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Greve nos supermercados. CESP fala em adesão de 80%. APED? “Não teve impacto”

Foto: DR
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Trabalhadores lutam por aumentos salariais e rejeitam banco de horas. Contrato colectivo está em mediação depois de dois anos sem acordo.

Oitenta por cento dos trabalhadores da grande distribuição terão aderido esta sexta-feira à greve convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP), segundo avança o organismo sindical. “Não teve qualquer impacto”, diz a APED.

Os trabalhadores da grande distribuição fizeram hoje greve em defesa de aumentos salariais, valorização das carreiras e categorias profissionais e horários de trabalho, num momento em que a negociação do contrato coletivo de trabalho está em mediação junto do Governo.

“Temos piquetes de greve com 60 a 80 trabalhadores em greve, a mostrarem que exigem melhores condições de vida e de trabalho. Os trabalhadores do sector não aceitam aquilo que é a proposta da associação patronal de não dar praticamente aumento nenhum e querer contrapartidas de redução de valor de trabalho suplementar e de implementação de bancos de horas no sector e exigem aquilo que é justo: 90 euros de aumento, três euros de aumento por dia para todos os trabalhadores a partir de janeiro e a valorização das carreiras e categorias profissionais, das suas qualificações, dos muitos anos de serviço que grande parte destes trabalhadores têm em cada uma das empresas e que não é reconhecido nem valorizado por estas empresas”, disse Isabel Camarinha, Presidente do CESP, num depoimento em vídeo enviado pelo sindicato às redações.

A paralisação, assegura a responsável sindical, “teve um efeito muito grande em todo o país”. De acordo com os números divulgados pelo CESP, a greve “com adesões superiores a 80% em Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra, Santarém, Lisboa, Setúbal, Portalegre e Faro, no Lidl, Continente, Pingo Doce, Auchan, Dia Minipreço, Eleclerc e tantas outras empresas do sector.”

Visão distinta tem a APED. “Não temos registo de perturbações pelo que esta greve, mais uma vez, não teve qualquer impacto no normal funcionamento dos nossos associados”, diz fonte oficial da associação que representa o sector.

A APED esteve nos últimos dois anos a negociar com os sindicatos um novo contrato coletivo de trabalho, sem sucesso, com os valores de aumento salarial e o tema do banco de horas, entre outros a dividir sindicatos e os representantes das empresas do sector.

“Um sector que gera milhões de euros de lucros (Continente – 154 269 200 euros, Pingo Doce – 45 464 049 euros, JMR – 24 376 957 euros, Auchan – 24 423 048 euros, Worten – 19 959 344 euros, p.ex.) recusa-se a negociar o aumento das tabelas salariais e coloca mais de 80% dos trabalhadores do sector com os salários equiparados ao salário mínimo nacional”, acusa o Sindicato, considerando inaceitável, que “trabalhadores com 20 e mais anos de antiguidade receberam, a 31 de janeiro de 2020, 635 euros de salário”.

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