Iluminação inteligente reforça crescimento da Arquiled

Empresa especializada em iluminação pública tem vindo a desenvolver novos produtos no domínio das 'smart cities'. Municípios podem poupar até 80% no consumo energético

A Arquiled, empresa portuguesa especializada em iluminação pública com tecnologia LED, está a apostar no reforço da iluminação inteligente no âmbito das smart cities, que assentam em conceitos como a sustentabilidade, segurança, eficiência energética, inteligência e conectividade. E no próximo ano promete já lançar dois novos produtos, resultado de investigação e desenvolvimento próprio, ligados à gestão eficiente de recursos. "Estamos a olhar cada vez mais a cidade como um todo e há muitas zonas em que é possível otimizar custos. A eficiência energética na área da iluminação é, apenas, uma dessas componentes", diz Miguel Allen Lima, CEO da empresa com sede em Mora, no Alentejo.

Com 60 trabalhadores, 12 dos quais a operar no segmento da investigação e desenvolvimento, a Arquiled conta fechar o ano com uma faturação na ordem dos 11 milhões de euros, valor que espera aumentar, em 2022, para os 13 milhões. Tudo muito focado no mercado nacional já que, a desvalorização do real brasileiro e do peso colombiano, em especial desde o início da pandemia, tornou quase impossível a exportação para estes mercados, que constituíam a grande aposta da empresa antes da covid-19. "As moedas locais desvalorizaram cerca de 50% face ao euro e, de repente, os nossos produtos duplicaram de preço nesses mercados, o que tornou praticamente impossível vender da Europa para a América Latina", explica este responsável. Que encontrou entretanto um parceiro no Brasil com o qual espera, a partir de 2022, começar a produzir localmente alguns dos seus produtos. Na Europa, e apesar de algumas incursões em Espanha e Itália, "o mercado não se tem revelado nada fácil".

Entretanto, a Arquiled lançou, no início de 2021, uma nova gama de produtos, na área da desinfeção de espaços e objetos, com recurso à tecnologia LED ultravioleta, a pensar na covid-19. E assinou, o mês passado, um contrato de representação para a Europa e Angola com a BeWater, empresa do grupo Beijing Enterprises Water Group Limited, cotada na bolsa de valores de Hong Kong, e que conta em Portugal com várias concessões de água e saneamento.

Mas é na iluminação inteligente que a Arquiled está a apostar em força, até por força da procura do mercado. Dos 11 milhões de euros de faturação em 2021, Miguel Allen Lima estima que 95% seja referente a projetos de iluminação pública e, destes, dois terços foram de luminárias inteligentes. "É o mercado a evoluir naturalmente e as luminárias inteligentes já são o standard", afirma o empresário. Valongo, Cascais ou Tomar são alguns dos municípios que investiram neste domínio.

A poupança de recursos e a durabilidade são algumas das vantagens, e que permitem recuperar o investimento com alguma rapidez. "Uma luminária normal de LED só por si já consegue gerar cerca de 70% de poupanças. Com a inteligente conseguimos tirar mais 10 ou 15%, dependendo do nível que o cliente pretende ter dela. Ao mesmo tempo, a tecnologia também tem vindo a ficar mais barata, e uma luminária inteligente hoje custa o equivalente, ou talvez menos, que uma luminária LED de há cinco anos. Estamos a falar de paybacks do investimento a três ou quatro anos, com produtos que duram tranquilamente 15 anos", explica.

Mas não só. A associação à internet of things permite complementar o processo de iluminação com outros serviços, "rentabilizando, ao máximo, a infraestrutura de telecomunicações que está a ser colocada". Cada município pode definir quando e com que intensidade é que as luminárias estão ligadas ou calcular densidades de pessoas em determinadas zonas, designadamente para promover o necessário distanciamento social em tempo de pandemia. Mas é também possível utilizar a luminária para produzir a sua própria energia, mediante a associação de um painel solar e de uma bateria. E há muitas outras possibilidades em estudo.

Mas a falta de matérias-primas tem sido um travão ao desenvolvimento da empresa. "Poderíamos ter faturado mais um milhão, tranquilamente, e, se calhar, com mais meio milhão de margem, sem dúvida. A depreciação de margem foi o preço a pagar para conseguirmos, mesmo assim, satisfazer os clientes", diz Miguel Allen Lima, que garante haver prazos de 50 semanas - leia-se um ano - para entrega de alguns tipos de semicondutores. "Eu até posso, eventualmente, conseguir repercutir o aumento de preço, mas não consigo encurtar o tempo de entrega", lamenta.

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