Investimento

Housers vai financiar construção de hotel em Alcobaça

João Távora.
(Leonardo Negrão / Global Imagens)
João Távora. (Leonardo Negrão / Global Imagens)

Pela primeira vez, a plataforma de crowdfunding Housers prevê angariar investimento para a construção de um hotel.

A três minutos a pé do Mosteiro de Alcobaça vai nascer o Honly Hotel. Dois edifícios residenciais devolutos do centro da cidade vão ser reabilitados e ampliados para dar lugar a uma unidade hoteleira com cinco pisos e 17 quartos.

Os imóveis vão ser adquiridos pela promotora Startup Forever, uma holding que atua em áreas como arquitetura, planeamento urbano e design de interiores, e que prepara agora a expansão para o setor hoteleiro.

A aquisição dos imóveis vai depender do financiamento da Housers. A plataforma de crowdfunding prevê angariar 156 mil euros e promete um retorno com taxa de juro fixa de 8% a 12 meses. O montante mínimo para investir é de 50 euros.

“O banco não participa nesta fase inicial. A promotora vai receber o empréstimo bancário quando tiver os dois imóveis. Sem a nossa ajuda não seria tão fácil arrancarem. Queremos que nos vejam como uma alternativa de financiamento de promotores que, junto do banco, talvez não conseguissem este primeiro empurrão”, explica ao Dinheiro Vivo o CEO da Housers Portugal, João Távora, que foi recentemente nomeado como Diretor de Mercados Internacionais da plataforma.

Este é o primeiro projeto que a Housers financia fora de Lisboa e do Porto. “Alcobaça é uma zona em expansão no que toca ao turismo, pela proximidade à Nazaré e a São Martinho do Porto, por exemplo”, sublinha João Távora.

O hotel terá como “tema”, acrescenta o responsável, a arquitetura e o design, tendo ainda “fortes preocupações com o ambiente e a sustentabilidade”. O objetivo é que seja autossustentável a nível energético.

Três milhões em 2019

A Housers, que entrou em Portugal em outubro do ano passado, vai fechar 2018 com mais de dois milhões de euros angariados entre investidores portugueses. Em 2019 esperam alcançar a marca dos três milhões.

A nível global João Távora destaca que no ano que passou, a plataforma triplicou, para 9 milhões de euros, o montante devolvido aos investidores, em forma de juros ou de retorno do capital investido.

Para o próximo ano, João Távora tem como meta ir além da captação de investidores. “Gostávamos de captar mais projetos localmente. Queremos chegar a mais promotores, principalmente aos mais pequenos que têm mais dificuldade em aceder a crédito. Foi uma área que explorámos menos inicialmente mas que queremos focar agora”.

O projeto de Alcobaça marca também o início da descentralização da Housers. “Lisboa e Porto eram mais fáceis para arrancar com os primeiros investimentos. Mas quando as pessoas ganham confiança na plataforma, acaba por ser indiferente a localização do imóvel.

A Housers tem mais de 95 mil utilizadores em todo o mundo e já captou cerca de 70 milhões de euros. Como em qualquer plataforma de crowdfunding, o retorno não é garantido, como sublinhou João Távora em entrevista ao Dinheiro Vivo.

“Avisamos que o capital não é garantido e que pode haver perdas. Mas perder tudo é muito difícil, nenhum dos nossos projetos entrou em default até agora. Claro que as coisas podem correr mal, mas isso é o risco de qualquer investimento imobiliário, não é só no crowdfunding. Quem não quer assumir riscos não investe em crowdfunding, prefere um depósito a prazo que paga 0,2% ao ano ou um certificado de aforro. Quanto maior o risco, maior será a rentabilidade”, conclui.

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