Gazela muda de imagem a pensar nos millennials

Marca da Sogrape está no Top 3 dos vinhos verdes em Portugal e no exterior. Japão e Angola são mercados onde a marca tem tido um bom desempenho

A Gazela mudou de imagem e quer cativar um novo público para esta marca de vinho verde da Sogrape, no Top 3 dos vinhos verdes em Portugal e no exterior.

O ano passado, as vendas da Gazela representaram "7% do total consolidado de vendas em valor da Sogrape", adianta João Gomes da Silva, administrador da Sogrape Vinhos. E agora com a nova imagem o objetivo é crescer. "Acreditamos que com este novo posicionamento e imagem, aliados a uma forte campanha de comunicação e ao lançamento de duas novas referências, iremos conseguir ultrapassar este valor", acrescenta. Japão é um dos mercados chave para a marca, Angola no último ano também tem tido "um bom desempenho".

João Gomes da Silva, administrador da Sogrape Vinhos, explica a estratégia por trás da mudança de imagem da marca.

Uma nova imagem, um novo posicionamento para os vinhos Gazela. Quais os objetivos?

Esta mudança tem dois grandes objetivos. Queremos reforçar a marca junto do seu segmento natural de consumidores – jovens com idades entre os 25 e os 34 anos –, dando a este vinho leve e refrescante uma imagem alegre e moderna, que rompe com os parâmetros habituais da indústria e que reforça os valores e características da marca (e do vinho).

Por outro lado, queremos comunicar diretamente com um consumidor mais jovem (millennials com idades superiores a 18 anos) que agora se inicia no mundo dos vinhos e para quem esta bebida ainda é complexa. Para estes consumidores, Gazela quer ser uma opção “descomplicada” e é nesse sentido que nos rótulos das três referências deste Vinho Verde podemos encontrar, junto da reconhecida assinatura da marca, emojis – linguagem tão comum entre este target.

É também a pensar nestes consumidores, que registam uma tendência natural para contrariar tudo o que é complicado, que lançamos dois novos vinhos, a pensar nos diferentes tipos de refeição. O Gazela Mare, como o próprio nome e rótulo deixam entender, é um vinho para acompanhar pratos de peixe e marisco; já o Gazela Aire é ideal para acompanhar saladas e pratos de carnes brancas, como também se reflete no seu rótulo.

 

Quando o Mateus Rosé mudou a imagem, as vendas cresceram 10%. Antecipam um impacto semelhante com esta nova oferta nas vendas globais da Gazela?

Todo o trabalho de pesquisa e experimentação levado a cabo previamente pela Sogrape Vinhos aponta para um impacto muito significativo no consumo do Vinho Verde Gazela, quer por parte dos atuais consumidores, quer por parte de novos. Este resultado já se confirmou pelas reações do trade e outras áreas que foram ganhando contacto com a nova imagem e os novos vinhos. Esperamos, por isso, um impacto tão significativo quanto o que se verificou com Mateus Rosé.

Neste momento, a Gazela está no Top 3 das marcas de Vinho Verde, quer em Portugal, quer nos mercados internacionais.

No mercado externo como tem sido a procura pelo vinho verde e por esta marca em particular? Qual o que apresenta um maior crescimento na procura e porquê?

De uma forma geral, o Vinho Verde tem vindo a conhecer uma procura crescente nos mercados internacionais. No caso particular de Gazela, o mercado americano e alguns mercados da Europa Central, como Rússia e Alemanha, são os que registam maior procura nos últimos três anos. No último ano, Angola e Japão apresentaram bons desempenhos.

Com esta nova imagem e novas referências, acreditamos que outros mercados, nos quais o consumo de Gazela se manteve constante, ganharão maior dinâmica. Falamos sobretudo do Brasil, países nórdicos e alguns mercados asiáticos. Os Estados Unidos continuam a ser um dos mercados externos mais interessantes para a Sogrape Vinhos. O facto de, neste território, a Sogrape deter uma distribuidora, aliado ao despertar do interesse dos consumidores americanos pelo Vinho Verde faz com que este mercado apresente elevado potencial de crescimento para Gazela.

No Japão tem havido um surpreendente crescimento na procura. Em dezembro do ano passado, noticia da The Drinks Business, dava conta que os novos Frutos do Mar estavam a ter aceitação neste mercado com as vendas a aumentar. Como tem evoluído?

O desenvolvimento do mercado japonês tem sido muito interessante, tendo a Sogrape Vinhos lançado duas referências exclusivas para este mercado - Gazela Frutos do Mar e Porco Tinto -, como forma de responder à procura dos consumidores pelos vinhos europeus.

O Japão é, de facto, um dos mercados chave para Gazela e, por isso, continuará a ser uma aposta da marca e da Sogrape Vinhos. Em bom rigor, a reação dos nossos parceiros neste mercado, à nova imagem de Gazela, leva-nos a acreditar que estamos perto de conhecer um novo impulso nas vendas deste vinho.

Para quantos mercados já exportam este vinho? Há planos de expandir para novos territórios?

A exportação do Vinho Verde Gazela com esta nova imagem terá início somente após o verão. Atualmente, a marca Gazela está presente em cerca de 30 mercados, entre os quais Estados Unidos, Brasil, Angola, Japão, Austrália, Nova Zelândia, França, Alemanha, Suécia, Luxemburgo, Rússia, Ucrânia e Bélgica. Para já, não está prevista a exportação de Gazela para novos mercados.

Do vosso portefólio, qual o vinho que tem representado um maior crescimento? E porquê?

Mais do que um vinho em particular, destacamos o crescimento de algumas marcas. Nos últimos dois anos, Casa Ferreirinha, Mateus e Herdade do Peso apresentaram crescimentos sustentados. Em Casa Ferreirinha e Herdade do Peso falamos de crescimentos na casa dos dois dígitos.

Para o sucesso de Casa Ferreirinha muito contribuiu o lançamento da submarca Papa Figos que é já um êxito de vendas. O ano passado reforçámos o portefólio com o lançamento da primeira colheita de Papa Figos Branco.

Em Herdade do Peso, este crescimento resulta em parte de um elevado esforço de comunicação, com a divulgação de uma campanha diferenciadora que contribuiu para aumentar a notoriedade da marca. Além disso, o ano passado apresentámos ao mercado os vinhos Sossego, com três referências – Tinto, Branco e Rosé.

O negócio tem vindo a registar um crescimento consistente nos mercados prioritários para a estratégia da Sogrape Vinhos. É o caso dos grandes mercados dos EUA e do Reino Unido, dos mercados 'defensivos' da França e Alemanha, das plataformas de crescimento da Polónia e Rússia, ou do Brasil.

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