Privatização

Governo em maratona noturna para decidir privatização da TAP

Sérgio Monteiro
Sérgio Monteiro

O Governo esteve numa maratona durante o dia e a noite de ontem a analisar os relatórios das duas propostas de compra da TAP. A intenção é levar a decisão final ao Conselho de Ministros de hoje. "Querer , queremos. Vamos ver se é possível. Se acabarmos, acabaremos noite fora", confirmou ao Dinheiro Vivo fonte ligada ao processo.

Em cima da mesa esteve o parecer da TAP sobre as propostas estratégicas dos dois concorrentes, sendo que era aguardado ainda ao longo da noite o relatório da Parpública – a holding estatal, com a avaliação do mérito financeiro das duas candidaturas à compra da transportadora aérea.

As propostas melhoradas por Germán Efromovich e David Neeleman foram entregues na passada sexta-feira, dentro do prazo estipulado pelo Governo para a revisão. A 5 de junho, poucos minutos antes de terminado o prazo, os dois concorrentes à compra da TAP entregavam as propostas melhoradas na sede da Parpública, em Lisboa. A entrega foi confirmada pela empresa detentora das ações da TAP. “Confirma que, dentro do prazo definido pelo Governo para a fase de negociações com os interessados, recebeu duas propostas relativas à compra de ações representativas de 61% do capital da TAP SGPS, S.A”. As propostas pertencem à Gateway e HPGB de David Neeleman e Humberto Pedrosa, respetivamente, e à SAGEF, da Synergy e Germán Efromovich.

Nesse mesmo dia, Sérgio Monteiro admitia a complexidade dos relatórios mas garantia que a entrega dos mesmos pela TAP e pela Parpública não deveria atrasar o processo, sublinhando mais uma vez a antecipação do ministro da Economia, António Pires de Lima, que disse que o governo deveria ter tudo pronto para se pronunciar sobre a decisão a 11 de junho. “O mais rapidamente possível”, dizia Sérgio Monteiro, na altura, acrescentando: “A intenção do governo é que termine com uma decisão de privatizar ou não privatizar o mais depressa possível”, disse o secretário de Estado, poucos minutos depois de Germán Efromovich e David Neeleman terem apresentado novas versões das propostas.

Até ao momento não se sabe quais as alterações feitas às propostas melhoradas pelos dois concorrentes. Na primeira proposta, Efromovich oferecia 35 milhões de euros pela TAP, e promovia uma capitalização de 350 milhões de euros em dinheiro e espécie – 250 milhões de euros em dinheiro e 100 milhões em aviões (38 novos e outros 12 já previstos pela companhia). Por seu lado, o dono da Azul prometia 20 milhões de euros ao Estado português e entre 300 e 350 milhões de euros de capitalização para a empresa. Esta injeção de capital previa uma renovação da frota da TAP em 52 aviões (12 deles já previstos pela companhia). No entanto, serão estes novos documentos que valerão na escolha do vencedor já que incluem melhorias face aos primeiros documentos, entregues a 15 de maio.

Fonte próxima das negociações adiantava, na semana passada, ao Dinheiro Vivo, que as propostas serão idênticas às já apresentadas ao governo, mas com “pequenas afinações”que poderão decidir o processo. No entanto, a mesma fonte aponta que temas como a dívida de curto prazo e as cláusulas de ownership, que podem obrigar ao pagamento integral da dívida, continuam presentes nas propostas e poderão ainda condicionar o processo.

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