No entanto, e apesar dos preços altos, garante que “a fatura de gás das famílias portuguesas é baixa”. Com o consumo doméstico de gás natural responsável por apenas 5 a 6% do total, os restantes 94 ou 95% dizem respeito à indústria, onde os preços já se encontram em linha com a média europeia, garante não só a AGN como também ERSE.

“No setor doméstico o preço não pode ser igual à Europa. Só se fossemos aumentar o preço à indústria e aí doeria muito”, acrescentou, sublinhando: “A indústria portuguesa não tem condições piores face à Europa”. Para ajudar, nos últimos anos as tarifas de acesso às redes têm vindo a descer: 24% no setor doméstico e 39% na indústria, informou a ERSE, com a presidente da entidade reguladora, Maria Cristina Portugal, a destacar o “elefante na sala”, ou seja, o regime fiscal que faz pesar várias taxas sobre as empresas.

Pedro Ricardo defendeu ainda que “o gás está cá para ficar”, referindo as projeções da Agência Internacional de Energia para os próximos anos, em que o gás natural tem um peso importante em todos os cenários avaliados. “O gás natural é uma energia com futuro, não é uma energia em declínio. Achamos que terá um papel muito importante nos próximos anos”, declarou. As previsões mostram que em 2040 o gás vai representar 25% do mix energético, mesmo num cenário com muita produção de renováveis.

Além das famílias e da indústria, o futuro do gás natural em Portugal passa por novas utilizações, como os transportes públicos, os automóveis e os navios, entre outras.

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