Hotelaria deverá começar a reabrir em abril. Reservas até agora rondam 20% no verão

A hotelaria perdeu 3,2 mil milhões de euros no ano passado, de acordo com a AHP. Depois de um primeiro trimestre de 2021, com a maioria dos estabelecimentos encerrados, setor espera começar a abrir portas em abril. Ainda assim, nem todos devem estar abertos neste ano.

O inquérito da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) mostra que várias unidades hoteleiras estimam começar a reabrir a partir do próximo mês, ainda assim, será menos de 40% da oferta existente. Mesmo no final do ano, nem todos os estabelecimentos vão estar abertos.

Nos dois primeiros meses de 2021, indica o inquérito da associação, realizado entre 4 e 28 de fevereiro, mais de 64% da oferta hoteleira existente estava fechada - com destaque para o Algarve, onde mais de 80% estava de portas fechadas, Açores, com quase 70%, Norte com cerca de 64% fechado e Lisboa, com 62%. Além disso, quase 6,5% dos inquiridos admitiu que estavam abertos mas com diminuição da oferta.

O primeiro trimestre, já tinham indicado vários atores do turismo, está em grande parte perdido. Dado que a percentagem de unidades a funcionar é diminuta, a partir de abril, e segundo o inquérito, arrancará o "desconfinamento" para várias, contudo, menos de 40% da oferta. O processo de reabertura deverá ser gradual, acompanhando a expectável diminuição de restrições, sendo estimado que cerca de 70% da capacidade hoteleira junho/julho estará a funcionar, nível que deverá manter-se no resto do ano.

"Há um salto grande para abril", admitiu Cristina Siza Vieira, CEO da AHP, acrescentando que a partir do início do verão, deverá assistir-se a uma estabilização na casa dos 70%. "Cerca de 30% ou não têm perspetivas sobre quando reabrir, ou não vai reabrir, ou não sabe se vão reabrir até ao final do ano" indicou, concluindo que Portugal pode ter "30% dos estabelecimentos encerrados até ao final do ano de 2021".

Olhando para as várias regiões, "o Algarve é a que estima atingir o pico da abertura em junho e assim manter-se com cerca de 80% dos estabelecimentos abertos até ao final do ano. Muito preocupante é a região de Lisboa, começando as [reaberturas] partir de maio até julho". Cristina Siza Vieira admitiu que 2021 "vai ser um ano pobre em termos de oferta de alojamento porque vai haver pouca procura".

A AHP inquiriu os associados também em relação às reservas para este ano. A indefinição quanto à evolução da pandemia e também do processo de vacinação, tanto em Portugal, como na Europa, coloca ainda muitas dúvidas nos viajantes. Até ao final de fevereiro, quando terminou o inquérito, as unidades hoteleiras contavam com 14% de reservas para o próximo mês, 19% para maio, entre 23% e 25% entre junho e setembro, descendo depois para 22% em outubro e 15% em novembro.

Questionados sobre as perspetivas para a retoma para níveis de 2019, 30% dos inquiridos acredita que será alcançada no segundo semestre de 2022 e 18% no primeiro semestre de 2023. Ainda assim, 24% acredita que apenas ao longo do ano de 2024 será possível alcançar os níveis pré-pandémicos.

O conjunto de desafios e incógnitas para este ano é vasto. A retoma do transporte aéreo, o ritmo de vacinação, a evolução do turismo de negócios e os reembolsos de apoios e empréstimos, são alguns desafios e incógnitas identificados pela AHP.

Perda de 3,2 mil milhões em receita em 2020

A AHP, no balanço que faz a 2020, aponta que a perda de receita da hotelaria em 2020 ficou nos 3 270 milhões de euros. A taxa de ocupação nacional ficou na casa dos 26%, sendo que houve 65% de dormidas perdidas em 2020 face a 2019.

Com o turismo a travar a fundo, e a hotelaria a acompanhar, a maioria das unidades não canalizou a sua infraestrutura para outros fins. Segundo a AHP, 76% dos inquiridos assumiu que dão deu outra utilidade às unidades de alojamento e 17% assumiu que deu alojamento a profissionais de saúde.

Com a atividade muito reduzida, 96% do setor hoteleiro recorreu ao lay-off simplificado. Além disso, 75% dos inquiridos admitiu que recorreu ao apoio à retoma progressiva, 31% à linha de apoio à covid-19, 27% ao incentivo extraordinário à normalização da atividade empresarial e 22%.

Menos de 1% admitiu que avançou para um despedimento coletivo. O recurso ao lay-off, por exemplo, impedia as empresas de despedir nos 60 dias seguintes.

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