Portais imobiliários ameaçam empresas de mediação, alerta associação

Associação do setor alerta que aumento exponencial dos preços dos serviços prestados pelos portais imobiliários, especialmente dos destaques, coloca em causa sobrevivência de muitas empresas.

Sónia Santos Pereira
 © Margarida Ramos/Global Imagens

Os portais imobiliários estão a asfixiar as empresas de mediação. O alerta é do presidente da Associação dos Mediadores do Imobiliário de Portugal (ASMIP), Francisco Bacelar, que aponta o aumento exponencial dos preços nos anúncios, que em alguns casos atinge os 100%, como uma ameaça à sobrevivência de muitas mediadoras.

"A principal fatura das empresas de mediação tem vindo a subir em flecha por força da pressão de alguns portais, que ao atingirem certos graus de monopólio se fazem valer disso para subirem preços, nalguns casos em 100%!", diz Francisco Bacelar, em comunicado enviado às redações.

São "abusos de posições dominantes que urge apontar, e travar, sob pena de condenar inúmeras empresas, e respetivas famílias que delas dependem, em favor dos impérios financeiros, alguns externos ao país, que ditam estas práticas, e delas beneficiam em larga escala", sublinha na mesma nota.

Segundo o responsável, as mediadoras imobiliárias têm de suportar os custos mensais fixos com os anúncios, a que somam "substanciais acréscimos" com os serviços de destaque.

"Na prática paga-se para estar presente, mas só investindo forte em destaques se obtém resultados", acusa Francisco Bacelar. Na sua opinião, "é como comprar um carro, mas só pagando várias mensalidades extra o podemos utilizar".

O presidente da ASMIP revela ainda que já há quem "quem venda espaço publicitário nos anúncios pagos por nós, ou os use em proveito próprio através de empresa criada para o efeito".

"Trata-se da tentativa da 'pesca de arrasto" aos potenciais interessados em crédito bancário. Basta o interessado num dos nossos anúncios fazer simulação do crédito para esse imóvel, o que obriga ao seu registo com NIF, para que o nosso fornecedor de serviço, já pago para o efeito, beneficie duplamente do nosso anúncio, ficando com direitos financeiros sobre um futuro crédito, uma vez que a empresa de mediação/intermediação, já não poderá registar na banca esse cliente como seu", sublinha no comunicado.

A ASMIP tem recebido inúmeras queixas de mediadoras devido à atuação dos portais, sendo que há já empresas que decidiram deixar de estar sujeitas a estes players do mercado.

Francisco Bacelar apela "ao bom senso" destes operadores, "e ao recuo na prepotência e concorrência direta com os seus anunciantes".

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