Habitação. Soluções rápidas, ecológicas e económicas ganham terreno

Empresa que constrói casas modulares com estrutura de contentores marítimos, regista elevada procura entre os mais novos.

As exigências de quem procura casa estão a sofrer alterações devido ao contexto pandémico. Os portugueses têm procurado casas com mais área, fora das grandes cidades, com espaços exteriores e maior privacidade, numa tentativa de desconfinar, confinados. São tendências que incluem maiores preocupações com a sustentabilidade e as alterações climáticas. E esses novos comportamentos e formas de estar estão a impulsionar o negócio da JGDS-Casas Modulares, empresa especializada na construção de residências com estrutura de contentores marítimos. As suas casas à medida, de orçamento reduzido e de rápida edificação, estão a conquistar especialmente os casais mais jovens.

A empresa de Paços de Ferreira que, entre outros projetos, foi responsável pela construção de 48 casas no eco-resort Zmar, prevê para este ano um aumento de 30% nas vendas, em resultado da procura do segmento populacional mais jovem. Segundo Jorge Silva, CEO e fundador da JGDS, 36% dos clientes são casais até aos 40 anos, que querem uma casa modular devido ao preço - 25% a 50% mais baixo do que o das casas tradicionais -, mas também por uma crescente preocupação ecológica. É que esta solução é menos poluente e mais eficiente a nível energético. Cereja no topo do bolo, o tempo de edificação é, em média, de seis meses, enquanto uma moradia demora pelo menos 18 meses. Realça ter verificado "um aumento da procura devido à mudança que muitos pretendem fazer da cidade para o campo, construindo vivendas de uma forma mais económica e rápida".

A força do aço

As casas modulares da JGDS são construídas com estrutura em aço corten de contentores marítimos em fim de vida, material com elevada resistência a fenómenos da natureza, como sismos e tempestades, anticorrosivo e com uma durabilidade de 90 anos. Como sublinha Jorge Silva, estes contentores têm "um tempo médio de utilização que não vai além dos 15 anos, acabando, após esse período, por ser retirados do transporte de carga", mas mantêm um "enorme um potencial de utilização". A força deste material permite erigir com total segurança edifícios com até sete pisos, sendo que estas casas podem também obter a certificação de construção sustentável LíderA, desenvolvida no Instituto Superior Técnico, assim como a classificação energética A.

Os clientes podem optar por um projeto arquitetónico próprio, conceber a moradia com apoio da equipa interna da empresa, assim como escolher um dos vários modelos que integram o catálogo da JGDS.

O processo é simples. Como em qualquer outro projeto residencial e depois de assegurado que o terreno onde será instalada a casa tem viabilidade construtiva, é necessário obter a licença de construção. Essa é a primeira etapa, mas dado o seu caráter modular, a construção pode ser feita no estaleiro da empresa e posteriormente o imóvel ser transportado e finalizado já no terreno, após a obtenção do licenciamento e enquanto decorrem os projetos de especialidade.

Segundo Jorge Silva, esta antecipação permite que a casa esteja apta a ser habitada num ano, enquanto numa moradia em alvenaria o processo pode prolongar-se por três.

O sistema lembra um pouco o clássico brinquedo Lego. Em Paços de Ferreira é feita a adaptação dos contentores e a aplicação dos isolamentos e tubagens; já com as janelas, portas e casas de banho, a casa é transportada em módulos e concluída no local. A título de exemplo, o responsável revela que uma casa da JGDS térrea, com 100 metros quadrados, instalada a 100 quilómetros da sede da empresa, custa em média 95 mil euros.

A JGDS, constituída em 2001, responde pela construção de mais de 400 casas, entre Portugal, Marrocos, França, Bélgica, Suíça, Holanda e Luxemburgo. O principal negócio são as moradias, mas a empresa tem também experiência de construção de equipamentos de restauração, pool-houses, bungalows, eco-resorts e instalações sociais.

Neste momento, tem em mãos o projeto de uma igreja em Coimbra e de um lar em Sobral de Monte Agraço. No ano passado, as vendas atingiram os 384 mil euros, um crescimento de 10% face a 2019.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de