Google Digital News Initiative. "Há mais projetos colaborativos entre editores"

Ludovic Blecher, Head do DNI Innovation Fund do Google, falou ao Dinheiro Vivo sobre as tendências que emergiram da nova ronda de financiamento

Os media nacionais receberam 1,4 milhões de euros na quinta ronda do Google Digital News Initiative (DNI), fundo que financia projetos de media europeus no digital lançado pelo Google em 2015.

Portugal foi nesta quinta ronda, o sexto país que mais recebeu fundos do DNI, de um total de mais de 20 milhões atribuídos. Antes do arranque da sexta ronda de financiamento, que deverá acontecer ainda este ano no outono, Ludovic Blecher, Head do DNI Innovation Fund do Google, falou com o Dinheiro Vivo e fala sobre as tendências que estão a emergir na indústria europeia de media.

Os projetos vencedores da quinta ronda do Google Digital News Initiative acabam de ser conhecidos. Que tendências estão a emergir na Europa a nível de jornalismo?

Gostava de deixar claro que não se trata de investimento. Estamos a doar, a financiar, não somos acionistas. Os projetos pertencem aos candidatos que recebem o financiamento.

Olhando rapidamente para os números recebemos 820 candidaturas, o que realmente demonstra o interesse e o lugar para a inovação no espaço digital, de 29 países, dos 32 elegíveis. Tivemos mais candidaturas do que na ronda anterior e selecionamos 98 projetos em 28 países, atribuindo 21,2 milhões de euros.

Há uma grande diversidade de candidatos e de tópicos. A quarta ronda a tendência foi em torno de modelos de subscrição, de pay walls, de personalização e modelos de pagamento, diria que a quinta ronda é muito mais sobre projetos de voz e sobre aprendizagem automática (machine learning). No que toca a voz, é uma espécie de mudança de projetos de áudio para voz. Não é só sobre produzir conteúdo áudio, mas entrar num modo mais interativo, onde o leitor faz perguntas e a marca de informação responde. Para os editores trata-se de enfrentar o desafio de manter a relação em qualquer sítio, em qualquer lugar, em qualquer dispositivo ou situação.

É muito interessante ver a diversidade de abordagens com voz. Há um projeto de voz em Portugal, do Observador. Há muitos aliás, um deles a ir a grande velocidade na direção dos assistentes de voz; outro que está a ir no sentido de criar uma espécie de Avatar de voz humana.

É também muito interessante ver as abordagens colaborativas. Mais e mais editores estão a juntar-se, penso que há mais projetos colaborativos entre editores, com startups. Há um projeto de voz na Bélgica, onde dois dos maiores jornais concorrentes, por razões várias juntaram-se para construir um projeto com base em tecnologia de voz.

E no que toca a geração de receita, cobrança de conteúdos, qual foi a tendência este ano?A quarta ronda foi de facto aquela mais vocacionada para modelos de pagamento e paywalls. A quinta ronda é também sobre pagamentos, mas mais sobre diversificação de formas de monetização e, no que concerne a paywalls, há alguns bons e interessantes projetos. Penso que estão a tentar alcançar um novo estágio da paywall, usando aprendizagem automática.

Neste campo, há duas grandes tendências ou direções: uma delas é uma abordagem dinâmica às paywalls, ou seja, ao pricing. A ideia do preço dinâmico é ser capaz de perceber do lado do consumido qual seria a oferta certa em termos de conteúdo e preço; os editores serão capazes de monetizar apenas parte dos conteúdos, uma secção específica; ter uma abordagem dinâmica dependendo do utilizador. Há um projeto com estas características em Espanha.

A outra tendência coisa é usar a aprendizagem automática para ser melhor a fazer recomendações. Porque uma das grandes questões, e isso também tem a ver com personalização, é quando aumenta a taxa de conversão dos seus utilizadores, como é que os mantém envolvidos na sua rede para aumentar o seu ARPU (receita média por cliente). Para isso, precisa de garantir que estão envolvidos e a ler o seu conteúdo e, tudo isso, parte da capacidade de colocar e recomendar o conteúdo certo.

Desde 2016 que estão a financiar projetos de media. Monitorizam os projetos? Qual a taxa de sucesso?

Não doamos todo o dinheiro logo à cabeça. Para cada projeto temos um acordo, em que quando o projeto começa damos a primeira tranche de dinheiro, quando chegamos à primeira meta, fazemos a revisão com o candidato, discutimos o próximo passo e libertamos a nova fase de financiamento. É um processo de acompanhamento interativo.

Temos mais de 160 projetos dos 559 que receberam financiamento que estão agora concluídos e 80% dos donos desses projetos - fazemos um inquérito depois do projeto - dizem que atingiram o seu objetivo. O que isso significa ao certo é que é mais complicado. Mantemos o acompanhamento, eles partilham o que querem partilhar. Tentamos o máximo que podemos que partilhem o conhecimento não só connosco, porque isto não é sobre o Google é sobre a indústria. Encorajamos e damos oportunidade à comunidade de partilhar. E irão ver isso cada vez mais no nosso website, em que produzimos videos e cases. É importante para nós medir esse impacto e de que forma beneficia o ecossistema.

O fundo foi criado em 2015 com 150 milhões. Já doaram 115,2 milhões. Qual vai ser o passo seguinte quando atingiram o montante previsto?

Sempre dissemos que era um compromisso de três anos. Teremos uma nova ronda ainda este ano, a sexta ronda deverá ser no outono. O que virá a seguir? Lançámos em março a Global News Initiative pensa que demonstra o compromisso global do Google e da companhia para as notícias. O que virá exatamente depois do outono não sei responder de forma direta, por uma razão simples: não podemos puxar pela inovação e não sermos nós mesmos inovadores.

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