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Grupo Valérius: “O têxtil ainda vive sobre castelos de areia”

José Manuel Vilas Boas Ferreira, CEO do Grupo Valérius, aposta na inovação em sustentabilidade para criar negócios novos.
Foto: Artur Machado / Global Imagens
José Manuel Vilas Boas Ferreira, CEO do Grupo Valérius, aposta na inovação em sustentabilidade para criar negócios novos. Foto: Artur Machado / Global Imagens

Comércio online é uma oportunidade para as empresas têxteis portuguesas, defende José Manuel Vilas Boas Ferreira, CEO do Grupo Valérius.

Exportar é como respirar, na empresa têxtil Valérius, em Barcelos, onde cerca de 98% das vendas são feitas para fora do país. O crescimento será em volume de vendas (32 milhões de euros este ano) e “a dois dígitos”, como sucedeu entre 2015 e 2016.

José Manuel Vilas Boas Ferreira, chairman do Conselho de Administração, diz que “a indústria têxtil portuguesa ainda assenta sobre castelos de areia”, porque “a incerteza que trouxe as encomendas de volta da Ásia para Portugal pode transformar-se em certeza e tornar a levar a produção”. Como “não podemos competir pelo preço”, o foco está em manter a flexibilidade que permite produzir séries pequenas em espaços de tempo apertados. E inovar para criar negócio, tal como prevê o plano de 10 milhões de euros que a Valérius implementou para assegurar que os clientes do vestuário de gama média-alta e alta que produz podem continuar a encomendar enquanto poupam milhões de euros.

“Fizemos um estudo, que só será apresentado no primeiro semestre de 2018, que contabiliza o custo de armazenamento de toneladas de peças de vestuário que as marcas têm guardadas por essa Europa fora. Vamos propor resolver esse problema: vamos recuperar essas peças e dar-lhe uma vida nova, sem que percam valor”, desvenda o chairman da Valérius. A reciclagem têxtil não é novidade, mas “geralmente é com trapos produzidas nos países de Terceiro Mundo” e com matérias-primas de menor qualidade, pelo que a Valérius pode estar “entre as dez primeiras no Mundo a oferecer soluções ao longo da cadeia de valor”, à semelhança do que sucede no setor automóvel que “consegue valorizar cada parafuso de cada automóvel e reciclar” sem perder valor.

“Calculo que possa nascer aqui uma indústria nova, capaz de criar 10 mil postos de trabalho em Portugal”, refere.

Resolvendo o problema de “décadas de coleções paradas nos armazéns”, as marcas europeias de topo para quem a Valérius produz poderão encontrar, também em Barcelos e na indústria têxtil portuguesa mais ágil, a solução para a transformação que o comércio online de vestuário está a operar também na indústria.

“O crescimento das vendas online dá vantagem a Portugal porque as marcas não podem ir à Ásia buscar mil peças em quatro meses, mas nós fazemo-lo. Cada vez mais, as lojas físicas vão encerrar e o comércio online pede rapidez”, prevê o gestor.

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