Turismo

Grupo Pestana preocupado com impacto de obras do Porto de Setúbal

Porto de Setúbal(Carlos Costa/Global Imagens)
Porto de Setúbal(Carlos Costa/Global Imagens)

O grupo hoteleiro põe em causa estudo de impacto ambiental que valorizou ganhos económicos em detrimento de aspetos ambientais.

O Pestana Hotel Group vem juntar-se às críticas das organizações ambientalistas que temem os efeitos da retirada de areias do estuário do Sado com o projeto de alargamento do canal de acesso ao Porto de Setúbal. A posição é manifestada em comunicado do grupo que põe em causa as prioridades do estudo de impacto ambiental avaliado, com parecer favorável, pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

“Tudo indica que o estudo de impacto ambiental que sustenta este projeto valoriza mais os aspetos económicos e o interesse industrial, relegando para segundo plano consequências como o depósito de sedimentos frente a zonas balneares onde se inserem diversos complexos turísticos, o desassoreamento das praias, a afetação das colónias de golfinhos e a destruição de fundos e reservas de pesca”.

As obras do Porto de Setúbal, iniciadas este mês, preveem a retirada de mais de mais de seis milhões de metros cúbicos de areia do leito do estuário. A APA, que deu parecer positivo ao estudo de impacto ambiental das dragagens, admitiu que estas vão “criar desequilíbrios na dinâmica natural do delta do estuário do Sado, gerando impactes negativos, diretos e indiretos”.

Ainda assim, justificou a decisão com os ganhos para a economia. “Considerou-se que o fator determinante nesta avaliação é a socioeconomia, e que a geologia e geomorfologia e a hidrodinâmica, a ecologia, os recursos marinhos, o património e e a paisagem são fatores relevantes”, referia a declaração de avaliação de impacto ambiental emitida pela agência.

Consultado no processo, também o Turismo de Portugal não manifestou oposição, considerando que os efeitos positivos da obra vão suplantar os negativos.

Mas o grupo Pestana discorda. E manifesta “profunda preocupação” com as “possíveis consequências ambientais sobre o estuário do Sado e a península de Troia”.

“Não se percebe como um projeto com este impacto ambiental está a avançar, tendo em conta que, até à data, todos os projetos turísticos desenvolvidos na região foram submetidos a rigorosas restrições ambientais, em função da sua inserção ou proximidade com a Reserva Ecológica ou Rede Natura 2000”, afirma no comunicado José Roquette, responsável pelos projetos do grupo.

O responsável do Pestana junta ainda que a estes projetos “foram impostas, e aceites, grandes limitações no que respeita ao impacto nesta região tão sensível; isto apesar de, obviamente, não serem geradores de quaisquer fatores de poluição”.

Diz ser agora “incompreensível, e de enorme irresponsabilidade, que se ponha em risco todo o ecossistema do estuário do Sado e da península de Troia”.

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