Luxo sustentável. Casas de madeira cortada à medida e que afasta insetos vão ser plantadas em minicidade net zero

Dunas e Torre são dois empreendimentos na Comporta que vão ser uma espécie de cidade. Investimento em casas, hotéis e equipamentos turísticos pode chegar aos seis mil milhões de euros e criar oito mil postos de trabalho.

Filipa Quito
CEO da Vanguard Properties, José Cardoso Botelho © DR
Praia da Comporta © DR
Comporta © DR
Comporta © DR

As Terras da Comporta integram dois empreendimentos imobiliários, o Dunas e o Torre. Serão duas áreas de "luxo" com o objetivo de atrair pessoas e dinamizar a região. O projeto vai ser uma espécie de mini cidade, tendo uma capela, igreja, pastelaria, padaria, loja de conveniência, florista e campos de golfe.

Com um investimento de 150 milhões de euros numa primeira fase, para a aquisição dos terrenos, mais 40 milhões para as infraestruturas dos espaços e um investimento em projetos turísticos, hoteleiros e residenciais "próximo dos seis mil milhões de euros", estas terras são "um luxo, digo-o sem medo", e um projeto que zela pela "economia circular", conta ao Dinheiro Vivo José Cardoso Botelho, CEO da promotora do projeto, a Vanguard Properties.

O empreendimento Dunas estende-se por 1011 hectares, 349 mil metros quadrados (m2) de área de construção, 726 lotes para moradias e 335 unidades de alojamento em aldeamentos turísticos. Relativamente aos hotéis, vão ser três, um deles um aparthotel com 450 unidades de alojamento. O Dunas terá, ainda, 18 quilómetros de ciclovias para evitar o uso de automóveis.

O Torre terá 356 hectares, 289 mil m2 de área de construção, 245 lotes para moradias, três aldeamentos turísticos, dois hotéis, e mais dois aparthotéis. O empreendimento prevê a construção de 12 quilómetros de ciclovias, academias de ténis, padel e instalações para hipismo.
Tanto o Dunas como o Torre contam com campos de golfe, nos quais serão investidos 15 milhões de euros.

Estes espaços prometem criar cerca de oito mil postos de trabalho, "com salários altos, devido às cadeias internacionais, que vão estar presentes, e que pagam mais", remata o CEO.

Moderna casa portuguesa, com certeza

Com o início das vendas previsto para o primeiro semestre de 2023, as habitações vão custar entre os 2,5 e 25 milhões de euros. As habitações serão feitas em madeira, com uma tecnologia avançada e construídas como se fossem peças de lego. "As casas são feitas em madeira sendo que esta é uma matéria-prima que capta CO2, o que as torna mais eficientes e net zero (zero emissões de dióxido de carbono)", explica o responsável da Vanguard.

As habitações não são feitas de uma madeira qualquer. "São casas portuguesas, com produtos portugueses, feitas em Portugal", reforça José Cardoso Botelho.

Serão construídas a partir de uma árvore japonesa, a criptoméria, que só é plantada nos Açores, devido às condições climatéricas. "Tem uma madeira mole, moldável e um aroma que afasta os insetos". A Vanguard optou por esta matéria-prima por ser já muito utilizada noutros países. "Já é um método preferencial de construção na Alemanha, Estados Unidos, Áustria, Finlândia, Noruega e outros. É mais eficiente do ponto de vista térmico, acústico e é resistente ao fogo".

O processo é particularmente curioso a nível tecnológico. É usada uma tecnologia diferente, a CLT (sigla em inglês para Madeira Laminada Cruzada): "O arquiteto desenha uma casa, a informação vai para a fábrica , é convertida no sistema de produção, e a máquina corta a casa em função do projeto que foi enviado".

As peças chegam à Comporta e montam-se "como se fosse um lego". Para proteger a zona e não danificar o ambiente, "não se escava para construir a casa - coloca-se uma placa de CLT aparafusada ao terreno ou mico estacas". Mas há mais. "Todas têm produção fotovoltaica e terão uma bicicleta por cada quarto", para proteger o ambiente, pois o "objetivo é utilizarem cada vez mais este tipo de meios de deslocação ou buggies elétricos".

A sustentabilidade é a grande aposta da Vanguard. Alguns exemplos são "a iluminação que se adapta conforme a hora do dia, para uma máxima poupança de energia, toda a água utilizada provém dos esgotos, mas é tratada e depois é usada no golfe, rega e jardins".

Ambos os empreendimentos terão energia 100% elétrica, sendo que 80% será de produção própria. "Se se considerar que 40% da energia produzida em Portugal é renovável, com 80% interna, mais os 20% remanescentes, estamos aqui num nível de sustentabilidade alto. Não conheço nenhum projeto na Europa que tenha estas características de energia. Atrevo-me a dizer que o Dunas e Torre, a nível de empreendimentos, são dos mais avançados do mundo", vinca o presidente executivo da Vanguard Properties.

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