Grupo DST entra no negócio da promoção residencial

Imobiliária do grupo de Braga está a desenvolver projetos em Barcelos, Guimarães e Famalicão. Em análise, estão o Porto e a Grande Lisboa.

A DST Real Estate, subsidiária do grupo de construção e engenharia DST, decidiu investir no negócio da promoção residencial. Guimarães foi a cidade eleita para o desenvolvimento do primeiro projeto. Entretanto, já lançou a primeira pedra de um empreendimento em Barcelos e prepara-se para construir para o segmento médio e médio alto em Famalicão. A imobiliária do empresário José Teixeira, que esteve sempre muito focada na gestão dos ativos do grupo e no desenvolvimento de soluções para a área do retalho, projeta colocar a médio prazo quase 700 apartamentos na região do Minho, um mercado onde há escassez de produto e se regista uma forte pressão na procura.

Segundo Miguel Moreira, CEO da DST Real Estate, os esforços estão neste momento concentrados nos projetos de Guimarães e Barcelos. Na cidade berço, a empresa prevê arrancar com a construção de 82 frações em meados de setembro, num investimento da ordem dos 15 milhões de euros, depois de ter terminado no ano passado 71 apartamentos, já totalmente vendidos. O projeto de Guimarães, que está a ser erigido num terreno propriedade do grupo há mais de 20 anos, é constituído por sete lotes e estará concluído na totalidade até 2030. "A promoção será adequada à procura", afirmou.

Em Barcelos, a promotora imobiliária iniciou recentemente o desenvolvimento do Mereces. Este é um projeto multiúsos com componente residencial, retalho, co-living e escritórios, onde serão implementadas valências de smart cities, como carregadores para carros elétricos, ciclovias e áreas verdes. Para já, a imobiliária arrancou com a construção de um edifício com 38 apartamentos, tendo já assegurado 28 reservas para uma obra que estará concluída em 2023.

O complexo residencial Mereces integra a construção de mais três prédios, num investimento de 24 milhões, que se materializará nos próximos cinco a seis anos, adiantou o responsável. Ainda em 2022, a DST Real Estate vai avançar com a construção do Fórum Mereces, que terá uma área bruta locável de 20 mil metros quadrados para albergar cerca de 25 lojas. Este projeto visa oferecer uma solução mista de retalho, conjugando os conceitos de retail park e centro comercial, explicou.

A aposta no negócio residencial do grupo bracarense estendeu-se também a Famalicão. Segundo Miguel Moreira, está a decorrer o processo de licenciamento urbanístico para um empreendimento de 180 frações, mas, para já, prefere não avançar mais pormenores. Ainda assim, revelou que a empresa está a olhar para o mercado do Porto e atenta à procura na Grande Lisboa, sempre com o foco na classe média. No entanto, a crise pandémica e a guerra, que provocaram disrupções nos processos logísticos e fizeram disparar a inflação, estão a tornar "a promoção para este segmento muito difícil. Começamos a sentir uma paragem nos projetos", afirmou.

Por um ajustamento fiscal

Na sua opinião, o contexto exige "uma solução excecional da parte do governo, que deve passar por um ajuste, com critério, na fiscalidade ao nível do IVA e do IMT, até porque não se trata de habitação de luxo e há uma efetiva procura no mercado". Miguel Moreira defendeu ainda a necessidade de resolver o problema "crónico do licenciamento", com uma solução que envolva o Estado e os municípios, já que a agilização dos processos "terá como consequência a descida dos preços".

A DST Real Estate registou uma faturação da ordem dos 30 milhões de euros em 2021, proveniente da venda do projeto residencial de Guimarães, da promoção de soluções para o retalho e dos rendimentos de rendas. Este ano, as previsões apontam para um volume de 40 milhões, devido ao incremento do negócio da habitação.

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