Indústria 4.0

Governo quer acelerar difusão das tecnologias e digitalização

Ana Teresa Lehmann, presidente do comité de investimento de Fundo Para a Inovação Social.
Ana Teresa Lehmann, presidente do comité de investimento de Fundo Para a Inovação Social.

A secretária de Estado diz que agora é tempo acelerar a Indústria 4.0 e difundir as tecnologias e a modernização

O governo apresentou há pouco mais de um ano o programa Indústria 4.0, cujo objetivo é ajudar as empresas a apostarem na digitalização e modernização das estruturas produtivas. Este programa, com duração de quatro anos, contém 64 medidas e, deste leque, confirmou ao Dinheiro Vivo a secretária de Estado da Indústria em Hannover (Alemanha), cinco dezenas foram postas “em marcha” nos primeiros 12 meses. “Neste segundo ano, queremos acelerar e cumprir o grande desafio que é a difusão das tecnologias, da digitalização e modernização da indústria para as nossas PME. Como tal, privilegiamos espaços de experimentação, demonstração, open days ligados à indústria”, disse Ana Lehmann.

Além disso, “há também um conceito fundamental, que é central agora na União Europeia nesta matéria, que é o dos digital innovations hubs”. Estes centros têm como objetivo ajudar as firmas a tornarem-se mais competitivas nos seus processos produtivos através das tecnologias digitais. O importante nestas infraestruturas, defende, é que “há ali uma rede de atores que se organizam para espaços de experimentação, demonstração, difusão de tecnologias no sentido de alastrar a utilização e a adoção destas tecnologias nomeadamente às PME, que é a nossa prioridade, porque 99,7% das empresas em Portugal são PME”.

Assumindo que a transformação digital do tecido empresarial está a avançar a um ritmo positivo, Ana Lehmann não esconde que “o desafio é imenso”. Um dos entraves que as fábricas enfrentam é a dificuldade de contratar trabalhadores especializados, algo que a responsável associa ao facto de “as fábricas estarem a ter cada vez mais encomendas e estarmos num momento bom da nossa economia”. “Há cada vez mais robotização e automação. Há cada vez mais emprego nessas mesmas empresas. O que acontece é que – e as empresas têm referido – há dificuldade da contratação de trabalhadores especializados e o governo está muito atento a isso”, acrescentou.

Questionada se o setor teme que a vinda de empresas estrangeiras para Portugal possa agravar esse problema, a responsável diz que a vinda dessas organizações “traduz em primeiro lugar a excelência do nosso talento”. Embora, reconheça que “temos de continuar a formar um conjunto de pessoas qualificadas para a indústria de futuro”. “As competências digitais estão cada vez mais escassas em todo o mundo desenvolvido e, em particular, na Europa”.

Além da iniciativa Incode 2030, que visa dotar a população de competências digitais, o governo quer mudar a perceção dos jovens em relação ao trabalho na indústria. Para isso, pretende lançar uma campanha. “O que acontece é que muitas vezes há uma visão retrograda da indústria, que já não é a atual. É preciso trabalhar junto dos mais jovens para que percebam que na indústria têm carreiras consistentes, onde cada vez mais ganham competências e, se forem bastante especializados, as remunerações são elevadas. Outra vertente é o tema da formação. O governo tem feito uma aposta nos centros de formação protocolares, que nos retrataram essa necessidade, e o governo correspondeu positivamente a essa necessidade do ponto de vista do ensino técnico-profissional. Temos mais de 40% dos nossos jovens em ensino técnico-profissional”, rematou.
Jornalista em Hannover a convite da Cotec.

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