Pedro Queiroz Pereira

Há mais do que papel e cimento no horizonte de Pedro Queiroz Pereira

O empresário Pedro Queiroz Pereira. Foto: Rodrigo Cabrita/Global Imagens
O empresário Pedro Queiroz Pereira. Foto: Rodrigo Cabrita/Global Imagens

Empresário português, dono da The Navigator Company (ex-Portucel) e da Secil, quer investir noutro tipo de negócios, mas não em Portugal.

Pedro Queiroz Pereira é dono da Semapa, a holding que detém a Secil, que produz cimento, e ainda a The Navigator Company, a ex-Portucel Sporcel que produz papel e pasta de papel, mas no horizonte do empresário português há outras áreas de negócio para investir e até já está à procura de oportunidades.

Segundo apurou o Dinheiro Vivo, Queiroz Pereira já tem vários analistas a fazer prospeção de mercado e a estudar quais os melhores investimentos a realizar. Para já, não há nenhuma área preferida ou descartada, mas o foco poderá pender mais para os projetos industriais, mas também podem ser de energia, renováveis ou mesmo imobiliário.

Turismo é que será, à partida, menos provável, dado que o empresário vendeu, esta semana, o hotel Villa Magna, em Madrid, aos turcos da Dogus Holding. Ainda que, sabe o Dinheiro Vivo, esta operação não tenha sido realizada por falta de interesse no sector, até porque ele está a crescer em Espanha e o Villa Magna tem estado a ter um bom desempenho. Em 2014, por exemplo, o hotel faturou 23,4 milhões de euros, mais 19,36% do que no ano antes, e um lucro de 6,2 milhões de euros, mais 62,75%.

A venda do hotel espanhol explica-se pelo interesse dos investidores, muitos deles estrangeiros, neste tipo de ativos e pelo tipo de ofertas que Queiroz Pereira recebeu ao longo do ano passado. Apesar de o valor não ter sido divulgado e se manter confidencial, fontes do mercado apontam para que o imóvel tenha sido vendido por 190 milhões de euros, o que representa um ganho de 40 milhões para o empresário português. Isto tendo em conta que ele pagou 100 milhões para o comprar em 2001 e depois investiu mais 50 milhões em 2007 para o remodelar.

Diversificar portfolio

Não é de estranhar que Pedro Queiroz Pereira queira investir noutras áreas de negócio. Qualquer empresário procura diversificar o seu portfolio e é isso que ele está a fazer, principalmente agora que tem mais dinheiro para aplicar.

Não só o que ganhou com a venda do Villa Magna mas também o dinheiro ganho nas suas duas empresas principais, principalmente a The Navigator Company, que é hoje uma estrela do grupo. De acordo com as contas de 2015, a ex-Portucel Soporcel atingiu um volume de negócios de 1,6 mil milhões de euros no ano passado, dos quais 75% conseguidos com a avenda de papel. Foi o valor mais elevado de sempre e um crescimento de 5,6% face a 2014. Além disso, apresentou lucros de 196,4 milhões, mais 8,2%.

Portugal fora do radar

Todos estes novos investimentos que Queiroz Pereira está à procura serão fora de Portugal. O foco são mesmo outros países da Europa e, principalmente, os EUA. Aliás, a fábrica de pellets (aglomerados de madeira para a produção de energia industrial ou doméstica) que a The Navigator Company vai abrir no estado da Carolina do Sul no terceiro trimestre deste ano foi já uma oportunidade para diversificar negócio que o empresário aproveitou.

A mudança de nome da Portucel Soporcel não foi por acaso. Serviu para uniformizar a empresa e para a tornar mais moderna e internacional. Porque é lá fora que Pedro Queiroz Pereira quer apostar agora.

Além da fábrica nos EUA, a Secil abriu também uma unidade no Brasil e está em curso uma plantação de eucaliptos em Moçambique para, daqui a cinco anos, se avançar com uma fábrica de pasta de papel. E em recente entrevista ao Expresso, o empresário explica que enquanto não sentir que há estabilidade política em Portugal vai ver-se forçado a adiar os investimentos no país.

No entanto, continua a ser cá que tanto a Secil como a The Navigator Company têm a sua atividade principal e é daqui que exportam, neste caso, a Navigator que representa 3% do total das exportações nacionais.

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