“Governo não está pressionado pela troika para vender a TAP”

Fernando Pinto presidente da TAP
Fernando Pinto presidente da TAP

Fernando Pinto veio para a TAP há 13 anos com um único objetivo: privatizar a empresa. Sem venda à vista, o presidente da companhia aérea diz que o mais importante é que “o verdadeiro interessado seja alguém do interesse do País”.

Já tem alguma indicação do Governo se vai ou não continuar à
frente da TAP?
Não sei. Para ser sincero, não perguntei, isso vamos gerindo dia
a dia. O que eu estou a fazer é prosseguir o objetivo da
privatização, esse é o meu objetivo. Se o Governo pensar
diferente, muito bem, eu estou muito a vontade com isso.

Mas não há grandes certezas quanto à privatização em 2014…

Há a intenção, sem dúvida, de privatizar a companhia no
próximo ano. A intenção mantém-se e eu acredito nela.

O que o primeiro-ministro quis dizer quando afirmou que, nesta
matéria, a TAP é “um problema sério”?

Ele não disse isso, isso foi o que apareceu dito por ele, o que
não é verdade. Ele diz que tem uma preocupação de fazer um bom
processo de privatização. A TAP não é um problema, a TAP é uma
grande solução para Portugal, e ele sabe disso. O problema é fazer
uma boa privatização, esse é um problema que ele tem na mão, e eu
concordo.

E 2014 é um ano melhor para se privatizar do que era 2012?

Melhores condições é muito difícil. Se perguntarem se a
empresa está melhor, sim está melhor, tem melhorado ano a ano. Se
isso valoriza ou não a empresa, é discutível, tem que ver com o
mercado.

E o mercado da aviação está melhor?

A situação geral de todas as empresas europeias não mudou
muito, continuam a ter problemas por resolver. Pode-se analisar as
três grandes e estão as três a resolver problemas internos. Mas
que existem outras hipóteses, existem.

Quer dizer que existem outras manifestações de interesse?

Há outras manifestações, há outras discussões.

Portanto, ainda sem o processo avançar, sente que neste momento
está mais bem encaminhado do que estava no ano passado?

Acho que sim, mas o processo ainda não recomeçou, quando
recomeçar a coisa assume outra proporção.

Mas parece-lhe importante ter um lote de interessados e não só
um?

Eu acho que isso permite ter realmente uma escolha, agora o mais
importante de tudo é que o verdadeiro interessado seja alguém que
estrategicamente interesse ao País, à empresa.

E isso chega? É que ao nível de processo estratégico, a
proposta anterior, de Germán Efromovich, até pelas suas palavras,
era boa.

Um problema de garantias bancárias, de negociação. Mas vou
dizer–lhe que não foi nada disso, houve, sim, um problema de
timing. O momento de fechar o acordo era 27 de dezembro, quer pior
dia do ano que esse? Para se conseguir as garantias, para se
conseguir tudo o que tinha de ser feito para um problema complicado
como este era quase impossível.

Mas é possível conciliar os interesses do Estado ao nível do
encaixe financeiro, com os interesses da TAP ao nível estratégico?

Esse não é o problema, definitivamente esse não é o problema.
Eu acho que o Governo está plenamente consciente da importância que
a TAP tem para o País, para Portugal: não há dúvida nenhuma de
que somos um dos grandes exportadores, não somos o maior, mas um dos
maiores empregadores, uma empresa que cresce na crise e que paga
impostos. Somos uma empresa que não depende do Estado em termos
financeiros – tivemos o final do ano por causa da privatização, mas
foi pago imediatamente. Dessa importância, o Governo tem plena
consciência. E, principalmente, somos a empresa que traz turistas
para Portugal e que leva negócios de Portugal para fora. Tudo isso
faz que a empresa seja fundamental para o País, faz que tenha de ser
bem privatizada.

Está a ser difícil para o Executivo conciliar essa importância
com o desejo de privatização da troika?

Não vejo que esse seja o problema. O Governo tem consciência de
que não está pressionado e que precisa de fazer uma boa
privatização. No contexto europeu, as empresas têm de ser
privatizadas. De resto não há dúvidas de que é autossustentável
e que a estratégia de crescimento não tem problema nenhum.

A regra que proíbe a venda de uma companhia europeia a um
investidor de fora da UE está a complicar o processo de
privatização?

Isso é um longo caminho europeu e todos sabemos o tempo que
leva…

A forma como os CTT foram privatizados pode dar ideias ao Governo
para a venda da TAP?

Isso tem de perguntar ao secretário de Estado Sérgio Monteiro,
ele é que já andou a falar um pouco sobre isso. E acho que tem
muita razão no que diz: tem dificuldades adicionais. Mas não tenho
dúvida de que seria o desejo de todos os portugueses ter um
pedacinho da TAP. O futuro é esse, não será a primeira etapa, mas
o futuro será esse.

Causa-lhe algum incómodo a não privatização? Os CTT foram
vendidos em seis meses, a venda da TAP já é prometida desde que
veio para Portugal, há 13 anos…

Temos de analisar as várias etapas: a TAP ia ser privatizada pela
Swiss Air, o que não aconteceu por razões alheias à empresa.
Depois continuámos o processo e aconteceu o 11 de Setembro [2001], e
parámos tudo. Quando íamos recomeçar veio 2008 e 2009, com a
grande crise financeira em todo o mundo. Em 2012, reiniciou-se o
processo mais fortemente, com as várias etapas. Continuo a dizer: se
a TAP não foi privatizada não foi por causa do perfil dela.

Não quer sair sem que a venda aconteça?

A minha meta é essa. Eu vim para cá para isso, mas obviamente
que houve um processo de construção, com o qual estou muito
satisfeito. Acho que coroar isso é realmente trazer novo capital. É
a privatização.

*em Viena, a jornalista viajou a convite da Star Alliance

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