IKEA Loulé. Governo prepara fundos para compensar lojistas

Comércio local tem protestado contra o projeto da marca sueca, que contempla uma loja, um centro comercial e um outlet.

É o maior investimento da IKEA em Portugal. O empreendimento no Algarve implicou 200 milhões de euros para a abertura de uma loja, inaugurada na passada quinta-feira, de um centro comercial e de um outlet, que a empresa promete ter prontos no verão e no outono deste ano, respetivamente. Os comerciantes locais não estão satisfeitos. “Nem é a loja da IKEA em si, essa até podia funcionar como âncora e atrair mais gente para a região. O problema são os outros dois espaços”, explica Álvaro Viegas, presidente da Associação do Comércio e Serviços da Região do Algarve (ACRAL).

O deputado comunista Paulo Sá, eleito pelo círculo de Faro, prometeu levar o assunto à Assembleia da República e, à pergunta feita no início do ano, o Governo respondeu estar a “preparar um conjunto estruturado de medidas para a revitalização do comércio local de proximidade, a lançar em 2017”.

Ao Dinheiro Vivo, o Ministério da Economia não adiantou pormenores, assegurando apenas que a iniciativa será lançada ainda no primeiro semestre do ano. Mas Álvaro Viegas adiantou do que se trata. “O Governo criou um grupo de trabalho do qual a ACRAL faz parte. Basicamente está a ser preparado um sistema de incentivo à modernização do comércio local. Ou seja, é uma linha de crédito para revitalizar as lojas dos centros históricos, o que a nós nos parece manifestamente pouco”, indica.

Desde o arranque do projeto da IKEA no Algarve que o desenrolar do processo foi marcado por confrontos da marca sueca com os pequenos comerciantes nos tribunais. Depois de sucessivas providências cautelares, a gigante do imobiliário interpôs um processo contra as associações locais, pedindo uma indemnização de dois milhões de euros pelos atrasos provocados. “Acabámos por abandonar as nossas ações e eles fizeram o mesmo”, conta o presidente da ACRAL, “e fomos propor às autarquias um conjunto de medidas de compensação”. Os municípios não deram resposta. “Tiveram uma postura errada de passividade. Preferem esperar para ver o que vai acontecer”.

Mas a IKEA acredita que está a ter um impacto positivo na economia do Algarve. “Se pensarmos em termos de emprego, criámos 200 postos de trabalho e esse número vai subir para os 250 durante o verão. E 85% são empregados locais. Construímos também dinâmicas com outras companhias, tal como empresas de transporte e fornecedores de serviços. Desde que começámos o projeto, já fomos responsáveis por 5000 noites em hotéis. Acreditamos que vamos trazer um impacto positivo à economia local e quando o centro comercial e o outlet abrirem esse impacto será ainda mais visível, porque vamos ter uma capacidade de atração maior, até mesmo do estrangeiro,” assegura Abdelhak Ayadi, o diretor da IKEA Loulé.

A marca sueca acredita que a loja atrairá dois milhões de visitantes a cada ano, sendo que muitos virão de fora do país. “Sabemos que vamos receber muitos turistas, por isso é importante o inglês. Aliás, toda a sinalética está nas duas línguas. Português e inglês. É a única loja onde isso acontece”, explicou o responsável. A loja do Algarve é a quinta que o IKEA abre em Portugal. Até 2025 a empresa quer subir o número de espaços para dez.

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