Grandes empresas avançam para teletrabalho

Maiores empresas estão prontas e capazes de seguir as recomendações do Governo. Ordem é voltar para casa. Mas AEP alerta que maioria das empresas ainda faz trabalho presencial.​

Depois de o aumento do número de casos de covid-19 ter levado o Governo a recomendar o teletrabalho até ao final do ano, com caráter obrigatório na primeira semana de janeiro de 2022, a ordem é ir para casa nas grandes empresas, sobretudo nas funções e atividades que o permitem, ​​​​​​a fim dos negócios não serem ainda mais prejudicados pela pandemia. Ao que o Dinheiro Vivo apurou NOS, Vodafone e Altice (telecomunicações), EDP e Galp (energia), Microsoft (tecnologia), Zurich (seguradora) e Teleperformance (Contact Center) estão a seguir as recomendações governamentais.

"O teletrabalho pode ser muito penalizador e até inexequível, como é o caso da indústria transformadora. Mas, num momento em que a reindustrialização do país deve constituir um desígnio nacional esta questão é ainda mais preocupante", comenta o presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP), Luís Miguel Ribeiro. De acordo com o responsável, citando um inquérito da AEP às empresas que contou com respostas de 320, "metade das empresas espera atingir este ano os níveis de atividade (volume de negócios) pré-pandemia". Ou seja, seguir a recomendação de reimplementar o teletrabalho é uma forma de proteger os negócios, embora os níveis pré-pandémicos quanto às exportações só se recuperem lá para o "primeiro semestre de 2022".

Contudo, independentemente da dimensão da empresa, "a esmagadora maioria labora em regime maioritariamente presencial", sendo que "apenas uma em cada seis empresas não se encontram em regime de trabalho total ou maioritariamente presencial". Isto pode explicar-se, segundo Luís Miguel Ribeiro, por haver um "pessimismo maior a nível de contexto mundial do que relativamente a Portugal. Ainda assim há cautelas que, sobretudo, as grandes empresas estão naturalmente prontas e capazes de garantir.

Nas telecomunicações, fonte oficial da NOS garante que "a prioridade" é a segurança dos trabalhadores. Por isso, desde 1 de dezembro deixou de estar em vigor "o modelo de 3 dias fixos nos escritórios" - prática da casa desde outubro. Agora, os trabalhadores podem optar por um regime remoto total, "com flexibilidade para os colaboradores se deslocarem ou trabalharem nos edifícios, sempre que pretendam ou tenham necessidade". Acresce que a telecom "cumprirá integralmente a recomendação de teletrabalho obrigatório, para todas as funções em que tal seja possível, na semana de 2 a 9 de janeiro de 2022". Cenário idêntico traçou a Vodafone Portugal, que "seguirá naturalmente todas as recomendações do Governo e das autoridades de saúde nesta matéria".

"A Vodafone decidiu acionar uma medida excecional ao seu modelo de trabalho híbrido, passando a ser possível aos colaboradores solicitarem o regime de exceção aos dois dias por semana de trabalho presencial, durante o mês de dezembro", revela fonte oficial da empresa. Já a Altice "encontra-se em contacto permanente com a Direção-Geral de Saúde [DGS], acompanhando as orientações e recomendações das entidades competente e aplicando o regime de teletrabalho, sempre que este seja compatível com a atividade desempenhada dos seus colaboradores", segundo fonte oficial da dona da Meo.

No setor energético, a EDP também está, desde 1 de dezembro, a adotar o regime de teletrabalho, sendo o voluntário o trabalho presencial. Mas isto só nas funções compatíveis com o teletrabalho. Fonte oficial explica que foram criados "grupos rotativos" para o efeito. "O teletrabalho, de acordo com indicações do Governo, será obrigatório, sempre que as funções o permitam, entre 2 e 9 de janeiro de 2022", garante. Estas medidas abrangem cerca de 70% dos trabalhadores da EDP, em Portugal. A Galp, por sua vez, está a acompanhar e a seguir as recomendações da DGS desde o início da pandemia e assim o continuará a fazer. "Nesta fase, a Galp vai manter os protocolos em curso privilegiando o modelo de trabalho híbrido", diz fonte oficial, realçando que foram reforçadas as recomendações para o uso de máscara, higienização das mãos, distanciamento, bem como a ausência de reuniões presenciais e a possibilidade de realizarem testes nos centros médicos da Galp.

Na área tecnológica, a Microsoft Portugal assegura que continuará com o regime híbrido e flexível, privilegiando o trabalho remoto mas permitindo aos colaboradores visitar o escritório quando necessário, respeitando medidas de segurança. "A Microsoft mantém as medidas referidas para este período, fechando temporariamente o escritório entre 2 e 9 de janeiro de 2022, em cumprimento do determinado pelo Executivo", refere fonte oficial, assegurando que todos os trabalhadores estão "capacitados" para cumprir as funções de forma "remota e flexível".

Nos seguros, a Zurich também opta por medidas idênticas. Aliás, segundo o diretor de recursos humanos da Zurich Portugal, Nuno Oliveira, a seguradora tem "grande parte" dos 500 trabalhadores em teletrabalho desde março de 2020. E assim se manterá.

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