Hovione quer investir 20 milhões em startups

Peter Villax, presidente da Associação de Empresas Familiares. Foto: D.R.
18.10.2015 / 00:03

A Hovione Capital for Health tem cinco milhões de euros para investir em sete anos em startups na área da saúde, valor que no prazo de 18 meses quer elevar para 20 milhões, adiantou Peter Villax, CEO da sociedade de capital de risco, ao DN/Dinheiro Vivo.

A empresa de capital de risco está desde janeiro a analisar um total de 60 projetos. Destes “apenas um era inglês, todos os outros eram nacionais”. Dois desses projetos deverão receber, “nas próximas semanas”, a primeira injeção de capital, aposta que implica um investimento na ordem de 300 mil euros.

Peter Villax procura startups que desenvolvam soluções em áreas como dispositivos médicos, registos de saúde eletrónicos ou soluções de monitorização de doenças crónicas. Ou seja, excluídos, à partida, estão projetos da área do medicamento, apesar da atividade da casa mãe , a Hovione, ser o fabrico de princípios ativos para a indústria farmacêutica.

A razão é simples. “Tem a ver com a dimensão do investimento”, diz Peter Villax. “Para fazermos um investimento [na área do medicamento] e termos sucesso, precisamos de, no mínimo, 100 milhões, valor que pode subir para 250 ou 500 milhões”, diz. “E pode demorar entre 5 a 10 anos” para se obter resultados. Pelo tempo e volume de investimento que exige “não faz sentido apostarmos nesse género de projetos”.

A sociedade de capital de risco quer assim apostar no financiamento de empresas que desenvolvam aplicações ou software de análise na área da saúde, por exemplo. Ou seja, em projetos que “aliem os dispositivos médicos com a informática”.

O objetivo é avançar para estes projetos em situação de co-investimento. Neste momento, a Hovione Capital já tem como parceiros a ES Ventures e a Busy Angels, sociedades de capital de risco que focam a sua atividade no financimento de empresas de base tecnológica, incluindo startups que atuam na área de saúde.

A ES Ventures, por exemplo, participou este mês na segunda ronda de investimento para a portuguesa Codacy, no valor de um milhão de euros, e investiu em empresas como a LeaserLep (desenvolve um sistema para administrar medicação através da pele). Já a Busy Angels tem desde 2010 apoiado cerca de duas dezenas de startups, entre as quais a Magnomics (dispositivo médico para a deteção de bactérias), a Lymphact (tratamento de leucemia) ou Stemcell 2Max (expansão de células estaminais).

Um dos elementos que vão pesar na ponderação da Hovione Capital é se a empresa onde vão investir detém uma patente do produto/dispositivo com o qual querem avançar para o mercado.

“É muito importante”, frisa Peter Villax, ele próprio autor e inventor de patentes na área de saúde: criou um inalador de pó seco, o TwinCaps, que foi licenciado à japonesa Daiichi Sankyo para a administração de um anti-gripal. Reconhecendo a importância das patentes, neste momento a Hovione Capital já está a proceder a um registo de uma patente em nome de uma das empresas que estão a apoiar.

Numa primeira ronda de investimento, a Hovione Capital poderá apostar entre 50 a 250 mil euros, em troca de uma posição entre 10% a 20% da empresa. Poderá ser uma participação mais elevada, mas “é importante deixar com os mentores do projeto uma grande fatia do capital da sociedade, para motivá-los”, reforça Peter Villax que, juntamente com Miguel Calado (administrador financeiro) e Gonçalo Rebelo de Andrade (diretor-geral), irá avaliar os projetos que poderão ser apoiados pela Hovione Capital for Health.

O gestor quer aumentar o montante de capital que a sociedade tem disponível para investir. “Cinco milhões de euros não vão durar por muito tempo. Temos de ir buscar outras fontes de financiamento a outros investidores, para que, em 18 meses, possamos obter mais 15 milhões”, adianta o empresário.

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