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Governo vai recuperar 70 comboios da CP até 2022

Foto J.P Coutinho
Foto J.P Coutinho

Investimento de 45 milhões no material, contratação de 186 funcionários e regresso das oficinas de Guifões são as principais medidas do novo plano.

Cerca de 70 comboios da CP vão ser recuperados até ao final de 2022. Isto será possível graças ao investimento de 45 milhões de euros na empresa, ao abrigo de um plano de recuperação da transportadora pública aprovado ontem pelo Governo.

Aumentar a oferta de material é o principal objetivo da estratégia delineada por Pedro Nuno Santos, ministro das Infraestruturas e da Habitação. Mas o reforço de material não será logo sentido pelos utentes. “Demorará tempo para recuperar o período de degradação das empresas. Este trabalho não tem efeitos imediatos”, porque “não é a mesma coisa que levar um carro à oficina”, reconheceu o ministro.

O plano também prevê a contratação de 187 funcionários para a CP e a EMEF; a fusão entre as duas empresas públicas; e a reativação das oficinas da empresa de manutenção em Guifões, no Porto, que tinha sido encerrada em 2011.

Este processo irá decorrer em duas fases. Entre a segunda metade deste ano e o final de 2020, serão recuperadas parte das 70 unidades encostadas no Entroncamento, entre carruagens, locomotivas e automotoras.

Entre o final de 2020 e o final de 2022, as restantes unidades serão modernizadas nas mesmas oficinas. Apenas no final de julho será conhecida a lista de material circulante que ganhará uma ‘segunda vida’.

Leia mais: “CP tem de ser pontual e não pode prometer aos utentes o que não pode cumprir”

A recuperação do material será possível com o recrutamento adicional de 67 operários para as oficinas da EMEF. A CP também vai ter um reforço, de 120 pessoas: 40 maquinistas, 40 revisores, 20 trabalhadores na área comercial; os restantes irão para outras áreas.

As contratações vão servir para colmatar as saídas dos últimos anos na CP e na EMEF. Nas duas empresas, irá existir um mecanismo para a substituição automática, a partir de 1 de julho, dos trabalhadores dos quadros que se reformarem ou saírem.

Dependência de Espanha

A aposta do Governo na CP não vai impedir, contudo, que a transportadora gaste mais de oito milhões de euros por ano com o aluguer de 24 automotoras a gasóleo a Espanha, para o serviço regional.

“Precisamos de aumentar a disponibilidade de material circulante. Não é só substituir o material alugado e não nos vamos precipitar a perder capacidade”, destacou o ministro.

O contrato de aluguer de automotoras a Espanha irá terminar no final de 2022. Depois dessa data, começarão a chegar os 22 comboios novos comboios regionais. Serão adquiridas 12 automotoras híbridas (que também podem circular em linhas não eletrificadas) e 10 automotoras elétricas.

Contrato até outubro

O plano de investimento serve ainda para “assegurar a entrada em vigor do contrato de serviço público de transporte ferroviário de passageiros entre a CP e o Estado”. O ministro das Infraestruturas espera que o documento seja fechado com o Ministério das Finanças “ainda nesta legislatura”, ou seja, no último trimestre de 2019. Este contrato, que prevê o regresso das indemnizações compensatórias à CP, também vai permitir medir os níveis de qualidade de serviço da empresa pública de comboios.

Leia mais: AMT. “Levando ao extremo, CP pode fazer na linha de Sintra uma viagem por dia”

Que material pode ser recuperado?

Só no final de julho é que saberá, em detalhe, quais serão as 70 unidades da CP – entre carruagens, locomotivas e automotoras – encostadas no Entroncamento que vão ser recuperadas. Mas há uma vasta lista de candidatos à ‘segunda vida’, com várias décadas nos rodados.

Há 21 locomotivas elétricas da série 2600, 19 das quais poderiam voltar a circular com a devida certificação. Uma dúzia foi fabricada em 1974/75 e renovada entre 2004 e 2006. As outras sete locomotivas foram construídas na antiga Sorefame entre 1987 e 1989 e foram renovadas entre 2007 e 2009. Podem puxar carruagens até à velocidade de 160 km/hora mas foram todas encostadas ao longo de 2011.

No Entroncamento também estão algumas locomotivas a gasóleo da série 1930, que entraram ao serviço em 1981 e permitem climatizar as carruagens sem necessidade de um furgão-gerador, ao contrário do que acontece com as locomotivas da série 1400. Para serviços de aluguer há ainda sete carruagens Schindler, da década de 1940.

Leia mais: CP arrisca contraordenações no novo contrato com o Estado

Para evitar algumas supressões nas linhas não eletrificadas, há várias automotoras Allan 0350 que poderiam voltar temporariamente ao serviço. Este material, no entanto, obriga a cuidados redobrados, por falta de sistemas de segurança passiva e por elevadas necessidades de manutenção.

Há ainda entre 30 e 40 carruagens Sorefame fabricadas entre 1971 e 1975 que poderão reforçar o serviço Intercidades e responder ao aumento de procura por este serviço de longo curso na CP.

Nas automotoras elétricas – que estão encostadas na zona de Campolide -, nota para duas unidades da série 3500 (comboios de dois andares), que servem os comboios suburbanos na linha de Sintra/Azambuja. No mesmo traçado, há seis unidades das séries 2300/2400 também a aguardar uma revisão profunda.

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