Automóvel

Governo negoceia portagens para salvar 700 empregos da PSA em Mangualde

Conferência de imprensa da PSA Groupe, liderada pelo diretor-geral de Portugal dentro do quadro da Direção-Geral das marcas Peugeot, Citroen e DS na Península Ibérica, Alfredo Amaral, para apresentar o alargamento da atividade do grupo a novas áreas de negócio em Portugal, no âmbito do plano “Push to Pass” estabelecido pelo presidente do Groupe PSA, Carlos Tavares, na sede daquela empresa de automóveis, em Loures, 08 de fevereiro de 2018. MANUEL DE ALMEIDA/LUSA
Conferência de imprensa da PSA Groupe, liderada pelo diretor-geral de Portugal dentro do quadro da Direção-Geral das marcas Peugeot, Citroen e DS na Península Ibérica, Alfredo Amaral, para apresentar o alargamento da atividade do grupo a novas áreas de negócio em Portugal, no âmbito do plano “Push to Pass” estabelecido pelo presidente do Groupe PSA, Carlos Tavares, na sede daquela empresa de automóveis, em Loures, 08 de fevereiro de 2018. MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Novo modelo do grupo liderado por Carlos Tavares poderá pagar classe 2 nas portagens nas autoestradas. Fábrica poderá montar menos 20 mil unidades.

O Governo está a renegociar os contratos de concessão das autoestradas com a Brisa desde o final do ano passado. Esta é a reação do Ministério do Planeamento e das Infraestruturas ao alerta ontem deixado pelo grupo Peugeot-Citröen (PSA) em Portugal: se não houver alteração das classes das portagens, o investimento em Mangualde está em risco. Em causa estão 700 postos de trabalho.

“O investimento da PSA em Mangualde está em risco no médio prazo”, alertou o diretor-geral do grupo PSA em Portugal quando questionado sobre o facto de o novo modelo K9, que começará a ser produzido em série em outubro, ser classificado como veículo de classe 2 nas portagens por ter mais de 1,10 metros de altura no eixo da frente.

O K9 (nome provisório) é o veículo comercial ligeiro que vai substituir a Citröen Berlingo e a Peugeot Partner no início do próximo ano e que será apresentado no início de março, no salão automóvel de Genebra. A fábrica de Mangualde pretende produzir 100 mil unidades deste veículo em 2019, um quinto das quais com o mercado português como destino, ou seja, 20 mil comerciais ligeiros da Peugeot, Citröen e Opel.

A PSA espera “até ao final de julho” para saber se há alguma alteração da lei das portagens. Se não houver mudanças, a fábrica de Mangualde só vai produzir 80 mil unidades no próximo ano; e o terceiro turno de montagem, que arranca em abril para assegurar o final da produção da Peugeot Partner e da Citröen Berlingo, poderá durar apenas seis meses.

Para se preparar para a produção do K9, a empresa de Mangualde recebeu cerca de 50 milhões de euros, verba destinada ao investimento global na “industrialização do carro” e à “transformação da fábrica”.

Valor apoiado por fundos comunitários – foi um dos primeiros projetos a beneficiar do Portugal 2020 – e anunciado em junho de 2015. Na altura, a PSA Mangualde destacava que o lançamento da produção do K9, veículos de nova geração, estava associado à “ambição de aumentar o número de fornecedores nacionais da fábrica de Mangualde”.

O dossiê das portagens é da responsabilidade do Ministério do Planeamento e das Infraestruturas. O gabinete de Pedro Marques diz que “no último trimestre do ano passado foram iniciadas as renegociações do contrato de concessão com a Brisa”, a maior gestora privada de autoestradas do país.

Contactada pelo Dinheiro Vivo, a concessionária diz que “o Estado tem a prerrogativa de rever o contrato de concessão” e que “a revisão é feita nos termos definidos pelo contrato de concessão”. A Brisa lembra que, nas negociações, “será tido em conta o equilíbrio financeiro da concessão” e que em 2004, após pedido do Governo, introduziu um regime especial para os monovolumes de sete lugares.

A renegociação do contrato com a Brisa arrancou depois de, em julho, o grupo de trabalho criado no Parlamento ter entregado no gabinete de Pedro Marques uma proposta para alterar as classes nas portagens. O setor automóvel quer que as classes passem a ser determinadas pelo peso dos veículos e não pela altura no eixo da frente.

Fazia sentido um sistema que olhasse para a componente principal que introduz desgaste, que é o peso e não a altura. Um veículo ligeiro [peso inferior ou igual a 3500kg] deveria ter uma classe. Os pesados, conforme o número de eixos, deveriam ter outras classificações”, sugeriu Alfredo Amaral.

A classe das portagens pode ser determinante para o sucesso comercial de um veículo. Na A1, a principal autoestrada do país, um carro com classe 1 paga 22,15 de Alverca até Carvalhos; um carro com classe 2 paga quase o dobro pelo mesmo percurso: 38,45 euros. O grupo francês diz que o SUV Opel Mokka, por ter mais de 1,10 metros no eixo da frente “não se vende em Portugal” apesar de ser “um dos carros mais vendidos na Europa”.

O futuro desta fábrica está nas mãos do Governo. Até lá, o grupo francês lembra que a unidade de Mangualde “soube adaptar-se ao longo dos tempos” e que “é a fábrica do grupo que presta melhor qualidade de montagem a nível europeu”. Só que o investimento recebido em 2015 apenas terá efeito durante a vida do K9.

Franceses na linha da frente de oficinas

A PSA quer estar na linha da frente das oficinas, através da rede de reparação multimarca Euro Repar Car Service. O grupo francês vai investir 1,5 milhões de euros até 2020 para ter 150 oficinas em Portugal e, desta forma, alargar a base de clientes. Esta aposta é uma das medidas do programa Push to Pass, apresentado no ano passado por Carlos Tavares e que quer proporcionar “novas ofertas de negócio” para o grupo. Os franceses estão ainda a preparar o lançamento de uma empresa de carsharing para o mercado português e que estará disponível na região de Lisboa “ainda no primeiro semestre”, adiantou o diretor geral da PSA Portugal, Alfredo Amaral.

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