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Greve sem serviços mínimos. Comboios falham todos os dias

Fotografia: José Carlos Pratas
Fotografia: José Carlos Pratas

CP deixa utentes apeados em Sintra e no Algarve. Empresa prevê “fortes perturbações” na sexta-feira.

Sexta-feira será difícil apanhar um comboio em Portugal. A CP e a Fertagus prevêem “fortes perturbações” na circulação devido à greve convocada pelos trabalhadores da empresa, da EMEF e da IP – Infraestruturas de Portugal e para a qual não foram definidos serviços mínimos pelo Tribunal Arbitral.

Mas os utentes das linhas de Sintra e do Algarve sentem diariamente as perturbações nos comboios por falta de material. Só na linha de Sintra, nas últimas duas semanas, registaram-se 51 supressões de comboios na hora de ponta, de manhã e ao final da tarde. A situação agravou-se nos últimos dois dias, depois do corte de um total de 18 viagens.

Ontem, por exemplo, avariou-se um comboio à saída do parque de material do Algueirão, no concelho de Sintra. Este problema levou ao corte de quatro comboios numa altura em que a CP deveria reforçar a oferta junto dos utentes.

A linha de Sintra e de Azambuja funciona com as automotoras elétricas 2300 e 2400 e ainda as 3500 (as únicas unidades de dois andares da CP). No caso das séries 2300 e 2400, há 50 unidades ao serviço das 56 registadas no parque – há seis automotoras que foram encostadas em 2013 enquanto aguardam a revisão de meia-vida; da série dos comboios de dois andares, há 10 unidades ao serviço de um parque total de 12 – há duas unidades que também estão a aguardar a revisão de meia-vida.

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No serviço urbano de Lisboa, as supressões na hora de ponta implicam que os restantes comboios circulem muito perto da capacidade máxima ou mesmo em sobrelotação, acelerando o desgaste destas composições, que datam da década de 1990.

A comissão de trabalhadores da CP lamenta que “os comboios continuem parados na oficina por falta de mão de obra”. Ontem, das 50 unidades ao serviço, havia 11 a aguardar manutenção. Ou seja, havia menos um comboio do que o mínimo necessário para garantir o serviço regular nesta linha, adiantou a mesma fonte ao Dinheiro Vivo.

Na EMEF, para já, só assinaram contrato 30 pessoas das 102 anunciadas pelo Governo durante o verão, “estando em curso a contratação de 60 novos funcionários”. Os restantes 12 operários “estão em processo de seleção.

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Os cortes de comboios permanecem também na linha do Algarve, onde a CP tem suprimido pelo menos um ou dois comboios por dia. Esta linha funciona com as automotoras a gasóleo UDD 450, compradas em 1965. Aos 53 anos, este material não consegue cumprir os horários e requer manutenção constante. A sul, quando um comboio é suprimido, a próxima viagem só pode ser feita uma hora depois, no mínimo.

Utentes contestam

Os problemas na CP acabam por afetar revisores e dos funcionários de bilheteira, que são a cara da empresa pública de comboios. A contestação dos utentes é cada vez mais audível, assumem os sindicatos. “Admito que pontualmente haja maior agressividade. Mas não nos parece uma situação generalizada. Há compreensão para com os funcionários”, refere José Manuel Oliveira, dirigente da Fectrans – Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações.

O Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante denuncia que os funcionários são alvo de “várias ofensas verbais e até há um sentimento de humilhação”, lamenta Luís Bravo.

Greve de 24 horas

E os problemas vão agravar-se depois de amanhã. Os trabalhadores da CP, da EMEF e da Infraestruturas de Portugal (IP) vão fazer uma greve de 24 horas na sexta-feira, em defesa da negociação de melhores condições de trabalho. José Manuel Oliveira duvida de que a paralisação ainda possa ser desconvocada. “Não nos parece que haja disponibilidade das empresas para conversas”, lamenta.

A própria CP alertou já para “fortes perturbações” na circulação de comboios na sexta-feira, devido à greve, prevendo supressões a nível nacional em todos os serviços. Tanto mais que o Tribunal Arbitral decidiu que não há razões para decretar serviços mínimos. “A conclusão a que se chega é a de que não se afigura adequado, ao abrigo dos critérios constitucionais e legais, a definição de serviços mínimos relativos à circulação das composições de transporte de passageiros, bem como à utilização das respetivas estruturas, por se tratar de uma greve de curta duração, de um dia apenas”, lê-se no acórdão, com a data de ontem.

“Não se reconhece que a circulação daquelas composições e a utilização das respetivas estruturas pudessem mostrar-se aptas à satisfação de necessidades sociais impreteríveis, designadamente em matéria de acesso aos cuidados de saúde, às escolas e a serviços de segurança nesse concreto contexto, havendo outros meios alternativos de transporte com aptidão à satisfação daquelas necessidades”, conclui

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