Grupo TAP com prejuízos de 105,6 milhões de euros

A TAP SGPS registou prejuízos de mais de 105 milhões de euros nos 12 meses de 2019.

A TAP SGPS (que tem empresas participadas como a TAP Air Portugal; a TAPGER, a Portugália, a Aeropar Participações, a TAP Manutenção e Engenharia Brasil, S.A. e Groundforce Portugal) registou prejuízos de 105,6 milhões de euros em 2019. No ano anterior, o grupo TAP tinha registado um resultado líquido negativo de 118 milhões de euros, devido sobretudo a três fatores: preços dos combustíveis, a operação no Brasil e as indemnizações por atrasos. Em 2019, o forte investimento e os custos associados à entrada em operação dos novos aviões ajudam a explicar os prejuízos.

No primeiro semestre do ano de 2019, o grupo tinha registado prejuízos de quase 120 milhões de euros. Contudo, e de acordo com o comunicado enviado pela TAP às redações, nos últimos seis meses do ano, o grupo de aviação registou um lucro de 14,1 milhões de euros, o que "atenua prejuízo anual de 105,6 milhões de euros". Esta evolução na última metade do ano é justificada "sobretudo pelo investimento realizado nos últimos 18 meses. O número de passageiros transportados cresceu 11% no segundo semestre, face a um crescimento de 5% no primeiro semestre do ano. A receita de passageiros também cresceu, aumentando 9%, em contraste com o crescimento nulo do primeiro semestre".

A empresa liderada por Antonoaldo Neves foi uma das que mais investiu ao longo do ano passado, tendo o investimento superado a fasquia dos 1,5 mil milhões de euros, "incluindo a compra de 30 aviões novos que permitiu a renovação de 70% da frota de longo curso". "O processo que envolve a gestão da entrada das 30 novas aeronaves e a saída de 18 antigas teve um impacto financeiro negativo de 55 milhões de euros no resultado do ano. Contudo, a renovação da frota foi determinante, no segundo semestre, para melhorar a eficiência (custo operacional mais baixo) e a satisfação do cliente", diz o grupo em comunicado.

As viagens de longo curso têm sido uma aposta. No ano passado, foram inauguradas 11 novas rotas, algumas para o mercado norte-americano, sendo que, no total, no final de 2019, a TAP contava com nove rotas para os EUA. Desde 2015, a TAP passou de três rotas e 16 frequências semanais, para nove rotas e 56 frequências semanais em 2019. "Com sete novas rotas no mercado norte-americano, o aumento de passageiros transportados entre 2015 e 2019 foi de 179%, acompanhando uma oferta de lugares que praticamente quadruplicou nos últimos quatro anos. Aposta neste mercado continua, e em 2020 a companhia planeia operar para 11 rotas e 82 frequências semanais para a América do Norte".

Além disso, cinco das sete rotas de longo curso mais rentáveis da transportadora são para a América do Norte. A empresa admite mesmo que este mercado pode permitir "compensar a volatilidade do mercado brasileiro, que tem dado sinais de recuperação nos últimos meses. A TAP operava em 2015 um total de 77 frequências para o Brasil, subindo para 85 em 2019".

A abertura de novas ligações aéreas ajudam a explicar também o crescimento do número de passageiros transportados. Foram mais de 17 milhões de pessoas em 2019, o que representa uma subida de 8% face a 2018. Quanto ao número de funcionários, entre 2015 a 2019, o grupo criou perto de dois mil novos postos de trabalho, passando de 8 615, em 2015, para 10 617 em 2019.

O resultado operacional da TAP SGPS passou "de prejuízo de 44 milhões de euros em 2018 para lucro de 58,6 milhões de euros em 2019, reflexo da consolidação da eficiência nos custos e recuperação da receita no segundo semestre, gerando um incremento de 102,6 milhões de euros no lucro operacional".

Quanto ao financiamento, em 2019, a TAP financiou-se no mercado de capitais nacional e internacional, no valor total de de 575 milhões de euros, "mantendo uma posição muito saudável de tesouraria e alongando o prazo de maturidade da sua dívida".

Pontualidade

Uma das bandeiras em 2019 do grupo TAP foi melhorar os níveis de pontualidade da companhia aérea. Depois de, em 2018, a fatura dos atrasos ter ascendido a 41 milhões de euros (foram pagos 22 milhões em indemnizações e necessários 19 milhões para fretar aviões para realizar voos para os quais não tinha aeronaves disponíveis", a realidade do ano passado é já diferente.

"A TAP investe fortemente na pontualidade, melhorando 6 pontos percentuais, e na regularidade da operação, que se situa nos 99,2%, em comparação com os 98,2% registados em 2018, representado cerca de menos 1400 voos cancelados que o ano passado ", altura em que a companhia tinha cancelado 2490 voos.

Um dos meios para evitar o cancelamento de voos que a empresa tem em curso é manter três aviões de reserva, algo que tem "um custo de centenas de milhares de euros por ano, para normalizar rapidamente qualquer irregularidade da operação". Contudo, a companhia liderada por Antonoaldo Neves não deixa de apontar o dedo à "falta de investimento na capacidade do aeroporto de Lisboa e o congestionamento do espaço aéreo" para justificar algum do impacto negativo na pontualidade. "Em 2019 a TAP foi penalizada entre 30 milhões de euros a 35 milhões de euros em resultado da ineficácia da infraestrutura".

(Notícia atualizada pela última vez às 8:57)

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