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Grupo canadiano anuncia investimento de 250 milhões nas minas de Neves Corvo

Minas de Neves Corvo
Minas de Neves Corvo

Projeto vai entrar em fase de licenciamento e visa duplicar a produção de zinco. Objetivo é ter a expansão concluída em meados de 2019

A empresa canadiana Lundin Mining, dona da Somincor, que explora as minas de Neves Corvo, vai investir 250 milhões de euros num projeto de expansão da mina na área do zinco, com o objetivo de duplicar a produção.

“Apresentámos um projeto técnico e ambiental para duplicar a produção de zinco, num investimento de 250 milhões de euros. Este é um projeto que durará cerca de dois anos e esperamos que esteja completo e em operação em meados de 2019”, afirmou o presidente-executivo da mineira, Paul Conibear, em conferência de imprensa.

O projeto vai empregar 300 a 350 pessoas na fase de construção e, quando estiver concluído, criará 200 novos postos de trabalho. A produção da mina vai passar de 1,1 milhões de toneladas anuais de zinco concentrado para 2,5 milhões de toneladas. O investimento também permite aumentar até 2027 a vida útil da mina.

O projeto terá agora de ser alvo das autorizações técnicas e ambientais. O secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches, presente na conferência de imprensa, afirmou que se está a trabalhar para “cumprir todos os prazos” e “criar condições” para a implementação do projeto sem, contudo, garantir que em dois anos o tema estará fechado.

“Nada está fechado, nada está concretizado. Foi uma boa reunião de trabalho que terá sucesso dependendo do empenhamento de todos”, disse Seguro Sanches aos jornalistas.

Questionado sobre se este projeto pode ser alvo de benefícios fiscais o governante garantiu que “nada está colocado em cima da mesa quanto a essa questão, o que está agora é o licenciamento. A haver incentivos é no mesmo quadro das restantes empresas”.

O presidente da Lundin Mining lembrou que a empresa já investiu 800 milhões de euros nos últimos 10 anos, tendo pago cerca de 350 milhões de euros em impostos.

O mais recente, em 2014, visava criar 300 postos de trabalho através de um investimento de 185 milhões de euros em cobre da Semblana, o que permitiria o prolongamento da vida útil da mina até 2027. Contudo, nos últimos dois anos, a mina não foi rentável devido à quebra no preço do cobre, admitiu o presidente da Lundin Mining, o que levou a esta nova aposta no zinco.

Em 2016 foram retiradas da mina de Neves Corvo 46,5 mil toneladas de cobre e 69,5 mil toneladas de zinco – abaixo das estimativas iniciais da empresa, segundo o relatório e contas da Lundin Mining.

Para 2017 o objetivo é reforçar a exploração de zinco e diminuir a exploração de cobre, tendo em conta a procura do mercado e a variação dos preços. As estimativas da empresa apontam para que a produção de cobre varie entre as 41.000 e as 46.000 toneladas. Nos anos seguintes a produção de cobre será entre 42.000 a 47.000 toneladas em 2018 e de 45.000 a 50.000 toneladas em 2019.

No zinco a estimativa para 2017 uma produção de 72.000 a 77.000 toneladas, acima das previsões deste ano: 70.000 a 73.000 toneladas. Nos anos seguintes será de 70.000 a 75.000 toneladas em 2018 e, depois, para 66.000 a 71.000 toneladas em 2019.

Seis mil milhões de euros de exportações

Desde o arranque da operação que já foram exportados mais de seis mil milhões de euros de minério de Neves Corvo.

A Somincor começou a exploração da mina em 1989. A empresa foi vendida em 2004 à Eurozinc que, em 2006, se fundiu com a Lundin Mining, grupo mineiro sueco-canadiano. A concessão continua a ser assegurada pela Somincor.

A Somincor emprega cerca de 2000 pessoas. “Temos sido um dos maiores exportadores de bens em Portugal”, afirmou o responsável da empresa mineira.

Além da exploração, existe ainda uma unidade de transformação até transformar a matéria-prima em preparado, que depois é exportado por ferrovia para os portos de Sines de Setúbal.

O anúncio do projeto contou com a presença dos representantes da Lundin Mining: o CEO, Paul Conibear e o chairman da Somincor, Mike Welch, assim como do secretário de Estado da Energia e do secretário de Estado do ambiente, Carlos Martins.

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