Há 220 novos hotéis em carteira até 2023. Pandemia obriga a revisão em baixa

Os investidores oportunistas poderão surgir em meados do próximo ano, quando as moratórias estiveram a chegar ao fim.

Os investimentos em novos hotéis deverão ser revistos em baixa devido ao forte impacto da pandemia do novo coronavírus no setor do turismo. Em carteira, há 220 novos projetos a desenvolver até 2023, num total de 18.150 quartos, mas existe "uma elevada probabilidade de revisão em baixa", afirmou Andreia Almeida, responsável de research da Cushman & Wakefield durante a apresentação Marketbeat Portugal Outono 2020, da responsabilidade da consultora.

Deste pipeline, 35% está previsto para a Área Metropolitana de Lisboa, 31% para o Norte e o restante dispersa-se pelas várias regiões do país.

Este ano já abriram 18 novos hotéis no país, com uma oferta de 1390 quartos, mas registaram-se "adiamentos estratégicos em unidades que estavam para ser inauguradas", revelou ainda Andreia Almeida, embora não tenha dados que lhe permitam quantificar esses diferimentos.

A responsável lembrou que o setor hoteleiro tem registado quebras acentuadas na atividade. Como adiantou, verificou-se uma queda de 65% no número de hóspedes de janeiro a julho e de 68% nas dormidas no mesmo período, o que acabou por traduzir num decréscimo de 71% nos proveitos.

Situação semelhante vive o negócio do Alojamento Local. Para Andreia Almeida, o futuro desta atividade "é muito incerto", tendo-se verificado o encerramento de muitas unidades e uma redução significativa na oferta, muita canalizada para arrendamento de longa duração.

2700 milhões de investimento previstos

As previsões da Cushman & Wakefield apontam para um volume de investimento comercial (escritórios, retalho, hotelaria e indústria) de 2700 milhões de euros até ao final do ano, que a concretizar-se significará uma quebra de 15% face a 2029. Apesar do decréscimo previsto, este valor será o "terceiro máximo histórico", sublinhou Andreia Almeida.

Para já, o volume transacionado até setembro atingiu os 2330 milhões de euros, com a venda de 50% da Sonae Prime (seis centros comerciais - quatro em Portugal e dois em Espanha) a distinguir-se como o principal negócio: valeu cerca de 800 milhões. A área do retalho foi a que esteve mais dinâmica, pesou 43% no volume transacionado até setembro, seguiram-se os escritórios (35%) e a hotelaria (13%).

Sob o espetro de uma crise profunda, o setor da hotelaria deverá ficar na mira dos investidores oportunistas em meados do próximo ano, segundo a antevisão de Paulo Sarmento, responsável pela área de investimento da Cushman & Wakefield. Na sua opinião, o prolongamento das moratórias de crédito bancário até setembro de 2021 adiou esses movimentos aquisitivos. De qualquer forma, lembrou, "são investidores que aceitam níveis de risco que mais ninguém aceita e têm de ser remunerados por esse risco".

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