Stadia

Google quer subir às nuvens para ser player 1 nos jogos… mas há desafios

Google, Stadia
Phil Harrison, da Google, durante a apresentação da Stadia na GDC, em São Francisco. REUTERS/Stephen Lam

Por nuvens entenda-se um serviço de streaming que quer confiar nas capacidades da cloud em vez do equipamento. E já há respostas da concorrência.

Pela primeira vez, a Google marcou presença com uma apresentação própria na Gamers Developer Conference, evento para o mercado profissional dos jogos. O serviço de streaming Stadia viu a luz do dia, com demonstrações feitas no momento e com a presença de gigantes da indústria de jogos como a Ubisoft ou a iD Software na plateia.

Ao entrar neste mercado, a Google vai a jogo numa indústria global, onde os milhares de milhões não são gerados apenas pela venda de jogos – também há que colocar equipamentos como consolas, computadores ou periféricos nestas contas. Os números da Statista apontam que em 2018 este mercado valia mais de 100 mil milhões de euros. A estimativa é a de que estes valores globais possam chegar aos 120 mil milhões até 2021.

A Google fez a sua aposta, tendo na palavra ‘acessibilidade’ a grande bandeira. “O data center é a vossa plataforma”, explicou a tecnológica norte-americana. Ou seja: os jogos passam a estar disponíveis na cloud, num data center localizada em algum ponto do mundo. Neste cenário, os jogos estão acessíveis através de uma ligação estável à Internet, em qualquer dispositivo, desde que este tenha o sistema operativo Android ou o navegador Chrome instalado.

Caso a Stadia seja bem sucedida na concretização desta ideia, o utilizador deixa de estar dependente de especificações técnicas do equipamento para jogar. Mas há ainda várias perguntas que ficam por responder relativamente a este serviço.

Rede, o principal obstáculo
Os desafios começam justamente pelo mercado: a gigante da Internet não é a primeira a tentar um serviço de jogos que recorra à cloud. Um dos grandes obstáculos neste tipo de serviços tem sido a rede – tudo depende da ligação à Internet para garantir que o jogo é executado com fluidez, para não frustrar os jogadores. Não foi divulgada, por exemplo, qual a velocidade mínima de ligação para esta plataforma de streaming funcionar.

No Speedtest Global Index, onde se avalia a velocidade de acesso à Internet, Portugal fica no 39.0 lugar, com uma velocidade média de 32,29 Mbps (dados de março de 2019, válidos para acesso sem fios). A classificação lusa está acima da média global, que se fica pelos 25 Mbps – a mesma velocidade para manter um acesso estável a conteúdos da Netflix. A questão é que visualizar um vídeo é bem menos exigente do que jogar online, o que poderá deixar à margem uma franja indefinida de utilizadores.

Além do acesso à rede, há mais questões ainda sem resposta: quando e a que custo. Na apresentação, a Google referiu apenas que, no verão, dará mais informações sobre os títulos que vão estar presentes nesta plataforma, sem especificar uma data para a disponibilidade oficial do serviço, que chegará primeiro aos “EUA, Canadá, Reino Unido e alguns países europeus”. Sem indicação de preço ou eventuais moldes de subscrição, não se sabe ainda se a proposta da Google será ou não atrativa para os jogadores.

Enquanto o verão não chega, já há movimentações no mercado. Com o mundo dos jogos a tentar avaliar se a Stadia é ou não uma aposta promissora, Phil Spencer, o líder da consola da Microsoft, a Xbox, já respondeu à Google: “fizeram uma aposta grande mas ainda há alguns meses até à E3 [conferência de jogos alemã], onde também vamos estar em grande”, ameaça.

Segundo a imprensa internacional, também haverá mais um jogador a querer entrar na competição dos jogos em streaming: a gigante Amazon, que tem na infraestrutura cloud uma das suas principais áreas de negócio.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Caixa Geral Depósitos CGD Juros depósitos

Créditos ruinosos da Caixa nas mãos do Ministério Público

A330-900 neo

A330 neo. Associação de pilotos quer ouvir especialistas na Holanda

(REUTERS/Rafael Marchante)

2019 a caminho de ser o melhor ano de sempre da Autoeuropa

Outros conteúdos GMG
Google quer subir às nuvens para ser player 1 nos jogos… mas há desafios