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Grupo Espírito Santo vende a Opway com urgência em leilão

Futuro incerto na Opway
Futuro incerto na Opway

Sem dinheiro para pagar os salários de janeiro, nem para renovar o alvará e em risco de perder a obra adjudicada pela Refer por não conseguir depositar a necessária caução, a construtora Opway, controlada pela Espírito Santo Internacional (ESI), vai ser vendida em leilão, com urgência. Já nesta segunda-feira. As ações estão penhoradas.

“É uma grande trapalhada!” É como os concorrentes à compra da Opway classificam todo o processo de venda da construtora. Primeiro, em outubro de 2014, foram expressamente convidados a apresentar propostas pelo acionista; agora, na sexta-feira, a ESI, uma das empresas do GES, comunicou por e-mail que afinal a empresa vai ser vendida por leilão competitivo entre os quatro concorrentes que tinham apresentado propostas de compra.

E qual é a justificação dada para a “inaceitável mudança de regras a meio do jogo”? A ESI explica que as ações da Opway estão penhoradas porque foram dadas em garantia à Esfil – Espírito Santo Financière, empresa detida a 100% pela Espírito Santo Finantial Group, entidades cujo processo de insolvência ainda corre no Tribunal do Luxemburgo. Caetano Beirão da Veiga, o responsável pela ESI e que tem a seu cargo a operação de venda da Opway, argumenta que só teve conhecimento deste facto em dezembro, mas que isso obriga formalmente “à abertura de um novo processo, que se pretende expedito, na medida em que a transação tem de estar concluída num horizonte temporal muito curto”, explicou ao Dinheiro Vivo fonte próxima do processo. Uma outra diz que o acionista invoca a lei luxemburguesa que impede compensações de créditos em sociedades insolventes.

A venda assume caráter de urgência, perante a necessidade de nomear uma nova administração na construtora – Almerindo Marques e a sua equipa renunciaram aos cargos em dezembro e deixaram formalmente de ser administradores desde ontem, tentando pressionar a ESI a acelerar o negócio, já que a “falta de liquidez” da Opway e a “ausência total de crédito” estava a “estrangular a capacidade operacional” da empresa. E sobretudo porque é preciso obter cerca de um milhão de euros para pagar os salários de janeiro, mas também para renovar o alvará da construtora, sem o qual deixa de ter condições legais para continuar a operar, e para prestar caução na obra de eletrificação do porto de Aveiro, um contrato de 1,7 milhões de euros adjudicado pela Refer.

Sem condições para conseguir uma garantia bancária – a situação não é nova, já se colocou no verão, quando a Opway ganhou o concurso do túnel do Marão -, já que, com o descalabro do BES, a Opway deixou de ter qualquer relação com o sistema financeiro, pelo que não tem outra alternativa que não seja fazer um depósito em dinheiro à Refer. O Dinheiro Vivo sabe que esta é uma das várias parcelas que estão a ser pedidas aos potenciais interessados à cabeça.

E se para alguns dos candidatos à compra da Opway a questão da penhora das ações não constitui, em si, um verdadeiro problema, na medida em que é “juridicamente ultrapassável”, para outros é uma questão “sensível”, até porque a própria duplicidade de papéis de Almerindo Marques, simultaneamente gestor e candidato à compra da construtora através de um management buy out (MBO) cria algum mal-estar.

Certo é que a pressão e os “constrangimentos” colocados ao comprador levam a que os interessados assumam ter “sérias dúvidas” quanto à “durabilidade da solução encontrada. O acionista está preocupado em cumprir todos os formalismos para que ninguém possa levantar qualquer questão, mas é completamente alheio ao destino da empresa. Falta alguém que se preocupe com o dia seguinte”.

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