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Gelpeixe. “Rainha da pescada” investe 5 milhões de euros para crescer

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Gelpeixe. “Rainha da pescada” investe 5 milhões de euros para crescer

No ano em que comemora o 40.º aniversário, a Gelpeixe quer expandir a fábrica de Loures e aumentar para 50% o peso das exportações

De um pequeno negócio familiar de distribuição de gelados e peixe congelado na região de Loures para uma empresa que fatura milhões de euros por ano e exporta para 18 países do mundo. Assim evoluiu a Gelpeixe nos últimos 40 anos, estando já em marcha a nova fase de expansão da fábrica, com a construção de uma nova câmara de frio com capacidade para armazenar mais 2500 toneladas de matérias-primas, num investimento total de 5 milhões de euros no âmbito do Portugal 2020. Outra ambição de Manuel Tarré Fernandes, filho do fundador e presidente da Gelpeixe, passa por aumentar para os 50% o peso das exportações nas vendas da empresa.

“O plano de investimentos de 5 milhões de euros diz respeito ao aumento da fábrica, aquisição de novos equipamentos de embalagens, atualização da frota de distribuição, com o foco na redução de custos. Mas a produção é capaz de também crescer. É expectável que, face à dinâmica que estamos a ter no mercado internacional, surjam oportunidades de um crescimento significativo nos próximos dois ou três anos”, explicou ao Dinheiro Vivo o herdeiro da Gelpeixe, que também já passou o legado empresarial à filha, Lídia Tarré.

Conhecida como a “rainha da pescada” da África do Sul, em 2017 a Gelpeixe investiu na compra da posição de uma empresa de pesca naquele país africano, e na construção de uma central fotovoltaica na fábrica de Loures, que permitiu reduzir 20% o consumo e os gastos com eletricidade.

Com uma quota no mercado português de 8%, a Gelpeixe fechou o ano de 2016 com uma faturação de 53 milhões de euros e um peso das vendas externas perto de 20%. Espanha, França, Luxemburgo e Polónia são os principais clientes fora de Portugal. Em África, a Gelpeixe exporta para Angola, Cabo Verde e Moçambique. No caso do peixe, é da África do Sul que a Gelpeixe importa um terço do que vende, abastecendo-se também em países como a Escócia, Índia e Alasca. Polvo, cavala, sardinha, carapau, peixe-espada preto e douradas vêm diretamente da frota nacional.

No entanto, mais de 65% do que a Gelpeixe exporta não é peixe, mas sim outros produtos congelados que também fazem parte do portfólio da empresa, como sobremesas, refeições prontas e até carne de porco preto, imagine-se. “Só um terço do que exportamos é peixe”, garante o presidente. Já no mercado interno, e com os portugueses a consumir 55 kg de peixe por ano (muito acima da média europeia de 22 kg), o peixe representa 80% das vendas da empresa.

Com o mercado nacional estável e um crescimento médio das exportações da Gelpeixe entre 12% e 15%, nos últimos anos, Manuel Tarré Fernandes espera agora mais do que duplicar o peso do negócio com o estrangeiro. “Cerca de 20% do que vendemos atualmente são para exportação. Queremos chegar perto dos 50% sem baixar a faturação e sem desinvestir no mercado nacional. Não é impossível. Vejo esse cenário nos próximo três a quatro anos”, garante o presidente, admitindo que “não é fácil crescer mais no mercado interno”.

Para já, a empresa quer crescer fisicamente ali mesmo, em Loures, no mesmo terreno onde nasceram os pais de Manuel Tarré Fernandes e onde o seu avô construiu uma nora que ainda hoje se mantém em funcionamento. O próximo grande projeto da Gelpeixe passa assim pela ampliação da sua estrutura fabril para dar resposta ao crescimento das exportações para os mercados da Europa e África, assim como aumentar a capacidade frigorífica e sala de laboração. Um projeto que se prevê que esteja concluído em final de 2018, início de 2019.

“Vendemos 11 mil toneladas por ano e neste momento recorremos ao aluguer de armazéns de frio na região. Ao termos maior capacidade de armazenamento, iremos poupar nesses custos externos e teremos as matérias-primas mais perto”, diz o responsável, garantindo que a empresa está capitalizada e não se encontra refém da banca para desenvolver novos projetos.

Uma viagem ao reino do frio

Aos planos futuros da Gelpeixe junta-se ainda um outro projeto no valor de um milhão de euros para desenvolver um equipamento único no mundo para otimizar a preparação de peixe congelado, em parceria com a Universidade do Minho. Uma mais-valia que, a somar à nova câmara de frio, contribuirá para aumentar ainda mais a eficiência da fábrica de Loures, onde impera o espírito familiar e trabalham 170 pessoas para produzir em média 20 a 25 toneladas de produtos congelados por dia, com 12 linhas de produção no total e cerca de metade a funcionar oito horas por dia.

Neste verdadeiro reino do frio que é a fábrica da Gelpeixe, a temperatura oscila entre os oito graus positivos e os 21 graus negativos, nas gigantescas câmaras frigoríficas. Com direito a miradouro, e bem guardada no subsolo para manter a temperatura sempre estável, a sala de produção é o coração da fábrica e funciona com precisão cirúrgica. É dali que saem as cerca de mil referências de produtos da Gelpeixe, que abastece as marcas próprias de peixe congelado das grandes cadeias de distribuição, como o Continente, Auchan, Pingo Doce, entre muitas outras.

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