Greve europeia na easyJet pode comprometer verão

A companhia britânica recebeu uma carta assinada por todos os 15 sindicatos de tripulantes apelando a uma reunião urgente. Caso as negociações não avancem, as greves avançam já no verão.

O verão promete ser atribulado para a easyJet que se arrisca a ver os aviões ficar em terra devido a uma greve europeia de tripulantes. A companhia britânica recebeu uma carta assinada por todos os 15 sindicatos da rede easyJet apelando a uma reunião urgente com a empresa até junho. Caso as negociações não cheguem a bom porto, as estruturas sindicais vão avançar com greves nos vários países, incluindo em Portugal.

O desgaste dos trabalhadores por falta de tripulantes, as constantes alterações de escalas, os erros nos pagamentos, a pressão da empresa devido às baixas por doença e fadiga e a falta de um sistema de antiguidade são alguns dos motivos de descontentamento que levaram a que os sindicatos dos vários países nos quais a low-cost opera se reunissem em Portugal na semana passada, conforme o Dinheiro Vivo já tinha avançado.

"Infelizmente, estamos numa situação em que os membros da companhia perderam a fé na empresa. Os tripulantes que trabalham na easyJet há vários anos estão à procura de outros empregos. Pela primeira vez na história, deparamo-nos com níveis altos de desgaste dos tripulantes de cabine", lê-se no documento entregue à companhia aérea a que o Dinheiro Vivo teve acesso.

Na carta, os tripulantes pedem que seja implementado um sistema de reconhecimento dos anos de carreira à semelhança do que já acontece com os pilotos.

"A antiguidade na empresa não existe, ou seja, um tripulante com um ano de casa ou 20 anos de casa tem as mesmas regalias, o mesmo salário, não tem aumentos de salários proporcionais, ao contrário do que se passa na classe dos pilotos na easyJet e na maioria das companhias de aviação", esclarece o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) ao Dinheiro Vivo.

A estrutura que representa os tripulantes portugueses explica que os sindicatos dos vários países "têm lutado há vários anos pela senioridade".

"É necessário que a empresa tome consciência do valor dos tripulantes e do valor acrescentado que traz à companhia um trabalhador motivado. É necessário fazer entender que queremos construir carreira na companhia. É necessário relembrar à easyJet que é fundamental valorizar a experiência acumulada de um tripulante que permaneça cinco, dez ou quinze anos na companhia", pede o SNPVAC.

No documento entregue à low-cost britânica, os tripulantes exigem uma resposta num prazo de duas semanas. "Esperamos uma resposta da vossa parte no prazo 14 dias com uma data para reunir para que possamos discutir estas questões de forma mais detalhada. Propomos que estes encontros aconteçam com urgência e, no máximo, até meados de junho. É imperativo que as mudanças sejam feitas com urgência para o sucesso da empresa não só durante o verão, que antevemos como desafiador, mas também para a recuperação futura do negócio", pedem os 15 representantes dos tripulantes na missiva entregue à easyJet.

easyJet atenta às baixas médicas

A falta de tripulantes para assegurar a operação tem resultado numa sobrecarga de escalas. "As pessoas estão cada vez mais fartas e recusam-se entrar fora de horas. Por causa disso há muitos voos cancelados por falta de tripulação", refere o SNPVAC. O cansaço acumulado tem levado muitos tripulantes a recorrer a baixas para não trabalhar. A situação já mereceu uma resposta da transportadora aérea que notificou os trabalhadores alertando-os para os impactos que as ausências estão a causar na operação.

"Nas últimas semanas temos assistido a um elevado aumento de tripulantes que chegam ao trabalho declarando-se inaptos no check-in a bordo e que não se encontram totalmente descansados ​​para operar as tarefas que lhes são atribuídas. É imperativo que vocês assumam a responsabilidade pessoal e se certifiquem de que estão totalmente descansados para cumprirem as vossas funções", lê-se numa comunicação enviada aos tripulantes da easyJet a que o Dinheiro Vivo teve acesso.

Na nota, enviada por email para os trabalhadores dos vários países, a empresa alerta que a falta de uma justificação atempada para as ausências ao trabalho podem desencadear uma ação disciplinar.

"Reparem que esta comunicação não é sobre dizer-vos para virem trabalhar se estiverem doentes, somos todos adultos e deveremos gerir a nossa saúde e bem-estar. No entanto, precisamos de garantir que estejam saudáveis e que procurem ajuda médica para garantir que possamos voltar ao trabalho", pede a easyJet.

O SNPVAC refere que esta comunicação é um ato de bullying numa altura em que a transportadora enfrenta dificuldades na contratação de novos tripulantes.. "Há grandes dificuldades de recrutamento, as condições oferecidas na rede não são atrativas e estão urgentemente a necessitar de tripulantes", aponta a estrutura sindical.

A empresa diz que devido ao elevado número de baixas irá controlar com mais "foco" as ausências e pede que as faltas ao trabalho sejam acompanhadas de atestados médicos. "Chamamos a vossa atenção para os prazos de entrega de atestados médicos. A não entrega atempada ou a não justificação podem tornar-vos responsáveis por uma ação disciplinar", alerta.

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