Telecomunicações

Huawei pode ter acesso a mercado limitado também em França

(REUTERS/Thomas Peter)
(REUTERS/Thomas Peter)

Depois de EUA, Austrália, Nova Zelândia e Japão, autoridades francesas podem vedar 5G à multinacional chinesa, diz a Bloomberg.

França não vai barrar diretamente o mercado do 5G à Huawei, mas deverá impor salvaguardas para infraestruturas críticas que visam tacitamente a multinacional chinesa, avança esta sexta-feira a Bloomberg.

A maior operadora francesa, a Orange, já informou que não vai trabalhar com a fabricante de equipamentos de comunicações. Altice e Bouygues Telecom vão aguardar diretivas da Agência Nacional Francesa para a Segurança dos Sistemas de Informações (Anssi).

A Bloomberg cita 15 fontes com conhecimento dos esforços do governo francês para introduzir regras mais apertadas, algumas das quais confidenciais, que poderão resultar no veto à participação da Huawei no mercado de 5G francês.

Segundo a agência, o regulador francês exige já acesso pleno à tecnologia dos futuros fornecedores da rede, desde o código de software e cifras de encriptação a hardware – componentes críticas que têm de ser certificadas e que a Huawei, contrariamente a empresas como Nokia, Cisco ou Ericsson, ainda não submeteu aos reguladores.

Na Europa, o escrutínio sobre a Huawei tem vindo a aumentar na Alemanha, e também no Reino Unido. A britânica BT revelou na passada semana que pretende desfazer-se de equipamento adquirido à Huawei, depois de o chefe dos serviços de informações britânico ter alertado o governo de Londres contra a participação da multinacional chinesa no 5G.

A empresa foi já barrada nos Estados Unidos, Nova Zelândia, Austrália e Japão, devido a preocupações com a segurança das infraestruturas de rede. O grupo japonês Softbank anunciou entretanto ontem que vai também substituir os equipamentos da Huawei pelos das concorrentes Nokia e Erikson.

Em Portugal, João Cadete Matos, presidente do regulador de comunicações, a Anacom, disse ontem que não há “indícios para ter preocupação específica” com a Huawei.

A Altice Portugal irá trabalhar com a empresa no desenvolvimento da rede 5G em Portugal, com um acordo assinado a 5 de dezembro, e disse já não recear um bloqueio à participação da Huawei no mercado nacional. Também a Vodafone não vê razões para preocupação.

O comissário europeu para o Mercado Digital, Andrus Ansip, alertou na passada semana para as vulnerabilidades de segurança que pode implicar a obrigação legal de as empresas chinesas cooperarem com os serviços de informações do seu país, de acordo com a Lei de Informações Nacional da China, aprovada em junho do ano passado.

A Huawei Europa, porém, promete fazer tudo ao seu alcance para tranquilizar os diferentes reguladores nacionais europeus e a Comissão Europeia.

“Assumimos o compromisso de fazer tudo o que for preciso para uma transformação. Reestruturar a organização, reconstruir os processos, reconstruir os produtos”, disse em entrevista ao jornal Financial Times, ontem, Vincent Peng, responsável pelos mercados da Europa ocidental.

A Huawei tem na Europa um dos seus mais importantes mercados. Depois da China, Europa, Médio Oriente e África representam a zona do globo que é segunda maior fonte de receitas da multinacional, com 27,1% de quota.

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