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Google revê políticas e contrata pessoal depois de fuga de anunciantes

O Google não tardou a reagir com novas políticas depois da fuga de anunciantes no Reino Unido, o segundo maior mercado de receitas para companhia

Depois de ter assistido à fuga dos anunciantes no Reino Unido, o Google não perdeu tempo a reagir e anunciou ter revisto as suas políticas no que toca à publicidade, que vai contratar mais pessoal para monitorizar e classificar os vídeos que diariamente são carregados para o YouTube, dando resposta às preocupações dos anunciantes que congelaram o investimento nas plataformas do gigante tecnológico depois de campanhas terem surgido ao lado de conteúdos com mensagens de ódio.

O Grupo Havas e o governo britânico foram dois dos anunciantes que retiraram recentemente o seu investimento publicitário no Google e no YouTube, levando o gigante norte-americano a reagir para conter a hemorragia de receitas no segundo maior mercado publicitário para a empresa, depois dos Estados Unidos. O ano passado este mercado gerou 7,8 mil milhões de dólares de receita, na sua maioria receitas publicitárias, ou seja, cerca de 9% das receitas globais do Google.

Depois de prometer na segunda-feira medidas para assegurar às marcas maior controlo sobre as suas campanhas, o Google apressou-se a dar indicações sobre a forma como está a lidar com o tema.

Quais as medidas avançadas pelo Google?

“Sabemos que as marcas não querem os seus anúncios ao lado de conteúdos que não estão alinhados com os seus valores. A partir de hoje estamos a tomar uma posição mais dura em relação a conteúdos de ódio, ofensivos e derrogatórios. Isto inclui a retirada de anúncios de forma mais eficaz de conteúdos que estão a atacar ou a assediar pessoas com base na sua race, religião, género ou categorias similares”, promete Philipp Schindler, Chief Business Officer do Google num post no blogue da empresa.

Além de apertar a política de conteúdos – “a equipa do YouTube está a olhar com atenção para as atuais regras da comunidade para determinar que conteúdo será permitido na plataforma e não apenas o conteúdo que poderá monetizado” – o Google anunciou medidas que visam dar aos anunciantes um maior controlo sobre as campanhas. Os anunciantes poderão, por exemplo, excluir sites e canais específicos para todas as suas campanhas de Adwords for Video, bem como na rede display do Google, tendo ainda sido introduzidas ferramentas que permitirão às marcas excluir conteúdos de risco.

O Google também vai reforçar o seu staff permitindo um maior controlo sobre os mais de 400 horas de vídeos que são carregadas por minuto no YouTube. “Estamos a contratar um número significativo de pessoas e a desenvolver novas ferramentas impulsionadas pelos nossos desenvolvimentos mais recentes em inteligência artificial e machine learning para aumentar a nossa capacidade para rever conteúdos questionáveis para anunciantes”, promete Philipp Schindler. E depois de serem alertados, a Google promete que “em breve” terão capacidade para resolver estes casos “em menos de algumas horas”.

“Pensamos que a combinação destas políticas e controlos irão reforçar significativamente a nossa capacidade para ajudar os anunciantes a alcançar as suas audiências com escala, ao mesmo tempo que respeitamos os seus valores”, diz o Chief Business Officer do Google.

O boicote no Reino Unido é a face mais visível da pressão que as marcas têm vindo a fazer para um maior controlo nas suas campanhas, evitando surgir com conteúdos contrários aos seus valores.

Nos Estados Unidos, noticia a Reuters, há anunciantes que estão a dar indicações de que não querem as suas campanhas em sites como o Breibart News, gerido por Steve Bannon (agora estratega na administração Trump), associado ao movimento de extrema direita alt-rigth.

O número exacto de anunciantes que boicotaram o site é desconhecido, embora a Sleeping Giant (um grupo anónimo que faz campanha no Twitter para que as marcas não anunciem no website) aponta para mais de 1500. Mas nem sempre é fácil executar essa intenção. Anúncios de anunciantes que já tinham decidido cortar a publicidade no Breibart, como a Mixbook ou a Paperless, estão ainda a correr no site, noticia a Reuters.

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