Arte multimédia

Grandpa’ s Lab: Arte digital em grande escala já é negócio

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Três jovens artistas do Porto fundaram uma empresa de espetáculos multimédia aberta ao mundo. Já assinaram projetos visionados por 400 mil pessoas

O Porto tem um laboratório de arte digital que transforma edifícios históricos em palcos de eventos multimédia, envolve congressos empresariais em instalações imersivas e de lendas constrói espetáculos de luz, pirotecnia e novo circo. São três “velhotes” e já levaram o seu trabalho para fora das portas do país. No Grandpa’s Lab (Laboratório do Avozinho), os computadores unem-se aos artistas e o digital transforma-se em arte. Tudo pelas mãos dos jovens “velhotes” Pedro Castro, Tiago Pires e Rafael Pinto.

Estes “velhotes”, porque se conhecem desde o tempo em que se sentavam nas secretárias da Escola Artística Soares dos Reis, no Porto, e sob esta designação ficaram para os amigos, já integram no seu portfólio exibições multimédia que envolveram mais de 40 profissionais do mundo do espetáculo e eventos cuja assistência atingiu as 400 mil pessoas. A Grandpa’s Lab ainda só tem quatro anos, mas o percurso está definido: trabalhar para clientes públicos e empresariais, e apostar na internacionalização da atividade. A mais valia é que uniram a amizade e as especializações artísticas. Pedro é um profissional do audiovisual e multimédia. Para Tiago, o mundo da cenografia não tem segredos. Já o perfil artístico de Rafael está ligado à imagem, fotografia e artes gráficas.

O negócio está a correr ao ritmo da luz e o passa a palavra tem chegado para as encomendas. “Nunca houve necessidade de nos apresentarmos em feiras ou de procurar clientes, o trabalho tem surgido através de parceiros”, diz Pedro Castro. Exemplo dessa informalidade foi a instalação imersiva que criaram para o aeroporto de Hamburgo, Alemanha. “Fomos convidados por uma empresa de Lisboa, com a qual estabelecemos contacto quando fizemos um trabalho no Terreiro do Paço”, conta.

Em Hamburgo, a equipa portuense criou uma solução tecnológica para envolver os passageiros enquanto aguardavam o embarque. A instalação imersiva, um trabalho que envolveu a equipa ao longo de dois meses, implicou a criação de um vídeo projetado nas paredes da sala de espera e que explorava vários sentidos, como visão, audição e espacialidade.

A fachada do Palácio Nacional de Queluz foi até agora o maior palco da Grandpa’s Lab. Nos 200 metros de paredes exteriores, o laboratório artístico projetou um vídeo mapping de 15 minutos a celebrar o Natal. A obra foi uma encomenda direta da Parques de Sintra, que gere o edifício histórico, e esteve em exibição pública ao longo de 10 dias. Este foi um dos maiores projetos do atelier portuense e também um dos mais caros. Uma obra desta dimensão atinge os 200 mil euros, dizem. Mas é o Terreiro do Paço, fachada que já foi, por mais de uma vez, iluminada pelos vídeos da Grandpa’s Lab, que consta no curriculum da empresa como o local onde mais pessoas assistiram ao espetáculo da autoria dos três “velhotes”: 400 mil pessoas.

O Grandpa’s Lab trabalha projetos chave na mão, o que implica a subcontratação de outras empresas e artistas. Equipas técnicas de vídeo, cenografia, coreografia e atores são chamadas de acordo com as necessidades do projeto. No último evento multimédia que teve as suas assinaturas foi necessário o apoio de 40 profissionais. Como sublinha Tiago Pires, a Grandpa’s está preparada para fazer espetáculos de 50 ou de 200 mil euros, de trabalhar para entidades públicas e também para empresas.

Eventos para empresas

BNP Paribas, Carsberg, Santander, a imobiliária Era ou a Mercedes são exemplos de clientes empresariais da Grandpa’s Lab. O habitual é ser o cliente a dar o mote para o projeto. Por exemplo, o banco francês BNP Paribas quis fazer um evento corporativo pela altura do Natal e o Altice Arena serviu de cobertura ao mundo de luz “Winter Wonderland”, envolvendo cerca de cinco mil colaboradores. A Genesis, empresa de cosméticos, quis juntar os colaboradores de toda a Europa e, através da internet, pediu ao atelier um espetáculo para a abertura do evento. São vários os projetos e os clientes, e, por isso, “temos vindo a duplicar anualmente a faturação”, revela Pedro Castro, sem contudo adiantar valores. Garantido é que a empresa dá lucro e esse fôlego financeiro tem sido canalizado para investimentos na empresa. “É tudo com capital próprio”, assegura Rafael Pinto.

A internacionalização da empresa tem-se também pautado por parcerias. A Grandpa’s Lab, a convite da Oupas! Design, já trabalhou em três edições do Thought for Food Summit, uma conferência internacional que reúne pessoas de diferentes origens e formações, que procuram soluções para alimentar nove milhões de pessoas até 2050. Com esta parceria, os três “velhotes” já apresentaram trabalho em Lisboa, Zurique e Amesterdão. Como sublinha Tiago Pires, o trabalho que fazem “é muito visual, a linguagem é universal”, pode ser exibido em Portugal como em qualquer lugar do mundo.

Este mês, estiveram ligados às festas de Chaves, evento para o qual criaram um espetáculo de vídeo mapping (com a histórica ponte romana a servir de tela), pirotecnia, novo circo, teatro… Pegaram numa lenda muito antiga de Chaves, que conta os amores de um cristão por uma moura, e com uma abordagem contemporânea animaram durante 40 minutos uma plateia de 10 mil pessoas. O trabalho, que se prolongou por três meses e envolveu 40 profissionais e 35 colaboradores locais, foi mais vasto do que o mero espetáculo, tendo também envolvido a realização de um desfile e workshops.

Aliás, a vertente de formação está também na génese da Grandpa’s Lab. Criaram a Goma, uma comunidade de arte digital para troca de experiências, promover formações e criar um rede de networking com artistas nacionais e internacionais.

Sobre os projetos de futuro gostam pouco de falar. “Em Portugal, tudo fica decidido em cima do prazo”. Da agenda de trabalhos não consta, mas é um desejo: fazer um trabalho no Porto, a cidade que os acolhe.

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