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Halibut. As muitas vidas da pomada que tem nome de peixe

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A Medinfar ultrapassou, em 2017, a marca de um milhão de unidades de Halibut. Para 2018 está prometido um rebrandind e novos produtos da marca.

Nasceu em 1950, pelas mãos dos laboratórios espanhóis Andrómaco, e deve o seu nome a um peixe que vive nas profundezas do Atlântico, de aspeto achatado, olho cinzento de um lado e outro branco, e cego, do outro. Halibut, uma das marcas mais conhecidas em Portugal e pomada de eleição para a muda da fralda dos bebés ao logo de gerações, é na verdade sinónimo de alabote, um peixe que esconde no seu interior valiosos óleos de fígado ricos em vitamina A e D, altamente cicatrizantes.

Hoje em dia a fórmula da pomada mudou, e já não tem óleos de peixe, mas o nome, esse, manteve-se sempre inalterado. E tornou-se uma Marca de Confiança dos consumidores, distinção que recebe há três anos consecutivos. Desde 2014 é também eleita como Escolha do Consumidor.

“É a nossa marca mais conhecida, de longe. O Halibut é hoje uma aposta ganha. Reforçou muito a posição da Medinfar no mercado de consumer health e representa já 40% das vendas totais de 10 milhões de euros”, conta João Lopes, CEO do Grupo Medinfar, que faturou 65 milhões de euros em 2017.

O Halibut passou para as mãos da farmacêutica portuguesa em 2009, quando a gigante alemã Grunenthal decidiu desinvestir na marca. A Medinfar viu a oportunidade de negócio e somou o Halibut a outras marcas conhecidas, como o Oleoban, Trifene, DVine, Magnoral, entre outras.

“A Medinfar é forte no consumer health e achámos que o Halibut encaixava bem no nosso portfólio. Na altura foi um investimento significativo para comprar a marca. E ainda hoje é, não só ao nível do esforço que colocamos comercialmente no produto como também ao nível de investigação e desenvolvimento. O público não se apercebe, mas vamos inovando”, diz João Lopes.

“Nos últimos cinco anos, criámos cerca de quatro novas extensões de linha, independentemente das alterações nas próprias formulações de cada produto”. Lançado em 2017, o produto mais recente a chegar ao mercado sob a égide da marca Halibut é o linimento, um óleo de limpeza que promete complementar o Derma Creme (muda fraldas), que existe desde 2005.

Antes disso, o Halibut já tinha passado por várias mudanças do produto e da marca em Portugal: em 1997 atingiu a marca histórica de um milhão de unidades vendidas e em 2003 a velhinha embalagem de alumínio, que só se encontrava nas farmácias, foi substituída pela versão moderna em polyfoil e sofreu uma mudança gráfica para a imagem que hoje conhecemos. “Quando foi lançado, nos anos 50, o Halibut era muito virado para a cicatrização. Na década de 90 surgiu a mudança de posicionamento para a muda da fralda e as assaduras dos rabinhos dos bebés. A partir de 2010 quisemos reforçar ainda mais esse posicionamento”.

Para o final de 2018, João Lopes promete agora um novo rebranding do Halibut e ainda mais extensões de linha. Tudo isto a partir da Farmalabor, a fábrica do Grupo Medinfar em Condeixa-a-Nova, com uma capacidade instalada de 50 milhões de unidades por ano.

“No ano passado superamos um milhão de unidades na gama Halibut. A que mais continuamos a produzir ainda é a pomada original, mas o derma creme tem vindo a ter um desenvolvimento interessante e esperamos que continue a crescer com o lançamento do linimento”, diz o CEO, que antevê um crescimento de 18 milhões de unidades produzidas em 2017 para 25 milhões em 2018. Sendo que 40% desta produção é exportada e 50% é feita para clientes nacionais e internacionais. “Em 2017 registámos um aumento de 40% de unidade na produção para clientes. Tem sido uma área que tem crescido a dois dígitos todos os anos”.

Quanto ao Halibut, entre 15% e 20% do que sai da Farmalabor segue para exportação, para mercados como Espanha, Marrocos, duas dezenas de países africanos lusófonos e francófonos e Hong Kong. “A internacionalização é eixo estratégico da empresa. É normal que apareçam novos mercados”.

Além do porta-estandarte Halibut, a Medinfar é um grupo farmacêutico com outras áreas: veterinária, dispositivos médicos para hospitais, medicamentos sujeitos a receita médica, dermatologia, com mais de 1000 referências diferentes. Soma-se ainda, desde o ano 2000, uma filial em Marrocos com 30 trabalhadores. Na fábrica perto de Coimbra trabalham 150 pessoas em três áreas distintas: formulações sólidas (comprimidos, cápsulas), líquidas (champôs) e cremes (pomadas).

Com investimentos constantes na unidade de produção farmacêutica (o último de três milhões de euros do Portugal 2020), a marca Halibut tem vindo a beneficiar desta aposta. Na moderna fábrica, a pomada quase septuagenária é feita num reator, uma espécie de robô de cozinha gigante, com um agitador, onde se misturam e emulsionam componentes aquosos e oleosos.

A receita não é secreta, garante Pedro Varandas, responsável de produção, e inclui ingredientes como o óxido de zinco (que lhe confere o cheiro característico), vitamina A e D, e ainda água. Na linha de montagem, o Halibut é embalado a um ritmo de 80 bisnagas por minuto. Quanto ao futuro, remata o CEO, o Halibut vai continuar a viver dos produtos para muda da fralda e cicatrização.

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