Indústria

Grupo Kyaia investe 4,5 milhões de euros em calçado e turismo

Empresário Fortunato Frederico, do grupo Kyaia. Fotografia: Pedro Correia / Global Imagens
Empresário Fortunato Frederico, do grupo Kyaia. Fotografia: Pedro Correia / Global Imagens

Maior grupo de calçado nacional está apostado em contrariar a crise no retalho com novas formas de vender, que deverá revelar em março

A Kyaia, o maior grupo português de calçado, está a investir 4,5 milhões de euros, dois dos quais no turismo. Fortunato Frederico está a reabilitar dois prédios que comprou no centro de Guimarães, sendo que o objetivo é alugar os apartamentos. “Não estamos no negócio imobiliário, não fazemos reabilitação para vender. Mas já estamos no Turismo, com a Quinta da Eira do Sol, e acreditamos que esta é uma área em que vale a pena apostar porque a experiência que temos é que há procura”, adiantou o empresário ao Dinheiro Vivo.

Em termos industriais, Fortunato está a investir 1,5 milhões de euros no projeto de expansão da sua fábrica em Guimarães, com a construção de quatro novos pavilhões, que deverão estar prontos no fim do verão. “O contrato é para estarem prontos em outubro”, diz o empresário.

O investimento destina-se a aumentar a capacidade produtiva da Kyaia que pretende, em 2020, estar a faturar 110 milhões de euros. Em 2017, o grupo teve um volume de negócios de 65 milhões de euros (50% dos quais obtidos pela Fly London), um valor sensivelmente idêntico ao do ano anterior, mas em que as vendas da marca caíram 12% só no mercado britânico. Em compensação, nos Estados Unidos cresceram 20%.

“Foi um ano muito difícil. Os mercados estão complicados e o mercado do retalho está em grande transformação e turbulência”, explica, por seu turno, o sócio Amílcar Monteiro, que falou ao Dinheiro Vivo no seu stand da Micam, em Milão. “Os canais estão a alterar-se e há uma série de novos players, nomeadamente no online”, destaca, lembrando que a nova geração de consumidores “não vai às lojas”.

Como em todas as revoluções, refere Amílcar Monteiro, “há muita gente a ganhar quota de mercado e dinheiro e muita gente a perder negócio e a sair”. Mas como todos continuaremos a andar calçado, frisa o empresário, é tudo uma questão de “encontrar soluções na área do multicanal, descobrindo novas formas de vender”. Como? “Temos ideias, estamos a trabalhar nelas, muito em breve teremos notícias”, promete Amílcar.

Fortunato Frederico também não abre o jogo, só adianta que o investimento associado é de um milhão de euros. Recorde-se que a Kyaia investiu, há alguns anos, na criação de uma fábrica para produção costumizada de calçado para dar resposta célere às encomendas digitais.

No âmbito do projeto High Speed Shoe Factory desenvolveu, também, módulos de apoio ao e-commerce e uma loja inteligente. Mais tarde, criou uma software house para desenvolver sistemas para o grupo e para o mercado. Tudo indica que a realidade aumentada adequada ao setor do calçado seja, também, um novo desenvolvimento.

*A jornalista viajou para Milão a convite da APICCAPS

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