Guia para os combustíveis simples. Saiba tudo o que muda nas bombas

A Cepsa vai ter apenas os simples e os premium, mas com apenas três cêntimos de diferença
A Cepsa vai ter apenas os simples e os premium, mas com apenas três cêntimos de diferença

Os combustíveis simples vão começar a ser vendidos em todos os postos de abastecimento do país a partir de sexta-feira, 17 de abril. Não porque as grandes marcas como a Galp, BP, Cepsa e Repsol, o tenham decidido, mas porque o Governo criou uma lei, aprovada a 16 de janeiro deste ano, que obrigada a vender esses produtos não aditivados e, por isso, supostamente mais baratos. Mas esta obrigação vai alterar por completo o mercado. Saiba como.

Onde é que os combustíveis simples vão ser vendidos?

Até agora, estes produtos não aditivados eram vendidos nas bombas dos super e hipermercados, mas a partir de sexta vão ser vendidos em todas as bombas do país, mesmo nas mais pequenas em zonas mais isoladas de Portugal.

Porque é que as marcas vão vender este produto?

Porque o Governo criou uma lei, aprovada pelo Parlamento no dia 16 de janeiro de 2015, que obriga todas as bombas de gasolina a ter estes combustíveis à venda. A ideia surgiu devido à crescente procura dos postos dos hipermercados – que têm já mais de 30% de quota de mercado – tendo o Executivo decidido que seria relevante para os consumidores tornar mais acessível a venda destes combustíveis mais baratos e estendê-la a todo o país.

Como é que sei quais são os combustíveis simples?

Eles vão ter de estar devidamente identificados. Assim, a mangueira do gasóleo terá um fundo preto e dirá gasóleo simples e a gasolina 95 terá um fundo verde e dirá gasolina simples.

E os outros combustíveis vão desaparecer?

Sim, mas não em todas as bombas nem em todas as marcas. Na Cepsa, BP e Repsol os combustíveis normais aditivados que se vendem hoje – e desde sempre – vão deixar de estar à venda. Passam a existir apenas combustíveis simples e combustíveis premium. Na Galp a opção foi ao contrário. Tirou o gasóleo e a gasolina 98 G Force para colocar os simples, manteve o combustível normal aditivado que sempre existiu e ainda os premium Hi Energy.

E o que é que vai ser vendido nos hipermercados?

Os hipermercados já vendiam combustíveis simples por isso não têm de fazer nada, apenas identificá-los com os dísticos definidos pelo Governo e já referidos em cima.

Então os combustíveis simples são os low cost?

Não.

Qual a diferença então?

O simples é o combustível que sai da refinaria, sem aditivos, e que todos compram à Galp e usam com ou sem aditivos. Tem um preço/litro de referência que, a 16 de abril, era de 1,112 euros no gasóleo e 1,346 euros na gasolina. O low cost, na prática, não existe porque o que existe é um modelo de negócio low cost. Assim. O combustível low cost é exatamente igual ao simples mas é o que se vende apenas nos super e hipermercados e chama-se assim por serem mais baratos.

Então quer dizer que os combustíveis simples vão ser mais baratos?

Não. Os super e hipermercados não têm tantos custos como as grandes marcas, ou seja, não têm lojas nem empregados para suportar, e por isso, podem aplicar preços mais baixos. Ora, mesmo vendendo simples, as grandes marcas continuam a ter esses custos e, como tal, vão praticar preços mais altos para o mesmo tipo de combustível.

Quanto vão custar os simples?

Só na sexta é que se saberá, mas eles serão mais caros que o preço de referência e ainda que os preços dos super e hipermercados – que são uns 2 a 3 cêntimos mais caros que a referência, mas que têm um desconto de oito a 12 cêntimos face ao combustível normal aditivado. Além disso, como desaparecem os combustíveis normais, tudo indica que os simples vão custar quase o mesmo ou o mesmo que o produto que se vende hoje e que é aditivado.

Já alguma empresa oficializou isso?

Sim, a Cepsa. A empresa retirou os produtos normais e só vai vender os simples e os premium, neste caso a gama Optima, mas decidiu baixar os preços dos premium. De acordo com a empresa, os premium e os simples passam a ter a uma diferença de apenas três cêntimos, ou seja, o gasóleo simples custará 1,289 euros por litro e a Optima 1,319. Já a gasolina 95 simples ficará nos 1,539 euros por litro e nos 1,569 euros por litro a Optima, mas na segunda podem subir ou descer como acontece todas as semanas por causa da cotação do petróleo.

Com tudo isto, que combustíveis vão estar disponíveis no mercado?

São quatro. Os simples que se vão vender em todo o lado e que ainda não se sabe a que preço mas que será mais caro que o esperado; os low cost que se são os simples a preços mais baixos; o normal que é produto que se vende desde sempre em todas as bombas e que é combustível simples depois de aditivado e reforçado com anti-espuma, antioxidantes e manganésio para puxar mais pelo motor. Os preços são definidos pelas marcas e pela média da DGE de 14 de abril, o gasóleo custava 1,22 euros/litro e a gasolina 95 estava nos 1,48 euros/litro. Há ainda os premium que são os simples com ainda mais aditivos e que são até 10 cêntimos mais caros que os normais.

E os combustíveis simples fazem mal ao carro?

Há dois anos a Deco fez um estudo que indicava que não havia qualquer diferença entre os vários tipos de combustível, a não ser o preço. Mas agora, noticia o Jornal de Negócios, quer que se verifique a qualidade dos premium. Fonte do mercado disse ao Dinheiro Vivo que a diferença entre o simples, que é o que sai da refinaria, e o combustível normal aditivado é “insignificante” porque o simples já é “um bom produto para o motor”. Aliás, “tem de ser porque é a norma europeia”, acrescentou.

Como é que posso saber que aditivos foram colocados?

A nova lei obriga ainda as empresas a ter, junto das mangueiras, uma nota a identificar as características dos produtos e os aditivos que tem. Para que os consumidores possam escolher de forma mais informada. As marcas não concordam com a obrigação de vender os simples, mas concordam com esta medida.

O que acontece às empresas se o combustível não estiver à venda na sexta?

O Governo definiu multas que vão entre os seis e os 60 mil euros. Mas as marcas ainda têm até 4 de maio para identificar os tipos de combustível que estão a vender, por isso, se for a uma bomba e não estiver identificado as empresas não estão ainda em incumprimento.

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