indústria automóvel

Governo prepara benefícios fiscais à Eurocast e Faurecia

Extensão das instalações de controlo de emissões automóveis da Faurecia inaugurada em junho. Fotografia: Rui Manuel Ferreira / Global Imagens
Extensão das instalações de controlo de emissões automóveis da Faurecia inaugurada em junho. Fotografia: Rui Manuel Ferreira / Global Imagens

Minutas dos incentivos devem ser aprovadas nesta semana em Conselho de Ministros. Ao todo são sete contratos

O governo prepara-se para aprovar benefícios fiscais a investimentos de empresas relacionadas com a indústria automóvel não poluente. Ao que o Dinheiro Vivo apurou, o pacote está a ser ultimado e deverá ir a aprovação do Conselho de Ministros ainda nesta semana.

Em causa estão investimentos de algumas empresas estrangeiras que produzem componentes aeronáuticos e para automóveis a operar em Portugal, de forma a privilegiar produções verdes e amigas do ambiente. Confirmados estão já os apoios à Eurocast e à Faurecia. Mas há outras empresas na calha.

Ao todo são sete contratos de investimento que, segundo o Expresso, totalizam 24 milhões de euros. Não foi possível confirmar os pormenores das minutas.

As duas empresas já confirmadas para receber este apoio têm planos de expansão ou reestruturação em curso e investimentos de grande dimensão em Portugal.

A Eurocast, por exemplo, está a ultimar a nova fábrica de Estarreja, que envolve um investimento de 50 milhões de euros e promete a criação de 170 novos postos de trabalho. No Eco-Parque Empresarial de Estarreja está prevista a fundição de alumínio injetada para componentes automóveis, que servirá os mercados nacional e internacionais. Esta será a maior zona de produção do grupo GMD com 21 mil metros quadrados.

Não é só. Também a expansão da Faurecia, em Bragança, poderá beneficiar destes apoios. Até 2018, a multinacional francesa prometeu criar 400 novos postos de trabalho em Bragança além dos 850 que já emprega. Na empresa de escapes para automóveis, que já é o maior empregador daquele distrito, a grande promessa é agora a segunda unidade fabril que começou a laborar em setembro depois de um investimento de 41,5 milhões de euros. Neste espaço vão servir-se marcas como a Jaguar Lang Rover, a Nissan e a Renault, segundo anunciaram os responsáveis no início do verão.

Na linha da frente está também a Embraer, empresa brasileira com um forte polo industrial em Évora. A viver momentos mais difíceis no Brasil, que obrigaram a rever investimentos, cortar custos e redimensionar a operação, a construtora aeronáutica manteve inalterados os seus planos para Portugal. Em junho, a empresa anunciou dois novos projetos de investimento no Alentejo, num valor de 93,6 milhões de euros. Entre ampliação de fábricas, reforço das estruturas metálicas e aquisição de novas máquinas, a empresa pretende ainda introduzir novas tecnologias que permitem melhorar os processos. A revisão do plano de investimento deverá permitir à Embraer vir a beneficiar, num segundo momento, de novos incentivos fiscais.

O Dinheiro Vivo sabe que as minutas destes incentivos já estão praticamente fechadas. No entanto, tradicionalmente, os apoios entregues a estas empresas nunca chegam a ser conhecidos do público. Podem estar em causa reduções da fatura a pagar com IRC ou outros alívios fiscais que permitam libertar recursos para a contratação de trabalhadores.

O setor automóvel adquire, assim, novo destaque, por parte da AICEP e do Ministério dos Negócios Estrangeiros, numa altura em que o país também se mobiliza para poder receber a fábrica de carros e de baterias da gigante norte-americana Tesla. A atribuição destes benefícios dá assim mais um passo para atrair Elon Musk para Portugal, ainda que a concorrência europeia seja forte.

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