Imperial Tobbaco apoia alteração à lei do tabaco em Portugal

Proposta do Governo pretende equiparar tabaco aquecido ao tabaco tradicional e proibir o fumo junto de edifícios como hospitais e escolas

A Imperial Tobacco Portugal, empresa da indústria do tabaco, "concorda totalmente" com a proposta do Governo de alterações à lei do tabaco, que considera "preventiva, sensata e louvável".

A posição foi expressa esta quinta-feira à Agência Lusa pelo responsável pelos assuntos institucionais da Imperial Tobbaco (uma das grandes empresas de tabaco), João Pedro Lopes, que considera a proposta do Governo em discussão no Parlamento como "brilhante em termos de prevenção".

A empresa não comercializa novos produtos de tabaco, como os cigarros eletrónicos ou o tabaco aquecido, e diz que este último tem de ser equiparado ao tabaco tradicional, porque é um produto viciante e tem tabaco.

A proposta do Governo, em discussão no grupo de trabalho sobre tabaco, da comissão parlamentar de Saúde, visa no essencial equiparar os novos produtos ao tabaco tradicional e proibir o fumo junto de edifícios como hospitais e escolas.

A questão de os novos produtos de tabaco, um deles o tabaco aquecido apresentado recentemente pela Tabaqueira (que não arde e supostamente é menos nocivo), tem suscitado polémica, com deputados a admitirem que possa fazer parte de uma estratégia de redução de riscos mas com organizações ligadas à saúde a contestarem e a dizerem que não está provado que o novo produto seja menos nocivo (a Tabaqueira garante que é).

João Pedro Lopes alinha com a ideia do Governo e das empresas ligadas à saúde e também diz que "não foram feitos estudos suficientes" e que "no combate ao tabagismo não há meios-termos".

O responsável fala ainda de uma questão comercial para alertar que o Governo está a "perder milhões". É que, disse à Lusa, um maço de cigarros normal paga 1,8 euros de impostos, enquanto o tabaco aquecido paga 48 cêntimos.

"Não acredito no discurso de que é menos nefasto. Se com impostos muito mais baixos o preço não baixa é porque a indústria não está preocupada em transferir os consumidores para esse produto", disse.

Na quarta-feira, numa extensa carta aberta enviada aos deputados e à imprensa, a Confederação Portuguesa de Prevenção do Tabagismo (COPPT) e outras associações acusam a indústria do tabaco de fazer 'lobby' junto dos deputados e dizem que no tabaco aquecido "apenas um número limitado de potenciais compostos nocivos (18) foram analisados pelos estudos desenvolvidos pelo fabricante".

Fonte oficial da Tabaqueira disse à Lusa que a empresa participou numa audição pública com os deputados que está disponível na página do Parlamento na internet, bem como todos os documentos e propostas.

Todos os dados e investigações sobre o novo produto estão igualmente disponíveis, com a multinacional Philip Morris International (da qual a Tabaqueira é subsidiária) a promover há mais de uma década "investigação científica, rigorosa e transparente", seguindo as melhores práticas e com o objetivo de "reduzir a nocividade" causada pelo consumo de tabaco, de acordo com a fonte.

"Com base nesse grau de exigência, e após avaliação da metodologia e literatura científica disponíveis relacionando determinados constituintes com impactos negativos para a saúde", a Philip Morris "considerou para a avaliação do seu produto a determinação de 58 constituintes tóxicos específicos, considerados nocivos ou potencialmente nocivos presentes no fumo dos cigarros combustíveis", diz a fonte oficial negando que tenham sido analisados 18 compostos nocivos, como se dizia na carta aberta.

 

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de