Gerir equipas digitais exige foco nas pessoas

A escassez de talento qualificado coloca mais diversidade nas equipas e obriga a cuidados na gestão e transmissão de valores e cultura da empresa.

A revolução da inteligência artificial e a integração digital de toda a cadeia de valor dos negócios, que chega ao ponto de colocar o produto a comunicar com o cliente, estão a alterar os ambientes de trabalho em todo o mundo. A escassez de recursos humanos qualificados para os empregos digitais, a obsolescência de grande parte dos antigos postos de trabalho e os diferentes paradigmas de vida dos millennial trazem desafios inesperados aos novos líderes 4.0.

“Gerir sem fronteiras vai tornar-se uma necessidade crítica a nível global”, alertou Dalia Turner, diretora de recursos humanos (RH) da Microsoft, durante a 2.ª conferência da Academia de Liderança da Associação Nacional de Jovens Empresários.

“66% dos CIO dos EUA dizem que a escassez de talento está a atingir uma proporção de crise”, sublinhou, explicando que a inteligência artificial está a tomar empregos onde a automação é uma vantagem, mas cria ainda mais postos de trabalho.

A falta de competências digitais é de tal ordem que, “no futuro, nem vai ser preciso um diploma de ciências da computação ou em ciências, todos vão ser precisos”.

A mesma escassez tem ditado a maior diversidade e inclusão nas empresas de tecnologia, em que as competências têm prioridade sobre a raça, sexo ou localização geográfica do trabalhador. “Desde que o trabalho seja feito, não interessa se o trabalhador está do outro lado do mundo. O desafio é gerir essas equipas virtuais”, explicou.

Parte do desafio está na transmissão eficaz dos valores e da cultura das empresas, algo que “vale mais do que dinheiro” para os novos trabalhadores millennial que não querem trabalhar apenas por dinheiro: têm de sentir que fazem parte de algo.

Há poucos meses, quando a Unicer assumiu a marca Super Bock como denominação do grupo, a envolvência das equipas com a nova identidade “foi cuidadosamente preparada, ao longo de muito tempo”, explicou Pedro Ribeiro, diretor do grupo. “Criámos uma equipa de cultura organizacional, que ficou encarregada de eventos e workshops e recolheu os valores da empresa junto de todos. Introduzir novas tecnologias é muito fácil. O maior desafio é sempre o comportamento das pessoas.”

Ana Salomé Martins, diretora do Grupo Nors, recordou que “uma equipa é um grupo de pessoas que partilha valores e trabalha para um objetivo comum”, portanto, “nas equipas virtuais, a tecnologia consegue aproximar quem está longe, mas falta uma parte cultural que não se transmite facilmente: o conhecimento tácito”. A “cultura de vendas, a experiência do cliente e o serviço não são iguais em Portugal e no Brasil”, exemplificou. “Mas se souber gerir a equipa, as diferenças podem transformar-se em vantagem.”

No caso da Bial, as equipas das filiais da Europa, de África e da América Central não são geridas de forma virtual porque, adiantou o diretor de recursos humanos, José Carlos Ferreira, “não pode perder a cultura de rigor e profissionalismo como vetores de inovação internacional”, ainda que “respeitando sempre as diferenças de cada geografia”. Por isso, os novos colaboradores “passam uma temporada na sede e fazem visitas regulares, para garantir o sentimento de pertença”.

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