Greves e ameaças levam TAP aos primeiros prejuízos em 5 anos

22 dias de greves, fretamentos de aviões, atraso no recebimento de seis aeronaves encomendadas para o verão, problemas técnicos e indemnizações a passageiros. Foi este o cocktail que levou a TAP a registar, no ano passado, prejuízos de 46 milhões de euros, os primeiros em cinco anos. Sozinhos, estes problemas operacionais custaram 108 milhões à companhia aérea, em vésperas de arrancar o processo de privatização.

"Sabíamos que íamos ter um ano difícil e foi o que aconteceu", reconheceu ontem Fernando Pinto, na apresentação de contas. "Infelizmente os resultados no ano passado não foram bons, tivemos os problemas operacionais que tivemos, principalmente durante o verão. E uma série de greves, não normais na história da empresa, com uma concentração especialmente grande no verão e final do ano", afirmou o presidente da companhia aérea.

As perdas contrastam com os lucros de 34 milhões obtidos em 2013. Num ano em que a administração da transportadora apostava tudo no crescimento. Foi, aliás, esta perspetiva de crescimento que levou a companhia a abrir onze novas rotas e a comprar seis aviões. No entanto, a greve de zelo de pilotos e todos os problemas que se seguiram determinaram um verão negro. A TAP pagou 16 milhões de euros para fretar aeronaves e outros 12 milhões para indemnizar clientes. Já a transferência de tarifas de passageiros pesou 27 milhões de euros, a maior parte no final do ano. A degradação da tarifa, que também afetou companhias como a Lufthansa e que já tinha sido prevista pela IATA, foi maior: 53 milhões.

Mas problemas de manutenção ou questões de segurança não existem, garante Fernando Pinto, assumindo que "os problemas técnicos acontecem uma vez e não se repetem mais". A auditoria externa para avaliar as perturbações que afetaram os aviões do grupo durante o verão concluiu que "não houve um crescimento dos problemas técnicos. Houve antes uma concentração num determinado período, mas bem abaixo da média mundial", garantiu.

Apesar de tudo, a companhia aérea de bandeira transportou 11,4 milhões de pessoas no ano passado, como o Dinheiro Vivo adiantou na edição de ontem, um crescimento de 6,6%. Houve também um melhor aproveitamento das aeronaves, com a taxa de ocupação a subir para 80,6% - o melhor valor de sempre - e acima da média estimada pela IATA para a indústria (79,7%). Já as receitas subiram nove milhões, ascendendo a 2,5 mil milhões de euros.

Os custos com combustível também aumentaram mas, segundo Teresa Lopes, diretora-financeira da TAP, a subida ficou a dever-se a maiores aquisições para satisfazer as novas rotas e aviões.

Fernando Pinto ainda não fechou as contas do total do Grupo TAP, mas admite que a derrapagem da aviação possa não ser tão dramática no total da empresa. O presidente da TAP aguarda "boas surpresas" das outras empresas, nomeadamente da Manutenção e Engenharia Brasil. "Houve um desempenho de vendas melhor e a resolução de alguns aspetos" relacionados com a empresa, adiantou Fernando Pinto. Em declarações ao Dinheiro Vivo, o presidente da TAP disse mesmo que em 2015 o esperado break-even da empresa poderá mesmo acontecer. "Temos boas notícias dessa parte da operação". Se tudo correr em linha com o ano 2013, o grupo fechará com um prejuízo que rondará os 5 milhões de euros.

A administração da TAP, que está novamente a auxiliar o processo de venda da empresa, acredita que os números negativos de 2015 não deverão afetar o processo de privatização, até porque foram determinados por "eventos que aconteceram na vida de uma empresa e que são considerados fora do normal".

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