mobilidade

Hive. “Devíamos ter uma taxa” para as trotinetes na cidade

Tristan Torres Velat, presidente executivo da Hive. (DR)
Tristan Torres Velat, presidente executivo da Hive. (DR)

“Mercado vai começar a consolidar-se depois do verão”, antecipa líder da empresa detida pelos grupos BMW e Daimler.

“É uma questão de ordem pública.” A Hive, uma das nove empresas que partilham trotinetes em Portugal, defende a criação de uma taxa pela ocupação das ruas por estes veículos. Esta posição foi manifestada por Tristan Torres Velat, líder da empresa detida pelos grupos BMW e Daimler, em entrevista ao Dinheiro Vivo.

“Devíamos ter uma taxa. Estamos a utilizar o espaço público e temos de contribuir para a cidade da mesma maneira que pagamos impostos aos 40 empregados que temos em Lisboa”, sustenta o gestor catalão. O município da capital não cobra nada às empresas que partilham trotinetes.

A ser cobrada, “esta taxa tem de ser regulada. Não é uma questão de segurança; é de ordem pública”, salienta o presidente executivo da empresa alemã. Em Paris, está a ser estudada uma taxa de pelo menos 50 euros por ano por veículo partilhado.

A Hive foi a segunda operadora a entrar no mercado português, no final de novembro. Chegaram mais sete empresas depois disso – calcula-se que haja mais de 5500 trotinetes a circular em Lisboa, de nove marcas.

Mas a ‘febre’ das trotinetes vai arrefecer, prevê o executivo. “O mercado vai começar a consolidar-se depois do verão. É um negócio que pode ser rentável mas depende de capital intensivo. É preciso comprar milhares de trotinetes elétricas e depois colocá-las na cidade, ainda antes de se ter qualquer receita.”

A Hive acredita que está fora do radar das fusões porque está integrada no grupo de mobilidade Now, empresa detida em 50% pela BMW e Daimler e que junta empresas de partilha de veículos, plataformas de transporte de passageiros e ainda plataformas de estacionamento.

Isso permite apostar em vendas cruzadas. Exemplo disso é a parceria com a Kapten: os utilizadores da plataforma de transportes poderão usufruir até 11 de junho de 40 minutos grátis na aplicação da Hive.

“Temos a porta aberta para qualquer tipo de mobilidade: é como termos o Cristiano Ronaldo, o Messi e o Neymar na mesma equipa. Contamos com milhões de clientes ativos no grupo e não estamos aqui apenas para termos uma boa avaliação e sairmos.”

Tristan Torres Velat acredita também que “as pessoas vão começar a distinguir as boas das más trotinetes, sobretudo por causa da segurança e do conforto”. É precisamente por isso que a empresa vai lançar um novo modelo de trotinete, já no próximo mês, mais resistente ao vandalismo e aos pisos degradados.

Presente em sete cidades de seis países, a empresa lembra ainda que “o clima é um fator muito importante” para determinar quais serão as próximas cidades a receber as trotinetes da Hive. Em Portugal, “estamos em conversações com os municípios do Porto e de Cascais”.

Com a capital portuguesa, o compromisso é de longo prazo. “Queremos estar em Lisboa nos próximos 10 ou 20 anos”.

O e-mail por causa das trotinetes recolhidas

O líder da Hive partilhou ainda um episódio que ocorreu há alguns meses, quando algumas das trotinetes da empresa foram recolhidas pela Polícia Municipal de Lisboa por estacionamento indevido.

Enviei um e-mail a cada um destes clientes e disse-lhes que por causa do estacionamento incorreto fomos multados. Mas não vos vamos cobrar pela coima; em vez disso, vamos oferecer-vos um código para continuarem a usar o nosso serviço. Da próxima vez, tenham cuidado com isso.”

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